Transcription of CLASSIFICAÇÃO DAS ÁGUAS MINERAIS NATURAIS E DE …
1 classifica O DAS GUAS MINERAIS NATURAIS E DE NASCENTE DE PORTUGAL SEGUNDO AS SUAS CARACTER STICAS F SICO-QU MICAS Carla LOUREN O Ge loga, Divis o de Recursos Hidrogeol gicos e Geot rmicos do Instituto Geol gico e Mineiro, Rua Almirante Barroso, 38, 1050-025 Lisboa, Lu s RIBEIRO Eng de Minas (IST), Professor Auxiliar (IST) CVRM Centro de Geosistemas do Instituto Superior T cnico, Av. Rovisco Pais,1049-001 Lisboa, RESUMO As guas MINERAIS NATURAIS possuem caracter sticas que as distinguem das outras guas subterr neas, como sejam os n veis de estabilidade dos par metros f sico-qu micos que as caracterizam.
2 Este tipo espec fico de recurso n o possui limites recomend veis ou admiss veis para a grande maioria dos par metros f sico-qu micos. Apenas para alguns constituintes das guas MINERAIS NATURAIS (na grande maioria i es vestigi rios) s o estabelecidos limites de concentra o, de acordo com a Directiva 2003/40/CE da Comiss o, de 16 de Maio. No caso das guas de nascente (bem como para as guas de consumo humano), os limites de concentra o dos par metros f sico-qu micos encontram-se definidos no Decreto-Lei n 243/2001, de 5 de Setembro.
3 A grande maioria das guas portuguesas engarrafadas ( MINERAIS NATURAIS e de nascente) s o hipossalinas, correspondendo a mais de 75% do total das guas, reflectindo deste modo o gosto dos portugueses por este tipo de guas. Nesta comunica o descrevem-se as estruturas de inter-rela o existentes entre os principais par metros e os diferentes tipos de gua e proposta uma classifica o dessas guas com base nas similitudes e oposi es entre elas e constru da a partir de guas-padr o com perfis f sico-qu micos diametralmente opostos.
4 Para esse efeito ser o utilizados m todos da an lise multivariada de dados nomeadamente a An lise em Componentes Principais e a classifica o Ascendente Hier rquica. Palavras-chave: guas MINERAIS , An lise em Componentes Principais, classifica o Ascendente Hier rquica, 1 INTRODU O Portugal, proporcionalmente sua superf cie e sua popula o um dos pa ses mais ricos do mundo no que concerne sua variedade e n mero das suas nascentes de guas MINERAIS {LEPIERRE (1930)}. Existem 3 tipos de guas engarrafadas portuguesas: as guas MINERAIS NATURAIS , as guas de nascente e as guas de consumo humano.
5 Nesta comunica o apenas ser o abordadas as guas MINERAIS NATURAIS e as guas de nascente, que s o tuteladas e controladas pelo Instituto Geol gico e Mineiro (IGM). Ambas est o enquadradas pelo 90/90, de 16 de Mar o; no entanto, uma gua Mineral Natural integra-se no dom nio p blico do Estado, ao contr rio das guas de Nascente, que s o objecto de propriedade privada, pelo que os seus diplomas espec ficos s o diferentes. Uma gua mineral natural pode ser definida como: gua considerada bacteriologicamente pr pria de circula o subterr nea com particularidades f sico-qu micas est veis na origem dentro da gama de flutua es NATURAIS de que podem eventualmente resultar propriedades terap uticas ou simplesmente efeitos favor veis sa de As guas de nascente s o, de igual modo, perfeitamente NATURAIS , de circula o subterr nea, bacteriologicamente pr prias, podendo, no entanto, apresentar uma certa variabilidade qu mica sazonal.
