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Suplementação - SPSP

ISSN 2448-4466 Boletim da Sociedade de Pediatria de S o PauloAno 4 | no 5 Set/Out 2019 Suplementa o de ferro: quando e como? A ferropenia a defici ncia nutricional mais comum na inf ncia em todo o mundo, tanto em pa ses pobres quanto ricos P gina 6 Vitamina D: quando fazer a dosagem e tratar? A vitamina D considerada um pr -horm nio e apresenta um papel crucial na homeostase do c lcio e, consequentemente, na sa de ssea P gina ode nutrientesP gina 4As crian as representam um grupo de grande vulnerabilidade para defici ncias de macro e ES PEDI TRICASN ovas publica es da s rie em parceria com a Editora AtheneuCONFIRA NO PORTAL DA ou n o suplementar: eis a quest um tema amplamente discutido em nossa especialidade e ainda sem res-postas crian as com doen as cr nicas, que muitas vezes cursam com subnutri o, a suplementa o tem crit rios bem mais claros. Entretanto, em crian as saud -veis a quest o complexa, pois em teoria se ela recebe dieta adequada, n o necessita de suplementa o.

para lactentes de 0-12 meses e 600UI para os maiores de 1 ano. Entretanto, a Academia Americana de Pediatria vem discutindo ultimamente a individualização das doses.2-3 Recomenda-se a prescrição isolada de vitamina D para podermos titular a dose; em regiões de comprovada de-ficiência de vitamina A se recomenda o Programa de Su-

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1 ISSN 2448-4466 Boletim da Sociedade de Pediatria de S o PauloAno 4 | no 5 Set/Out 2019 Suplementa o de ferro: quando e como? A ferropenia a defici ncia nutricional mais comum na inf ncia em todo o mundo, tanto em pa ses pobres quanto ricos P gina 6 Vitamina D: quando fazer a dosagem e tratar? A vitamina D considerada um pr -horm nio e apresenta um papel crucial na homeostase do c lcio e, consequentemente, na sa de ssea P gina ode nutrientesP gina 4As crian as representam um grupo de grande vulnerabilidade para defici ncias de macro e ES PEDI TRICASN ovas publica es da s rie em parceria com a Editora AtheneuCONFIRA NO PORTAL DA ou n o suplementar: eis a quest um tema amplamente discutido em nossa especialidade e ainda sem res-postas crian as com doen as cr nicas, que muitas vezes cursam com subnutri o, a suplementa o tem crit rios bem mais claros. Entretanto, em crian as saud -veis a quest o complexa, pois em teoria se ela recebe dieta adequada, n o necessita de suplementa o.

2 Isso n o uma verdade absoluta, na depend ncia do tipo de dieta, local onde vive e de suas atividades. Por exemplo, lactentes em aleita-mento materno exclusivo: a qualidade desse leite sofre grande influ ncia da dieta n mero do boletim Pediatra Atualize-se temos tr s textos bastante interes-santes: O primeiro, elaborado pelo Departamento de Pediatria Ambulatorial e Cuida-dos Prim rios, aborda a vis o geral da suplementa o infantil, falando sobre ferro, zinco, vitamina D e DHA ( cido docosaexaenoico); O segundo trata da suplementa o de ferro de acordo com a vis o do especia-lista e foi escrito pelo Departamento de Hematologia e Hemoterapia; O terceiro, do Departamento de Endocrinologia, discorre sobre a suplementa- o de vitamina D, tamb m segundo a vis o do que voc s gostar o de saber a opini o leitura!M rio C cero Falc oEditor da Diretoria de Publica esSalvi CruzISSN 2448-4466 Fale conoscoDiretoria da Sociedade de Pediatria de S o PauloTri nio 2019-2022 Diretoria ExecutivaPresidenteSulim Abramovici1o Vice-presidenteRenata Dejtiar Waksman2o Vice-presidenteClaudio BarsantiSecret ria-geralMaria Fernanda B.

3 De Almeida1o Secret rioAna Cristina Ribeiro Zollner2o Secret rioLilian dos Santos Rodrigues Sadeck1o TesoureiroM rio Roberto Hirschheimer2o TesoureiroPaulo Tadeu FalangheDiretoria de Publica esDiretoraCl a R. LeoneCoordenadores do Pediatra Atualize-seAntonio Carlos PastorinoM rio C cero Falc o Departamentos colaboradores:EndocrinologiaHematologia e HemoterapiaPediatria Ambulatorial e Cuidados Prim riosInforma es T cnicasProdu o editorialSociedade de Pediatria de S o PauloJornalista respons velPaloma Ferraz (MTB 46219)Revis oRafael FrancoProjeto gr fico e diagrama oLucia FontesFoto de capa: : bimestralVers o eletr nica: comercialKarina Aparecida Ribeiro Dias Ferreira: produ oPaloma Ferraz: nas redes sociais: @SociedadeSPSPS uplementa o nutricionalSuplementa o de ferro: quando e como?por Ana Claudia Carramaschi Villela Soares e Miriam V. Flor Park4 Suplementa o de nutrientespor Tadeu Fernando Fernandes 6 Vitamina D: quando fazer a dosagem e tratar?

