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O AMAZONAS - UFRJ

O AMAZONAS sua hist ria (ensaio antropogeogr fico e polUlco) '( \ * 1957 Obf'a executada nai oflcincu da Slo Paulo Editora S/ A, -Slo Paulo, Bruil BIBLIOTECA PEDAG GICA BRASILEIRA S BIE 5. * B R A S 1 L 1 A N A * VoL. 292 ANISIO JOBIM (Ex-Senador Federal pelo Estado do Amazonu, no perlodo 4 1951/55; Membro da Academia Carioca de Letras; Ml!mbro da Academia Amazonense de Letras; S cio correspondente da Socie-dade Brasileira de Geografia; Membro do Inatituto Geogr fico Hist rico do Amu:onu) O AMAZONAS f ' sua hist ria (ensaio antropogeogr fico e polftico) e O-' ILI C ._a:: Ot-:;z a:t UJ -IO m UNIVERSiO,\Oc 00 BR.~SIL SE O REGISTRO COMPANHIA EDITORA NACIONAL S O PAULO DO AUTOR Panoramas Amaz nicos -Coarl. Imprensa P blica, ~anaus, 1933, Manacapuru. Separata do volume II da "Revista do Instituto Geogr fico e Hist rico do AMAZONAS ". Tip. F nix, Manaus, 1933. Panoramas Amaz nicos -Codaf $. Tip. F nix, Ma-naus, 1934. A Intelect1J11lidade no Ertremo Norte (Contribui o para a hist ria da literatura no AMAZONAS ).)

encerra a hist6ria pormenorizada do Estado do Amazo­ nas, desde o seu descobrimento, idos coloniais e a fase constitucional moderna. E; antes de tudo um resumo feito com cuidado e esfôrço, em que o autor consumiu anos a fio, no consultar documentos, anotar fatos, arti­

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1 O AMAZONAS sua hist ria (ensaio antropogeogr fico e polUlco) '( \ * 1957 Obf'a executada nai oflcincu da Slo Paulo Editora S/ A, -Slo Paulo, Bruil BIBLIOTECA PEDAG GICA BRASILEIRA S BIE 5. * B R A S 1 L 1 A N A * VoL. 292 ANISIO JOBIM (Ex-Senador Federal pelo Estado do Amazonu, no perlodo 4 1951/55; Membro da Academia Carioca de Letras; Ml!mbro da Academia Amazonense de Letras; S cio correspondente da Socie-dade Brasileira de Geografia; Membro do Inatituto Geogr fico Hist rico do Amu:onu) O AMAZONAS f ' sua hist ria (ensaio antropogeogr fico e polftico) e O-' ILI C ._a:: Ot-:;z a:t UJ -IO m UNIVERSiO,\Oc 00 BR.~SIL SE O REGISTRO COMPANHIA EDITORA NACIONAL S O PAULO DO AUTOR Panoramas Amaz nicos -Coarl. Imprensa P blica, ~anaus, 1933, Manacapuru. Separata do volume II da "Revista do Instituto Geogr fico e Hist rico do AMAZONAS ". Tip. F nix, Manaus, 1933. Panoramas Amaz nicos -Codaf $. Tip. F nix, Ma-naus, 1934. A Intelect1J11lidade no Ertremo Norte (Contribui o para a hist ria da literatura no AMAZONAS ).)

2 Livra ria Cl ssica. Manaus, 1934. Panoramas Amaz6nicos -Tef . Tip. F nix, Manaus, 1937. Panoramas Amaz nicos -Moura. Tip. F nix, Manaus, 1938. Panoramas Amaz nicos -Slfo Paulo de OUven a. lm prensa P blica, Manaus, 1940. Panoramas Amaz nicos -Benjamim Constant. Depar-tamento Estadual de Imprensa e Propaganda, Ma-haus, 1943. Urucurltuba. Arquivos. "Revista da Associa o Co-mercial do AMAZONAS ". Ano 1. Junho de 1947. Urucar . "Revista do Instituto Geogr fico e Hist rico do AMAZONAS ". Ano VII. Vol. VII. -1947. Itacoatiara (Estudo social, politico, geogr fico e des-critivo). Manaus, 1948. Monografia Geogr fica do Estado do AMAZONAS . Fisio-grafia. Manaus, 1949. Aspectos S6cio-geogr fico., do AMAZONAS . S rgio Car-doso & Cia. Manaus, 1950. 1 NDICE P G. Pr logo .. 7 A Aventura de Orellana. Descobrimento do rio Ama-zonas .. Expedi o de Ursua .. , .. , .. 11 17 Funda o da cidade de Bel m. Expuls o de estran-geiros do golf o amaz nico.

