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Conceito de família - SciELO Livros

Conceito de fam lia: adolescentes de zonas rural e urbana Vanessa Marques Gibran Faco L gia Ebner Melchiori SciELO Books / SciELO Livros / SciELO Libros valle , TGM., org. Aprendizagem e desenvolvimento humano: avalia es e interven es [online]. S o Paulo: Cultura Acad mica, 2009. 222 p. ISBN 978-85-98605-99-9. Available from SciELO . Books < >. All the contents of this work, except where otherwise noted, is licensed under a Creative Commons Attribution-Non Commercial-ShareAlike Unported. Todo o conte do deste trabalho, exceto quando houver ressalva, publicado sob a licen a Creative Commons Atribui o - Uso N o Comercial - Partilha nos Mesmos Termos N o adaptada. Todo el contenido de esta obra, excepto donde se indique lo contrario, est bajo licencia de la licencia Creative Commons Reconocimento-NoComercial-CompartirIgual Unported.

122 TÂNIA GRACY MARTINS DO VALLE (ORG.) ciclo vital, como pelas políticas econômicas e sociais (Carter & McGoldrick, 1995; Ferrari & Kaloustian, 2004). Ela é um dos principais contextos de so-

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1 Conceito de fam lia: adolescentes de zonas rural e urbana Vanessa Marques Gibran Faco L gia Ebner Melchiori SciELO Books / SciELO Livros / SciELO Libros valle , TGM., org. Aprendizagem e desenvolvimento humano: avalia es e interven es [online]. S o Paulo: Cultura Acad mica, 2009. 222 p. ISBN 978-85-98605-99-9. Available from SciELO . Books < >. All the contents of this work, except where otherwise noted, is licensed under a Creative Commons Attribution-Non Commercial-ShareAlike Unported. Todo o conte do deste trabalho, exceto quando houver ressalva, publicado sob a licen a Creative Commons Atribui o - Uso N o Comercial - Partilha nos Mesmos Termos N o adaptada. Todo el contenido de esta obra, excepto donde se indique lo contrario, est bajo licencia de la licencia Creative Commons Reconocimento-NoComercial-CompartirIgual Unported.

2 6. Conceito DE FAM LIA: ADOLESCENTES DE. ZONAS RURAL E URBANA1. Vanessa Marques Gibran Faco L gia Ebner Melchiori Introdu o Este estudo faz parte da linha de pesquisa Desenvolvimento: Comporta- mento e Sa de, uma vez que se prop s a investigar e descrever como adoles- centes conceituam fam lias. Estudar fam lia em um contexto t o extenso e diversificado como o Brasil um desafio que precisa ser enfrentado, e isso vem sendo apontado por v rios estudiosos (S mara, 1992; Cernevy &. Berthoud, 1997; Biasoli-Alves, 2000; Torres & Dessen, 2006). O interesse em estudar adolescentes brasileiros ocorre porque o Conceito de fam lia que eles est o construindo influenciar suas escolhas futuras, de- limitando a nova realidade da fam lia brasileira, uma vez que ser o os prota- gonistas dos arranjos familiares de amanh.

3 A op o de estudar adolescentes oriundos de fam lias rurais e urbanas vem de encontro necessidade de procurar compreender, de forma mais ampla, como uma parcela dos jovens de hoje, de diferentes realidades culturais, geo- gr ficas, sociais e econ micas, percebe e conceitua os arranjos familiares. A fam lia representa o espa o de socializa o, de busca coletiva de estra- t gias de sobreviv ncia, local para o exerc cio da cidadania, possibilidade para o desenvolvimento individual e grupal de seus membros, independen- temente dos arranjos apresentados ou das novas estruturas que v m se for- mando. Sua din mica pr pria, afetada tanto pelo desenvolvimento de seu 1 Este trabalho parte da disserta o da primeira autora, sob orienta o da segunda autora. 122 T NIA GRACY MARTINS DO valle (ORG.)

4 Ciclo vital, como pelas pol ticas econ micas e sociais (Carter & McGoldrick, 1995; Ferrari & Kaloustian, 2004). Ela um dos principais contextos de so- cializa o dos indiv duos e, portanto, possui um papel fundamental para a compreens o do desenvolvimento humano, que por sua vez um processo em constante transforma o, sendo multideterminado por fatores do pr - prio indiv duo e por aspectos mais amplos do contexto social no qual est o inseridos (Dessen & Braz, 2005). Segundo Minuchin (1985, 1988), a fam lia um complexo sistema de organiza o, com cren as, valores e pr ticas desenvolvidas ligadas direta- mente s transforma es da sociedade, em busca da melhor adapta o pos- s vel para a sobreviv ncia de seus membros e da institui o como um todo. O sistema familiar muda medida que a sociedade muda, e todos os seus membros podem ser afetados por press es interna e externa, fazendo que ela se modifique com a finalidade de assegurar a continuidade e o crescimento psicossocial de seus membros.