6 Motivada por tempos de circula o no sub-solo relativamente curtos. Nos pa ses mais industrializados verifica-se uma tend ncia progressiva da substitui o das guas da rede p blica por guas de nascente, pelo que a concentra o de certos constituintes org nicos e met licos, considerados indesej veis ou mesmo t xicos para o organismo humano, n o pode ultrapassar os Valores M ximos Admiss veis (VMA), definidos no Decreto-Lei n 243/2001, de 5 de Setembro. As guas MINERAIS NATURAIS , reconhecidas como guas de excep o, n o se encontram actualmente sujeitas a VMA, existindo apenas alguns valores guia (na grande maioria i es vestigi rios), estabelecidos de acordo com a Directiva 2003/40/CE da Comiss o, de 16 de Maio.
7 Embora a natureza n o produza duas guas NATURAIS com igual composi o qu mica, , no entanto, poss vel o seu agrupamento por classes ou tipos, tendo como base algumas semelhan as que existem entre algumas delas. Grande parte das guas MINERAIS NATURAIS e de nascente portuguesas hipossalina, ao contr rio da maioria existente nos restantes Pa ses Comunit rios, o que reveste o gosto dos portugueses por este tipo de guas. As guas MINERAIS NATURAIS contribu ram, em 2002, com cerca de 143 milh es de euros para a economia nacional enquanto que as guas de nascente contribu ram com 53 milh es de euros, como demonstra a estat stica da produ o anual.
8 2 LOCALIZA O E CONTROLO GEOL GICO-ESTRUTURAL Em Portugal Continental s o actualmente comercializadas 32 guas engarrafadas, 19 das quais qualificadas como gua Mineral Natural e as restantes como gua de Nascente. Localizam-se predominantemente na zona norte e centro do Maci o Hesp rico (ver Figura 1), estando a sua distribui o relacionada com grandes acidentes tect nicos, nomeadamente a falha de Penacova-R gua-Verin, a falha da Vilari a e a falha do rio Minho. Ocorrem em terrenos onde predominam os granitos porfir ides, de gr o m dio a grosseiro e emergem normalmente no cruzamento entre as grandes falhas regionais e suas conjugadas, dado que geralmente neste locais que se criam as condi es mais adequadas para a ascen o dos fluidos provenientes de zonas profundas da crosta, exibindo superf cie altera es mais ou menos acentuadas.
9 Nas Orlas Meso-Cenoz icas Ocidental e Meridional, onde ocorrem forma es geol gicas basicamente sedimentares, est o mais associadas as guas fracamente mineralizadas, estreitamente relacionadas com falhas activas ou diapiros salinos, verificando-se, na maioria dos casos, a concorr ncia de ambos. 3 ASPECTOS DE CAR CTER QU MICO DAS GUAS MINERAIS NATURAIS E DE NASCENTE A composi o qu mica que uma gua exibe no produto engarrafado deve ser considerada como o resultado de um conjunto de modifica es ocorridas no fluido original, que dependem de v rios factores, como por exemplo o percurso percorrido pela gua, as altera es de pH devidas desgaseifica o do sistema, etc.
10 Do ponto de vista hidroqu mico (Quadro 1), verifica-se que: As guas que ocorrem no Maci o Hesp rico s o, predominantemente hipossalinas e gasocarb nicas; As guas que ocorrem nas Orlas Meso-Cenoz icas Ocidental e Meridional s o, de um modo geral, fracamente mineralizadas, bicarbonatadas c lcicas, bicarbonatadas c lcico-magnesianas e cloretadas s dicas. Quadro 1 Tipos hidroqu micos das guas engarrafadas TIPO HIDROQU MICO VALORES DE MINERALIZA O TOTAL (mg/l) Hipossalinas <100 Fracamente mineralizadas entre 100 e 1000 Mesossalinas entre 1000 e 1500 Hipersalinas >1500 Cerca de 78% das guas MINERAIS NATURAIS e de nascente engarrafadas s o, do ponto de vista hidroqu mico, hipossalinas, conforme se pode observar no Quadro 2, cujos valores se referem estat stica da produ o anual de 2002.