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PROTOCOLO NACIONAL PARA DIAGN STICO E MANEJO DAS CEFALEIAS NAS UNIDADES DE URG NCIA DO BRASIL - 2018 Academia Brasileira de Neurologia Departamento Cient fico de Cefaleia sociedade Brasileira de Cefaleia _____ Jos Geraldo Speciali1, Fernando Kowacs2, Mauro Eduardo Jurno3, Igor Silvestre Bruscky4,5, Jo o Jos Freitas de Carvalho6,7, Francisca Goreth Malheiro Moraes Fantini8, Elmano Henrique Torres de Carvalho9, Leopoldo Ant nio Pires10, Daniel Borges Fialho2, Gilmar Fernandes do Prado11 1- Universidade de S o Paulo, Faculdade de Medicina de Ribeir o Preto, S o Paulo SP, Brasil; 2- Universidade Federal de Ci ncias da Sa de de Porto Alegre, Porto Alegre RS, Brasil; 3- Faculdade de Medicina de Barbacena, Barbacena MG, Brasil; 4- Faculdade de Medicina da UNINASSAU, Recife PE, Brasil; 5- Hospi

Sociedade Brasileira de Cefaleia _____ José Geraldo Speciali 1, Fernando Kowacs 2, Mauro Eduardo Jurno 3, Igor Silvestre Bruscky 4,5, João José Freitas de Carvalho 6,7, Francisca Goreth Malheiro Moraes Fantini 8, Elmano Henrique Torres de Carvalho 9 ...

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1 PROTOCOLO NACIONAL PARA DIAGN STICO E MANEJO DAS CEFALEIAS NAS UNIDADES DE URG NCIA DO BRASIL - 2018 Academia Brasileira de Neurologia Departamento Cient fico de Cefaleia sociedade Brasileira de Cefaleia _____ Jos Geraldo Speciali1, Fernando Kowacs2, Mauro Eduardo Jurno3, Igor Silvestre Bruscky4,5, Jo o Jos Freitas de Carvalho6,7, Francisca Goreth Malheiro Moraes Fantini8, Elmano Henrique Torres de Carvalho9, Leopoldo Ant nio Pires10, Daniel Borges Fialho2, Gilmar Fernandes do Prado11 1- Universidade de S o Paulo, Faculdade de Medicina de Ribeir o Preto, S o Paulo SP, Brasil; 2- Universidade Federal de Ci ncias da Sa de de Porto Alegre, Porto Alegre RS, Brasil; 3- Faculdade de Medicina de Barbacena, Barbacena MG, Brasil; 4- Faculdade de Medicina da UNINASSAU, Recife PE, Brasil; 5- Hospital da Restaura o, Recife PE, Brasil; 6- Hospital Geral de Fortaleza, Fortaleza CE, Brasil; 7- Faculdade de Medicina da Unichristus, Fortaleza CE, Brasil.

2 8- Santa Casa de Miseric rdia de Fernand polis, Fernand polis SP, Brasil; 9- Rede SARAH de Hospitais, Belo Horizonte MG, Brasil; 10- Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora MG, Brasil; 11- Universidade Federal de S o Paulo, S o Paulo SP, Brasil. Palavras-chave: cefaleia; dor; tratamento; emerg ncias. INTRODU O A cefaleia um dos sintomas m dicos mais frequentes. Estudos epidemiol gicos t m buscado estimar a sua preval ncia em diferentes popula es e o seu impacto, tanto na popula o como no sistema de sa de. A preval ncia da cefaleia ao longo da vida elevada (94% dos homens e 99% das mulheres) e cerca de 70% das pessoas apresentaram o sintoma no ltimo ano1.

3 Nos ambulat rios de cl nica m dica, a cefaleia a terceira queixa mais frequente (10,3%), suplantado apenas por infec es de vias a reas e dispepsias2. Nas Unidades de Sa de, a cefaleia respons vel por 9,3% das consultas n o agendadas, e nos ambulat rios de neurologia o motivo mais frequente de consulta3. Pacientes com cefaleia representam 4,5% dos atendimentos em unidades de emerg ncia, sendo o quarto motivo mais frequente de consulta nas unidades de urg ncia4. Tendo por base esses dados, justifica-se a elabora o de um PROTOCOLO cl nico para condu o e tratamento das cefaleias nas unidades de urg ncia do Brasil.