3 23 Pedro Teixeira .. 27 Outras expedi es .. , .. Bandeiras. Tropas de resgates. Descirnentos .. O Mission rio .. Mission rios a servi o de Espanha .. O Tratado de Madr .. Cria o da Capitania de S o Jos do Rio Negro .. Governadores coloniais .. , .. , .. \ .. Estado geral da Capitania .. Fortifica es. Inspe o de fronteiras .. Rebeli es .. , .. , .. Independ ncia do Brasil. Repercuss o no rio Negro . A Cabanagem .. A Prov ncia .. , .. , .. Funda o da Prov ncia .. Presidentes da Prov ncia. Explora es .. Regime Republicano .. _ .. Movimento revolucion rio de 23 de julho de 1924 . A Revolu o de 3 de outubro de 1930 . , , .. , , .. Demarca es subseq entes .. , .. Limites do AMAZONAS com os Estados do Par e Mato 34 41 54 62 69 82 93 108 118 130 139 154 165 173 183 194 209 215 226 Grosso .. 241 Viajantes e Exploradores .. 247 Amazone~es ilustres .. 284 Pr logo O presente volume O AmazonM, sua hist6ria ( En-saio antropogeogr fico e pol tico), conv m ser dito, n o encerra a hist6ria pormenorizada do Estado do Amazo-nas, desde o seu descobrimento, idos coloniais e a fase constitucional moderna.

4 E; antes de tudo um resumo feito com cuidado e esf r o, em que o autor consumiu anos a fio, no consultar documentos, anotar fatos, arti-cul -los e levantar a evolu o social e pol tica do Estado. N o sem raz o que se pode afirmar que no Ama-zonas escasseiam por os subs dios. N o os pos-suem os arquivos. E para c mulo, um inc~ndio voraz, na madrugada de 22 de ag sto de 1945, destruiu a rica Biblioteca P blica, onde faziam c~rca de 45 mil volu-mes e um precioso arquivo que, segundo se diz, mofava no por o. Os livros dos grandes pensadores que visitaram a Amaz nia e descreveram as gra as infinitas de sua natureza trepidante e magn fica, em que se alinham impress es da terra, de seus aspectos, de sua pujan a e grandeza, de aua gente, s6 agora v~m aparecendo em tradu es que escritores nossos bem intencionados le-8 An sio Jobim varam a Mrmo, e empr~sas ediMras, movldas pelo mes-mo sentido educativo e patrl6tico, divulgaram. Do que f se havia publicado em portugu~s, o tra-balho mais minucioso e interessante, que se conhece, ~.

5 Sem d vida, o do Dr. Alexandre Ferreira, Viagem Filo-s6fica pela Capitania de S o Jos do Rio Negro, magistral inqu rito escrito no s culo XVIII por aqutle naturalista fil6sofo; excelentes informes nos oferecem os antigos astr~nomos que serviram nas Partidas de Demarca o; os roteiros de viagens e os ensaios que nos legaram o Francisco Jos Ribeiro de Sam-paio, o Padre Dr. Jos Mcnteiro de Noronha, Ladis'lau Baena e o C~nego Francisco Bernardino de Sousa. H , ainda, uma obr : Anais Hist6ricoa do Maranh o, de Berredo, mas ~ste trabalho em dois volumes, compacto, ramalhudo, pesado, s6 mesmo o curioso dos fastos da. Amaz nia capaz de consultar. Dos modernos, Apr gio de Meneses deu-nos uma sucinta not cia dos acontecimentos que se desenro'la-ram na p'lan cie; Bertino Miranda, um grande histo~ dor, tra ou pressa o Mcabou o de uma hist6ria de Manaus, e o professor Artur C. Ferreira , que prestou o grande servi o de dotar as letras nacionais com a sua equilibrada e brilhante Hist6ria do nas, publica o de incontest vel valor pela probidade e riqueza de informa es.

6 Depois desta obra o his-tori6grafo continuou a oos dar preciosas monografias s,jbre assuntos que interessam de perto nossa for-ma o. O AMAZONAS , sua hist ria 9 Tra ando as linhas que seguem, o autor, que n o tem a fr .oola vaidade de esgotar a mat ria, 'Pf' ocupar-se. ainda que sum riamente, da fisiografia, da antropogeografia, do ecumeno ~ da dram tica hist ria do meio geogr fico e do homem, que rompeu pelo cam -nho do vale e das correntes, vencendo os obst culos e mp"lantando uma civiliza o que faz certamente 'Pf'OOO de que a vida no Equador n o , como diziam os anU-gos, 'Pf'ec ria e incompat vel com os destinos do desen-volvimento f sico, moral e mental do habitante dessas mal8inadas regi es. Todos sabem, como 14 advertia Os rio Duque Estrada, (Hist ria do BraBil) que o rio AMAZONAS , "cor-rente transversal, com a disposi llo longitudinal dos seus afluentes, ao mesmo tempo que caminho internacional, est fadado a ser o supremo regulador dos destinos do Pa s''.

