Transcription of Saúde no Brasil 4 Doenças crônicas não …
1 S ries Sa de no Brasil 4. Doen as cr nicas n o transmiss veis no Brasil : carga e desafios atuais Maria In s Schmidt, Bruce Bartholow Duncan, Gulnar Azevedo e Silva, Ana Maria Menezes, Carlos Augusto Monteiro, Sandhi Maria Barreto, Dora Chor, Paulo Rossi Menezes As doen as cr nicas n o transmiss veis (DCNT) se tornaram a principal prioridade na rea da sa de no Brasil Publicado Online 72% das mortes ocorridas em 2007 foram atribu das a elas. As DCNT s o a principal fonte da carga de doen a, e os 9 de maio de 2011. transtornos neuropsiqui tricos det m a maior parcela de contribui o. A morbimortalidade causada pelas DCNT 6736(11)60135-9. maior na popula o mais pobre. Apesar de a mortalidade bruta causada pelas DCNT ter aumentado 5% entre 1996 e Veja Online/Coment rio 2007, a mortalidade padronizada por idade diminuiu 20%.
2 A diminui o ocorreu particularmente em rela o s doen as cardiovasculares e respirat rias cr nicas, em conjunto com a implementa o bem-sucedida de pol ticas de 6736(11)60433-9, sa de que levaram redu o do tabagismo e expans o do acesso aten o b sica em sa de. No entanto, importante 6736(11)60354-1, notar que a preval ncia de diabetes e hipertens o est aumentando, paralelamente preval ncia de excesso de peso;. esses aumentos est o associados a mudan as desfavor veis na dieta e na atividade f sica. O Brasil tem posto em pr tica 6736(11)60318-8, importantes pol ticas de preven o das DCNT, e a mortalidade por DCNT ajustada por idade vem diminuindo 1,8% ao ano. Contudo, as tend ncias adversas da maioria dos fatores de risco trazem um enorme desafio e demandam a es e 6736(11)60326-7, and pol ticas adicionais e oportunas, especialmente as de natureza legislativa e regulat ria e aquelas que fornecem aten o 6736(11)60437-6.
3 Custo-efetiva a condi es cr nicas para indiv duos afetados por DCNT. Este o quarto da S ries de seis fasc culos em Sa de no Brasil Introdu o de doen a, houve uma r pida transi o demogr fica no Faculdade de Medicina, As doen as cr nicas n o transmiss veis (DCNT) s o um Brasil , que produziu uma pir mide et ria com maior Universidade Federal do Rio problema de sa de global e uma amea a sa de e ao peso relativo para adultos e Crescimento da Grande do Sul, Brasil (M I Schmidt MD, desenvolvimento humano. A carga dessas doen as recai renda, industrializa o e mecaniza o da produ o, B B Duncan MD); Instituto de especialmente sobre pa ses de baixa e m dia urbaniza o, maior acesso a alimentos em geral, Medicina Social, Universidade Cientistas renomados2 e a OMS3 fizeram um apelo para incluindo os processados, e globaliza o de h bitos n o do Estado do Rio de Janeiro, a o, definindo estrat gias a serem empreendidas, uma saud veis produziram r pida transi o nutricional,11 Brasil (G A e Silva MD).
4 Faculdade de Medicina, vez que h interven es custo-efetivas dispon A expondo a popula o cada vez mais ao risco de doen as Universidade Federal ONU est convocando uma Reuni o de Alto N vel da cr nicas. Nesse contexto, grupos tnicos e raciais menos de Pelotas, Brasil Assembleia Geral, a ser realizada em setembro de 2011, (A M Menezes MD); Faculdade sobre preven o e controle das Para contribuir de Sa de P blica, Universidade para a prepara o dessa reuni o, uma s rie de artigos foi Mensagens principais de S o Paulo, Brasil (C A Monteiro MD); Faculdade lan ada no Lancet em novembro de Vinte e tr s As doen as n o transmiss veis (DCNT) s o as principais de Medicina, Universidade pa ses, inclusive o Brasil , foram avaliados em rela o fontes da carga de doen a no Brasil , e pol ticas Federal de Minas Gerais, Brasil carga das DCNT e capacidade nacional de responder ao (S M Barreto MD).
5 Escola importantes para sua preven o e controle t m sido Nacional de Sa de P blica, desafio imposto por tais doen Uma vis o abrangente implementadas. Funda o Osvaldo Cruz, Rio de e cr tica do cen rio das DCNT no Brasil , um grande pa s As taxas de mortalidade por doen as cardiovasculares e Janeiro, Brasil (D Chor MD);. de renda m dia, , portanto, oportuna. respirat rias cr nicas est o diminuindo, provavelmente e Faculdade de Medicina, Universidade de S o Paulo, como resultado do controle do tabagismo e do maior Brasil (P R Menezes MD). A carga das DCNT acesso aten o prim ria. Correspond ncia para: Em 2007, cerca de 72% das mortes no Brasil foram A epidemia de obesidade que acomete o mundo, com o Prof Maria In s Schmidt, atribu das s DCNT (doen as cardiovasculares, doen as consequente crescimento da preval ncia de diabetes e Faculdade de Medicina, Rua respirat rias cr nicas, diabetes, c ncer e outras, inclusive hipertens o, amea a o decr scimo adicional das DCNT.)
