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CAPÍTULO 5 PESQUISA QUALITATIVA: APONTAMENTOS, …

CAP TULO 5. PESQUISA QUALITATIVA: APONTAMENTOS, CONCEITOS E. TIPOLOGIAS. ngela Mara de Barros Lara Ad o Aparecido Molina INTRODU O. Ao trabalharmos com metodologia da PESQUISA , especialmente na rea das Ci ncias Humanas, percebemos as dificuldades que os alunos encontram para compreender o que . PESQUISA qualitativa e para viabilizar sua metodologia durante os trabalhos que realizam. Alunos da gradua o ou da p s-gradua o levantam questionamentos sobre esse tipo de PESQUISA e sua metodologia confundindo, muitas vezes, a proposta te rica e o m todo com os procedimentos na PESQUISA . Este texto procura auxiliar no entendimento do que a PESQUISA qualitativa nas ci ncias humanas, bem como no desenvolvimento de propostas metodol gicas nessa rea.

qualitativa pode e deve ser mediada, em sua coleta de dados, por outros tipos de pesquisa. Assim sendo, é necessário ir além da dicotomia entre a pesquisa qualitativa e a quantitativa. Em função disso, entendemos que ao apresentarmos esses teóricos e os encaminhamentos para a

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1 CAP TULO 5. PESQUISA QUALITATIVA: APONTAMENTOS, CONCEITOS E. TIPOLOGIAS. ngela Mara de Barros Lara Ad o Aparecido Molina INTRODU O. Ao trabalharmos com metodologia da PESQUISA , especialmente na rea das Ci ncias Humanas, percebemos as dificuldades que os alunos encontram para compreender o que . PESQUISA qualitativa e para viabilizar sua metodologia durante os trabalhos que realizam. Alunos da gradua o ou da p s-gradua o levantam questionamentos sobre esse tipo de PESQUISA e sua metodologia confundindo, muitas vezes, a proposta te rica e o m todo com os procedimentos na PESQUISA . Este texto procura auxiliar no entendimento do que a PESQUISA qualitativa nas ci ncias humanas, bem como no desenvolvimento de propostas metodol gicas nessa rea.

2 Num primeiro momento localizamos a PESQUISA qualitativa no tempo, ou seja, buscamos o seu surgimento na Am rica Latina, discutindo a dicotomia entre PESQUISA qualitativa e PESQUISA quantitativa e, tamb m, sobre as bases dessas investiga es na educa o. Num segundo momento, apresentamos o conceito e a tipologia da PESQUISA qualitativa dialogando com v rios autores sobre esse tema. Como contraponto apresentamos outros tipos de PESQUISA que est o vinculados PESQUISA quantitativa, pois, acreditamos que a PESQUISA qualitativa pode e deve ser mediada, em sua coleta de dados, por outros tipos de PESQUISA . Assim sendo, necess rio ir al m da dicotomia entre a PESQUISA qualitativa e a quantitativa. Em fun o disso, entendemos que ao apresentarmos esses te ricos e os encaminhamentos para a PESQUISA , possibilitamos uma discuss o mais ampla entre os pesquisadores e os seus orientadores.

3 DISCUTINDO A DICOTOMIA ENTRE A PESQUISA QUALITATIVA E A PESQUISA . QUANTITATIVA. Depois de centralizar a discuss o sobre a forma o do pesquisador nas t cnicas e metodologias, na d cada dos 70, de destacar a import ncia das teorias (cr ticas e n o cr ticas) nos anos 80 e da discuss o sobre os paradigmas epistemol gicos no come o da d cada dos anos 90 e, ainda, de anunciar a crise dos paradigmas na segunda metade dessa ltima d cada, hoje parece ganhar consist ncia a discuss o em torno das teorias do conhecimento que fundamentam a PESQUISA educacional. As teorias do conhecimento tornam-se espa os mais amplos que permitem um debate que compreende as anteriores dimens es da PESQUISA (t cnicas, m todos, teorias, epistemologias) e ajuda a elucidar melhor as tend ncias atuais da PESQUISA e suas rela es com o mundo da necessidade e dos desafios da educa o no limiar do pr ximo mil nio (GAMBOA, 2000, p.)

4 14). Alguns termos s o fundamentais para iniciar esta discuss o, por isso preciso buscar no Dicion rio Aur lio as defini es de palavras como: teoria, teoria do conhecimento, PESQUISA , metodologia e m todo. Teoria conhecimento especulativo, meramente racional; conjunto de princ pios fundamentais duma arte ou duma ci ncia; Doutrina ou sistema fundado em princ pios e opini es sistematizadas. Teoria do conhecimento o estudo do Valor e dos limites do conhecimento, e especialmente da rela o entre sujeito e objeto GNOSIOLOGIA. PESQUISA ato ou efeito de pesquisar; indaga o ou busca minuciosa para averigua o da realidade, investiga o, inquiri o; investiga o e estudo, minudentes e sistem ticos, com o fim de descobrir ou estabelecer fatos ou princ pios relativos a um campo qualquer do conhecimento.