5 Com as mudan as econ micas, pol ticas, sociais e culturais ocorridas ao longo dos tempos, a sociedade est sendo obrigada a reorganizar regras b si- cas para amparar a nova ordem familiar. No c digo de 1916, fam lia leg ti- ma era definida apenas pelo casamento oficial. Em janeiro de 2003, come- ou a vigorar o Novo C digo Civil, que incorporou uma s rie de novidades, sendo que a defini o de fam lia passou a abranger as unidades formadas por casamento, uni o est vel ou comunidade de qualquer genitor e descen- dentes. O casamento passou a ser comunh o plena de vida, com base na igualdade de direitos e deveres dos c njuges (Cahalil, 2003, ); os fi- lhos adotados ou concebidos fora do casamento passaram a ter direitos id n- ticos aos dos nascidos dentro do matrim nio; a palavra pessoa substituiu homem e o p trio poder que o pai exercia sobre os filhos passou a ser poder familiar e atribu do tamb m m e.

6 A Lei do Div rcio, de 1977, atribu a a guarda dos filhos ao c njuge que n o tivesse provocado a separa- o ou, n o havendo acordo, m e. Hoje, concedida a quem revelar me- lhores condi es para exerc -la (Cahalil, 2003, ). O IBGE (IBGE, 2003, per odo de 1992 a 2001) a principal fonte de pesquisa para se ter um panorama geral das fam lias no Pa s, explicitando a situa o domiciliar e tipo de composi o das fam lias rurais e urbanas. O. arranjo familiar nuclear o que possui maior percentual, embora ocorra mais em fam lias da rea rural (57%) do que da urbana (48%). Um tipo de APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO HUMANO 123. arranjo familiar que vem crescendo na cidade (13%) a de fam lias onde h . a m e e os filhos, ocorrendo em cerca de 7,5% na zona rural. Quando h . outros parentes morando junto, essa diferen a praticamente se mant m (3,5% e 1,8%, respectivamente).

7 Outros dados do IBGE (2003) apontam a nova mudan a, plasticidade e adapta o das fam lias. Os casais com filhos diminu ram de cerca de 59%. para 53%; mulheres sem c njuge com filhos aumentaram de 15% para 18%;. casais sem filhos apresentaram um crescimento de 13% para 14%; pessoas morando sozinhas tamb m aumentaram de 7% para 9%; outros tipos de fa- m lias sofreram um aumento de 5% para 6%. Por outro lado, h tipos de arranjo familiar que v m crescendo ao longo dos anos, e alguns deles ainda n o foram detectados pelo censo do IBGE, como, por exemplo, o das fam - lias reconstitu das. Segundo os dados dispon veis (IBGE, 2003), em 2001 o n mero de casa- mentos foi de , enquanto o n mero de separa es judiciais e div r- cios encerrados em 1a inst ncia elevou-se para , envolvendo filhos e filhas.

8 Dessa forma, fica evidente que tanto crian as como adoles- centes t m necessidade de adaptar aos novos arranjos familiares que se for- mam em consequ ncia do n mero elevado de separa es. Ramires (2004). relata que quando os pais se separam, as crian as e/ou os adolescentes en- frentam uma crise que possui m ltiplas implica es: mudan as nas rela es ntimas, tanto em n vel da fam lia de origem como da fam lia extensa, e mudan as na rede social e na infraestrutura de vida de todos os envolvidos. Com base na amplitude das modifica es sociais, econ micas, pol ticas e culturais, Petzold (1996) prop e um Conceito de fam lia definida como um grupo social especial, caracterizado por intimidade e por rela es intergera- cionais ( ), Conceito que consegue explorar in meras vari veis.

9 Esse autor apresenta a defini o ecopsicol gica da fam lia, baseada no modelo bioecol gico de Bronfenbrenner (1994, 1999), em que o indiv duo com- preendido dentro de um processo de inter-rela es constantes e bidirecionais com v rios sistemas, incluindo a fam lia. Nessa defini o, Petzold (1996). destaca quatro sistemas: macrossistema, exossistema, mesossistema e microssistema, compostos de catorze vari veis como: casais casados ou n o;. partilha ou separa o de bens; morar juntos ou separados; depend ncia ou independ ncia financeira; com ou sem crian as; filhos biol gicos ou adoti- vos; genitores morando juntos ou separados; rela o heterossexual ou ho- 124 T NIA GRACY MARTINS DO valle (ORG.). mossexual; cultura igual ou diferente; entre outras vari veis que, combina- das, oferecem 196 tipos diferentes de fam lia.

10 Isto significa que o modelo nuclear de fam lia composto por pai, m e e seus filhos biol gicos n o sufi- ciente para a compreens o da nova realidade familiar que incorpora, tam- b m, outras pessoas ligadas pela afinidade e pela rede de rela es. Hodkin et al. (1996) tamb m acreditam que para definir o que fam lia, necess rio estudar o que as pessoas pensam a esse respeito, pois os limites da fam lia s o definidos pelos la os de afetividade e intimidade e n o so- mente pelo parentesco por consanguinidade e pelo sistema legal que rege as rela es familiares. A concep o subjetiva que as pessoas t m de seus pr - prios arranjos familiares uma defini o individual, baseada nos sentimen- tos, cren as e valores de cada um e permite teorizar e aprender os eventos da vida cotidiana a partir das informa es que circulam atrav s dela (Crepaldi, 1998).


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