7 A Aventura de Orellana. Descobrimento do Rio AMAZONAS O mundo amaz nico ia revelar-se civiliza o pelo feito de um dos mais intr pidos soldados de Francisco Pizarro, na trag dia da conquista do Peru -Francisco de Orellana. Pelo Natal de 1539 organizava-se em Quito, ou por melhor dizer, completava-se em Quito, a organiza o de uma grande mon o, imaginada por Francisco Pizar-ro e executada por seu irm o Gon alo Pizarro, Gover-nador de Charcas, que devia descobrir o Pa s da Canela, e sondar e explorar as riquezas, que se presumiam exis-tir al m das Cordilheiras, na dire o leste e sul. O projeto, delineado e amadurecido pelos conquis-tadores dos Incas, n o tardou a fazer-se realidade, tomar 'corpo e atender aos seus objetivos. Naquele ano a caravana passante de quatro mil homens, com um corpo de trezentos e quarenta solda-dos, cento e cinq enta d les montados, com uma volu-mosa carga de material b lico e equipamento de b ca, conduzida s costas pelos ndios e pela quantidade de lhamas empregad:ts nesse mister, al m da reserva de in meros porcos, ovelhas e c es de ca a, moveu-se no rumo do deserto.

8 A travessia de Cuzco a Quito, representada por quinhentas l guas, havia custado imenso esf r o aos 12 An sio Jobim expedicion rios, que agora tinham diante de si, desa-fiando as suas energias, um espa o enorme a percorrer, serranias e planaltos, escarpas, rios e florestas at atin-girem o sonhado pa s, onde existia a canela. O chefe da expedi o, que, fora dos recursos ofi-ciais, gastara muito do seu, de sua fazenda, com o apa-relhamento de t o avultada coluna, escolhera escrupu-losamente os seus oficiais, entre os se distinguia pela confian a adquirida o capit o Francisco de Orel-Iana. O pesado movimento da troya, as dificuldades sobrevindas no teatro das opera oes, o cansa o e o esgotamento de muitos, o tributo pago s doen as em jornada t o longa, merc das intemp ries, foram se acentuando medida que se distanciavam do Peru e se internavam no solo desconhecido e agreste. Na Prov ncia dos Quixos saiu ao encontro da coluna em marcha um ex rcito de tapuias que causou brecha nas fileiras expedicion rias, por m tiveram de recuar perante as armas dos espanh is, e principalmente por-que, n o conhecendo o cavalo, os soldados montados lhes despertaram natural terror, desaparecendo nos matos.

9 Um incidente calamitoso veio afligir ainda mais a entrada. Ap s muitos dias de caminhada tremell' hor-rivelmente a terra, e desencadeou-se tremenda tempes-tade. O solo aberto em fendas aqui e ali, tragava as casas dos ndios. Os preju zos cresciam e maior ainda foi o des nimo ao galgarem a montanha andina, onde o frio apertava, e para se resguardarem d le tiverarh os soldados que se desfazer e suas cargas, alijando-as no caminho, abandonando o gado e aligeirando o mais poss vel o sacrif cio da escalada. Muitos homens da expedi o morreram gelados, O AMAZONAS , sua hist6ria 13 A fo~e j se fazia sentir, mas a esperan a de adqui rir v veres e de encontrar um ambiente onde pudessem recuperar as f r as perdidas servia de incentivo que-les milhares de indiv1duos depauperados, que obedeciam s ordens do general, t o prudente quanto experimen-tado nessas fadigas. Ao atingirem a regi o de Zimaco n o foi menor a calamidade. Chuvas torrenciais desabavam e com as chuvas apodreceram as roupas dos que andavam pro-cura de alimentos com que enganar o est mago, durante o tempo em que ali se detiveram, -dois meses.

10 Esta era a esejada regi o da canela, cujas rvores se espa-lhavam isoladas pelas selvas. Dominado pelas id ias de cqnquista, deixou em Zimaco parte de sua gente, que devia seguir mais tarde o mesmo roteiro do chefe da expedi o. Com a outra parte de seu ex rcito achou-se Gon alo Pizarro no Coca, onde os naturais lhe prestaram de certo modo algum aux lio. Nova demora o reteve nesses nvios ser-t es, sabendo por infonna es dos nativos que os cami-nhos continuavam speros e dif ceis. N o mediu esfor os o valoroso oficial, e prosseguiu na sua avan ada por muitas l guas, beirando o rio, at que se disp e a construir uma ponte s bre que conse-guiu atravess -lo, apesar da opo~i o que lhe moveram os selvagens. Da outra banda a topografia do solo n o era menos tormentosa. Rochedos, penedias, grotas, matas, serras, desfiladeiros, tudo isto exigia um grande sacrif cio da-quela gente mal alimentada e endormida. Escassos os alimentos, entraram a comer ra zes e ervas apanhadas a smo naquelas solid es.


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