5 Metodologia a arte de dirigir o esp rito na investiga o da verdade; estudo dos m todos e, especialmente, dos m todos das ci ncias. M todo o caminho pelo qual se atinge um objetivo; programa que regula previamente uma s rie de opera es que se devem realizar, apontando erros evit veis, em vista de um resultado determinado; processo ou t cnica de ensino: m todo direto; modo de proceder; maneira de agir; meio (FERREIRA, 1987). No dicion rio estes verbetes apresentam uma vis o da discuss o que fundamental para o entendimento do conhecimento cient fico que leva ao desenvolvimento da PESQUISA . Para fazer PESQUISA necess rio ter uma d vida, um questionamento, uma pergunta. Fala-se do problema, o que se quer investigar? a partir desta d vida ou desta pergunta inicial, que parte do senso comum, que se procura a teoria e o m todo que fundamentar o a PESQUISA .

6 Parece simples colocar as coisas nestes termos, tenho um problema, procuro uma teoria, uma metodologia e est resolvido o meu projeto de PESQUISA . Bom, claro que o conhecimento cient fico n o elaborado de forma simplista, este entendimento seria temer rio e porque n o dizer ing nuo. Ao propor uma discuss o de base cient fica s o necess rios: clareza, rigor, dom nio de conceitos, teorias e m todos. neste sentido que iniciamos a discuss o da PESQUISA qualitativa. Muitos autores j . fizeram um hist rico sobre essa forma de fazer pesquisa1, importante, entretanto salientar que na Am rica Latina ela surgiu na d cada dos setenta do s culo vinte. O enfoque da educa o na regi o possui aspectos qualitativos, por essa raz o imprescind vel compreender que o ensino sempre apresentou um destaque pela sua realidade qualitativa, como salienta Trivi os (1987).

7 O. que nos motiva a entender o percurso da PESQUISA qualitativa na regi o justamente a ideia de perceber as perspectivas e os fundamentos da PESQUISA educacional no Brasil. A PESQUISA qualitativa e a PESQUISA quantitativa v m sendo tratadas de variadas formas por diferentes pesquisadores, mas escolhemos um encaminhamento para tratarmos desta quest o. No que tange dicotomia entre PESQUISA qualitativa e PESQUISA quantitativa procuramos fundamentar esta discuss o sob a teoria de dois autores: Silvio Sanchez Gamboa e Jos Camilo dos Santos Filho, te ricos que tratam das quest es da PESQUISA e auxiliam na compreens o desta dicotomia. Ela necess ria? cab vel? Para Gamboa (2000) este conflito falso, ou seja, ele aparece enquanto reducionismo no que diz respeito s alternativas de PESQUISA considerando apenas as op es t cnicas sem observar outros processos e n veis no desenvolvimento da PESQUISA cient fica.

8 Preciso que se avance nesta discuss o, tendo em vista que necess rio admitir a distin o entre n veis t cnicos, metodol gicos, te ricos e epistemol gicos. Conforme o autor anteriormente citado, deve-se racionalizar as formas de articula o entre os n veis. A quest o perpassa as bases hist ricas nas quais os paradigmas da PESQUISA est o inseridos. Faz-se necess rio, portanto, ressaltar dois pontos, conforme aponta Santos Filho (2000). 1 ) Problema do contexto hist rico, ou seja, as bases conceituais da discuss o atual est o enraizadas em ideias do s culo XIX; 2 ) necess rio discutir as teses da incomensurabilidade, da complementaridade e da unidade dos paradigmas nas Ci ncias Humanas e na Educa o. Cabe levantar o contexto hist rico dos paradigmas da PESQUISA nas d cadas passadas, onde na d cada de 1980 os paradigmas dominantes das ci ncias humanas e da educa o eram: qualitativo-realista, quantitativo-realista e neomarxistas, este ltimo desafiando a hegemonia dos dois anteriores a partir do final dos anos 1970.

9 Os neomarxistas tratam as categorias de quantidade e qualidade na perspectiva da dial tica materialista, conforme Santos Filho (2000).. preciso refletir sobre a possibilidade da supera o desta contradi o entre as pesquisas qualitativas e quantitativas. A defesa neste momento com rela o unidade dos paradigmas. Os diferentes n veis, tipos e abordagens de problemas educacionais, e os diversos objetos de PESQUISA requerem m todos que se adequem natureza do problema pesquisado. Em ltima inst ncia, por m, essas abordagens e metodologias precisam contribuir para a explica o e compreens o mais aprofundada dos fen menos humanos 1. Os autores que j fizeram um hist rico sobre a PESQUISA qualitativa foram Gamboa (2000); Santos Filho (2000); Lara (1992); Trivi os (1987); Hirano (1987) entre outros.

10 Que, pela sua grande complexidade necessitam, ser pesquisados sob os mais diferentes ngulos e segundo as mais variadas metodologias. A toler ncia e o pluralismo epistemol gico justificam a n o admiss o de uma nica ratio e a aceita o do pluralismo te rico-metodol gico nas ci ncias humanas e da educa o. Finalmente, cabe observar que a controv rsia continua e, por isso, o contato com os cl ssicos das ci ncias sociais, especialmente Durkheim, Weber e Marx, sempre ser fecundo no aprofundamento e na discuss o das ra zes filos fico-hist ricas e te rico-metodol gicas do problema do objeto e da metodologia das ci ncias humanas e da educa o. Por outro lado, os te ricos das ci ncias humanas e da educa o precisam familiarizar-se com as correntes atuais de filosofia das ci ncias, pois estas constituem uma base importante para clarificar e fundamentar as diferentes teses sobre o problema da incompatibilidade, complementaridade ou unidade dos paradigmas de PESQUISA nessas ci ncias (SANTOS.)


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