4 CLASSIFICA O DAS CEFALEIAS As cefaleias podem ser classificadas em prim rias e secund rias5. As cefaleias prim rias s o doen as cujo sintoma principal, por m n o nico, s o epis dios recorrentes de dor de cabe a (ex.: migr nea, cefaleia do tipo tensional e cefaleia em salvas)5. As cefaleias secund rias s o o sintoma de uma doen a subjacente, neurol gica ou sist mica (ex.: meningite, dengue, tumor cerebral). O DIAGN STICO diferencial entre cefaleia prim ria ou secund ria essencial. A causa da cefaleia secund ria habitualmente deve ser investigada por meio de exames subsidi rios5.

5 PRINCIPAIS CEFALEIAS PRIM RIAS Migr nea (enxaqueca): No Brasil, a preval ncia anual da migr nea de , acometendo cerca de 22% das mulheres e 9% dos homens, com pico de preval ncia entre 30 e 50 anos. A migr nea sem aura (75% dos casos) mais frequente que com aura (25% dos casos)6. Cerca de 80% dos pacientes t m um familiar direto acometido7. Caracteriza-se por crises recorrentes constitu das por at cinco fases (nem sempre est o presentes todas elas)7. Sintomas premonit rios: precedem a cefaleia por horas ou at dias. Nesta fase o paciente pode apresentar irritabilidade, com racioc nio e memoriza o mais lentos, des nimo e avidez por alguns tipos de alimentos7.

6 Aura: complexo de sintomas neurol gicos que se desenvolve gradualmente (ao longo de no m nimo 5 minutos) e dura at 60 minutos. A aura t pica um dist rbio visual constitu do por pontos fosfenos, perda ou distor o de um dos hemicampos visuais ou parte deles. s vezes associam-se parestesia unilateral e/ou disfasia7. Cefaleia: de forte intensidade, latejante/puls til, piorando com as atividades do dia a dia. A dura o da fase de dor de 4 a 72 horas. A dor unilateral em dois ter os das crises, geralmente mudando de lado de uma crise para outra7.

7 Sintomas associados: n useas e/ou v mitos, foto e fonofobia7. Fase de recupera o: fase de exaust o em que alguns pacientes necessitam de um per odo de repouso para seu completo restabelecimento7. Complica es da migr nea: estado migranoso: cefaleia intensa que dura mais que 72 horas, com intervalos livres inferiores a 12 horas, qual associam-se n useas e v mitos por horas seguidas, levando a desidrata o e as suas consequ ncias, como a necessidade de interna o5. infarto migranoso: um ataque id ntico aos outros epis dios, mas os sintomas da aura persistem por mais de 60 minutos e s o associados a um infarto demonstrado no exame de neuroimagem5.

8 Migr nea cr nica: o aumento da frequ ncia das crises at tornarem-se di rias ou quase di rias (>15 dias por m s com dor por mais de 3 meses)5. S o fatores de risco para cronifica o: fatores emocionais, estresse, doen as psiqui tricas e abuso de analg sicos8. Cefaleia do tipo tensional: A cefaleia do tipo tensional (CTT) epis dica a mais frequente das cefaleias prim rias, com pico de preval ncia na quarta d cada. Sua crise de fraca ou moderada intensidade, com sensa o de aperto ou press o e, na maioria das vezes, bilateral. Pode ser frontal, occipital ou holocraniana5.

9 A dor pode melhorar com atividades f sicas. Surge, em geral, no final da tarde, relaciona-se com estresse f sico (cansa o, exagero de atividade f sica, especialmente no calor e sob o sol), muscular (posicionamento do pesco o no sono ou no trabalho) ou emocional. Por vezes, h hiperestesia e hipertonia da musculatura pericraniana que pode ser percebida com a palpa o cuidadosa5. Cefaleia em Salvas: a cefaleia trig mino-auton mica mais frequente, acometendo 1 em cada indiv duos (85% das pessoas afetadas s o do sexo masculino). Geralmente se inicia ap s os 20 anos, mas mais frequente entre as 3 e 5 d cadas5.

10 A doen a evolui em surtos de um a tr s meses de dura o (salvas), quando o paciente experimenta de uma a oito crises por dia e frequentemente despertado noite pela crise5. Em geral, as crises t m dura o limitada, de 15 a 180 minutos, quadro cl nico t pico com dor excruciante, unilateral e altera es auton micas (hiperemia conjuntival e/ou lacrimejamento, congest o ocular e nasal, rinorreia, edema palpebral, rubor facial, miose e/ou ptose ipsilaterais) associados a sensa o de inquietude e agita o. Ap s epis dio de salvas pode haver per odo de meses ou anos sem crises5.


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