Transcription of Erasmus em Praga - gri.ipt.pt
1 1 Erasmus em Praga A minha liga o experi ncia Erasmus principiou curiosamente na Finl ndia, pa s onde vivi anteriormente. Na cidade onde residia, Tampere, tinha um grupo de amigos que viajavam para Praga e estabeleciam interc mbios ao n vel de ensino com a FAMU. Ouvi maravilhas e inclusive recebi convites para l me deslocar, facto que n o me foi poss vel aproveitar nessa poca. Mais tarde e ap s a minha entrada no curso de Fotografia da Escola Superior de Tecnologia de Tomar, voltaram-me memoria esses tempos passados quando comecei a pensar na possibilidade de, eu pr prio, concluir o meu curso com uma experi ncia Erasmus , o que seria a cereja em cima do bolo.
2 Ap s alguma pesquisa conclui que os locais mais apetec veis e de acordo com a minha forma o seriam Londres, Barcelona, Hels nquia ou Praga . Os primeiros dois tinham mais desvantagens que vantagens: o facto de serem sociedades t o pr ximas de n s retirava o factor mist rio para al m da bvia componente econ mica t o distante da realidade lusa. Hels nquia oferecia-me muitas vantagens: conhecimento da l ngua e da mentalidade, excelente ensino, f cil mobilidade por j conhecer os cantos casa, amigos e conhecidos. Por m, o factor clima acabou por me fazer pensar que desejava algo de novo.
3 N o desejava novamente temperaturas abaixo dos 25 graus C lsius, regressar ao inferno gelado. Deste modo, Praga surgiu como o destino mais natural: boas refer ncias ao ensino e cidade, factor econ mico, clima n o t o agressivo (o que n o bem assim) e obviamente o factor surpresa de ir para um s tio desconhecido at data, o que me possibilitaria conhecer outro sistema de ensino distinto do meu, bem com uma nova realidade cultural. Deste modo o protocolo foi estabelecido, o apoio dado por parte do GRI e as equival ncias criadas pelos meus professores, bastava apenas comprar um bilhete de avi o e partir.
4 A Europa de hoje aniquilou as fronteiras dentro de si pr pria, estabeleceu la os entre si como nunca antes vistos, abriu portas mobilidade com a aboli o de visas ou passaportes, apoiou o conhecimento sobre si mesma e aos seus cidad os com m ltiplos incentivos entre os quais se insere o programa Erasmus . Este, proporciona massa estudantil do Ensino Superior o incentivo de sair fora da sua ilha cultural de que cada 2 na o f rtil, de conhecer novas formas de pensar e de fazer, de novas l nguas e ideias, de paisagens e cidades, diria mesmo de aromas e sabores.
5 Praga foi por mim o destino eleito devido a raz es relacionadas com a excel ncia do seu ensino dentro da minha rea, a Fotografia, e ao facto de ser um dos novos pa ses do contexto da Uni o Europeia, a denominada Nova Europa , o que me despertava curiosidade e motiva o para embarcar neste projecto. E com efeito as expectativas n o sa ram defraudadas. A FAMU, a universidade com que o protocolo foi estabelecido, na sua origem uma escola de filme e televis o, fundada no p s II Guerra Mundial no ano de 1946. uma das mais antigas escolas de cinema de toda a Europa e do mundo.
6 O seu curso de fotografia principiou nos anos 70, o que incute nesta escola grande qualidade aliada tradi o, que mais poderia eu desejar? Em conjuga o com o esp rito progressista e de r pido desenvolvimento social que se vive na Praga de hoje, assiste-se ao renascimento de uma din mica cultural de uma cidade que j foi a mais desenvolvida da Europa Central, onde se instalou a primeira universidade (Universidade Charles), terra de grandes monarcas, escritores, alquimistas e das ci ncias do oculto. minha chegada no m s de Fevereiro coincidia um clima frio e austero facilmente aniquilado pelo elemento surpresa de quem chega a um local pela primeira vez.
7 Dirigi-me ao s tio onde iria residir nos pr ximos 4 meses, a resid ncia da FAMU (filme, TV e fotografia), da DAMU (teatro) e da HAMU (m sica), situada bem no centro de Praga e acabada de ser remodelada, sorte de principiante eu diria. Tudo tinha sido previamente arranjado com a ajuda da minha coordenadora da Rep blica Checa, ao que bastou chegar, dar o nome e ter imediatamente a chave na m o, que no caso seria um cart o electr nico. Nunca antes tinha vivido em resid ncia, questionava-me se seria positivo ou n o. Ao entrar deparo-me com o meu colega de quarto, Baris vindo de Istambul que gentilmente me acolheu acompanhando-me na minha primeira excurs o pela cidade.
8 Em dois dias principiei as aulas, ou melhor, comecei a frequent -las, uma vez que tinha cerca de 30 disciplinas escolha das quais seleccionei aproximadamente 10, por quest es de hor rios e conte dos program ticos adequados aos meus pr prios interesses. Nos corredores e para al m dos inevit veis checos e eslovacos, havia russos, coreanos, b lgaros, norte-americanos, argentinos, etc, etc. As primeiras semanas foram de descoberta, conhecer pessoas e lugares, ajustar o ritmo de vida a uma nova realidade, ir ao supermercado e ficar a olhar para os r tulos sem conseguir entender fosse o que fosse para al m das coisas mais b sicas e 3 elementares.
9 Ir ao restaurante e tentar entender o menu sem saber o que escolher. Diversas vezes, acabou por ser fechando os olhos e apontando o dedo, sem grandes escolhas erradas, afortunadamente. Na FAMU, ia gradualmente esclarecendo as minhas ideias em rela o aos objectivos a tomar e as disciplinas iam sendo escolhidas, todas relacionadas com fotografia, cinema e document rio. Estes dois ltimos totalmente inacess veis na Escola donde vinha. O ensino era todo ele feito em ingl s, sem o dom nio da l ngua tudo teria sido muito mais dificultado, do entendimento das mat rias dadas ao realizar dos trabalhos te ricos e claro, na rela o com as pessoas, caso para dizer, falar poder.
10 Gradualmente a rotina foi se estabelecendo com h bitos do dia-a-dia que nos ajudam a sentir que estamos mais em casa. Como o meio onde estava inserido era totalmente internacional e acad mico foi simplesmente f cil travar rela es com outras pessoas geralmente nos bares e catacumbas de que Praga frut fera. medida que o tempo passa o conhecimento aprofunda-se, os elos estreitam-se e a amizade come a a surgir. Com efeito, decorrido cerca de um m s da minha estadia em Praga j era dif cil jantar sozinho, frequentemente era convidado por colegas ou sa amos juntos para tomar algo num qualquer restaurante adequado s nossas bolsas.