6 Ramiro Barcelos, , sala 414, doen as renais), 10% s doen as infecciosas e parasit rias Tend ncias desfavor veis na maioria dos principais Porto Alegre, RS, Brasil e 5% aos dist rbios de sa de materno-infantis. Essa fatores de risco mostram a necessidade de a es distribui o contrasta com a de 1930, quando as doen as adicionais e oportunas de promo o e preven o da infecciosas respondiam por 46% das mortes nas capitais sa de, especialmente na forma de legisla o e Conforme abordado em profundidade em regulamenta o, e daquelas que permitem cuidados outro artigo desta S rie,9 essa mudan a radical ocorreu cr nicos de qualidade. em um contexto de desenvolvimento econ mico e social Fortalecer os v nculos entre o governo, as institui es marcado por avan os sociais importantes e pela resolu o acad micas e a sociedade civil facilitar a resposta da dos principais problemas de sa de p blica vigentes sociedade ao desafio das DCNT.
7 Naquela poca. Paralelamente a essa mudan a na carga 61. S ries pessoas para 463 por , demonstrando a amplia o Painel 1: Desigualdades tnicas e raciais e doen as cr nicas da carga das DCNT. Entretanto, quando o ajuste por Como em outras sociedades marcadas por uma hist ria de coloniza o e escravid o, idade foi realizado para permitir compara es ao longo existe preconceito tnico e racial no Brasil , assim como desigualdades desfavor veis a do tempo e entre popula es, a mortalidade diminuiu. A. pretos, pardos e ind Como exemplo, pretos e pardos est o desproporcionalmente Figura 1 mostra que a mortalidade atribu vel s DCNT. representados entre os desempregados e analfabetos brasileiros,13 com consequentes diminuiu 20% entre 1996 e 2007, sobretudo devido a impactos das desigualdades econ micas e raciais na distribui o das DCNT.
8 Redu es em doen as cardiovasculares (31%) e respirat rias cr nicas (38%); para o diabetes e outras As popula es ind genas brasileiras est o passando por mudan as intensas em sua doen as cr nicas, a mortalidade permaneceu est vel rela o com a terra, o trabalho e a urbaniza o, o que est afetando sua sa de de maneira (aumento de 2% e diminui o de 2%, respectivamente). sem precedentes. Como em outros pa ses, em rela o alimenta o, os povos ind genas Esses dados e outros, a menos que especificado de v m sofrendo uma r pida mudan a, caracterizada por um ganho de peso generalizado, outro modo, foram padronizados por idade para a maior que a m dia nacional. Por exemplo, os Xavante localizados na regi o das Reservas popula o-padr o da OMS,18 corrigidos para sub-registro Ind genas Sangradouro-Volta Redonda e Pimentel Barbosa tiveram uma preval ncia de e com redistribui o das causas mal definidas de morte, obesidade em 1998-99 de cerca de 25% nos homens e 41% nas mulheres.
9 Acredita-se que pro rata, dentre as causas n o externas. O web-ap ndice a dieta cada vez mais ocidental e a redu o da pr tica de atividades f sicas por conta de que acompanha o artigo da S rie escrito por Victora et al. mudan as macrossociais sejam as causas diretas desses n veis de 16. fornece detalhes sobre o c lculo da Consequentemente, obesidade, hipertens o e diabetes est o se tornando quest es de A mortalidade por DCNT padronizada por idade em sa de p blica cada vez mais graves nessa popula 17. 2004 no Brasil (625 por pessoas), conforme O debate sobre preconceito e discrimina o raciais recente no Brasil . Sabemos pouco relatado pela OMS, foi menor que a da R ssia, Nig ria, sobre as inter-rela es entre as desigualdades socioecon micas e raciais que geram essas ndia e Tanz nia (todas > 700 por ), mas maior diferen as de sa de e que prejudicam o desenvolvimento pleno do povo brasileiro.
10 As que a do Reino Unido e do Canad (ambas menores pol ticas de a o afirmativa no Brasil s o muito novas e seu efeito ainda desconhecido. <400 por )1 e a de quase todos os outros pa ses No entanto, o t pico j est na agenda de pol ticos, acad micos e da sociedade brasileira. importante mencionar que a taxa da OMS para o Brasil um pouco maior que as taxas mostradas na Figura 1 (617 por em 2000; 540 por 800. em 2007), em parte devido a diferentes pressupostos sobre sub-registro e causas mal definidas de morte, que v m sofrendo melhorias constantes. Al m disso, nossa corre o para causas mal definidas (7,7% em 600. 2007) mais precisa, tendo sido feita separadamente para Mortalidade (por pessoas). cada ano em cada estrato de idade, sexo e estado.