4 Por Alcinda A. Nigri, Andr a C. Silva, Arlene Tardelli, Cyntia Watanabe e Daniela Oliveira Henriques8 Pediatra Atualize-se | Ano 4 n 54As crian as representam um grupo de grande vulnera-bilidade para defici ncias de macro e micronutrientes, em consequ ncia do r pido crescimento e desenvolvimento, principalmente nos primeiros mil dias de vida, que in-cluem o per odo da gesta o e os dois primeiros pico do desenvolvimento cerebral acontece a partir do terceiro trimestre de gesta o at os dois anos de vida. No primeiro ano, o c rebro ganha de 350-700 gramas, o que representa 25-50% do peso adulto. No segundo ano, o ga-nho est entre 700-950 gramas 50-68% do peso crescimento cerebral se faz s custas de uma intensa neurog nese, acompanhada de dois processos chaves no neurodesenvolvimento: a mieliniza o e a sinaptog nese, com uma m dia de 700 sinapses por per odo cr tico do neurodesenvolvimento depen-dente da oferta de nutrientes espec ficos, cuja defici ncia pode afetar a habilidade cognitiva e aumentar o risco para a ocorr ncia de doen as cr nico-degenerativas em longo prazo, a chamada programa o metab ,2 Interven es nesse per odo s o fundamentais para garantir a oferta nu-tricional ideal para uma vida saud vel e ,3 Leite materno: a base da vida saud vel consenso mundial que o aleitamento materno uma forma inigual vel de prover nutri o ideal para o cresci-mento e desenvolvimento.

5 Essa a recomenda o da Or-ganiza o Mundial da Sa de (OMS) e da Sociedade Brasi-leira de Pediatria (SBP): da sala de parto aos dois anos de vida (ou mais), exclusivo nos primeiros seis meses; ap s, se inicia a alimenta o o vitam nico-mineralTradicionalmente as vitaminas A e D e os minerais iodo, zinco e ferro est o associados s maiores defici ncias, consideradas de elevado impacto social e priorizadas pela Organiza o Mundial da Sa de (OMS) em todo o mundo. Entretanto, recentemente, passou a ter destaque, em n vel de sa de p blica mundial, a defici ncia de um vital ma-cronutriente para o neurodesenvolvimento, o DHA ( cido Docosahexaenoico), que ser comentado a ,3 cidos graxos poli-insaturados de cadeia longaOs cidos graxos (AG) s o constituintes estruturais das membranas celulares, al m de cumprirem fun es ener-g ticas e de reservas metab licas. Os AG essenciais -6 e o -3 s o considerados precursores dos cidos graxos poli-in-saturados de cadeia longa: cido Araquid nico (AA), cido Eicosapentaenoico (EPA) e cido Docosahexaenoico (DHA).

6 5O DHA oriundo da s rie -3 considerado o AG mais im-portante no desenvolvimento cerebral e da vis o. Cerca de 50-60% do peso seco do c rebro composto por lip deos, 35% do teor lip dico LC-PUFA (long chain polunsaturated fatty acids), sendo que o DHA responde por 15% de todos cidos graxos do c rtex frontal (respons vel pela elabora o do pensamento, planejamento, programa o de necessidades individuais e emo es).5 Apesar do cido alfa-linol nico ( -3) ser convertido em EPA e DHA no ser humano, n o se sabe ao certo qual por-centagem realmente convertida estima-se que seja bai-xa, da ordem de 5% para o EPA e 0,5% para o DHA. Crian- as, por imaturidade enzim tica, n o conseguem converter todo DHA necess rio ao seu neurodesenvolvimento a partir do cido alfa linol nico, destacando-se a import ncia de fornecer o suporte nutricional medido em DHA (produto final) n o em -3 (produto inicial da cadeia enzim tica).

7 5O I Consenso Brasileiro da Associa o Brasileira de Nutrologia sobre recomenda es de DHA durante a gesta o, lacta o e inf ncia recomenda a suplementa o de 200mg de DHA ao dia para gestantes, lactantes, independente da Crian as n o amamentadas devem receber DHA atrav s de sua fonte l ctea complementar, caso contr rio, suple-mentar o DHA Vitamina D e vitamina AA defici ncia de vitamina D um dos dist rbios nutri-cionais mais frequentes em todo o mundo, estimando-se que 1 bilh o de pessoas sofram de insufici ncia ou defi-ci ncia dessa vitamina. No Brasil, embora a maioria da popula o resida em regi es de adequada exposi o solar, a hipovitaminose D um problema comum em lactentes, crian as e vitamina D est envolvida na regula o de mais de genes, o que sugere que possa ter um papel em mui-tos outros processos fisiol gicos. Estudos epidemiol gi-cos apontam para a es extraesquel ticas da vitamina D, sugerindo que sua defici ncia possa se associar a diabetes melito tipo 1, asma, dermatite at pica, alergia alimentar, doen a inflamat ria intestinal, artrite reumatoide, doen a por Tadeu Fernando Fernandes Suplementa ode nutrientesAno 4 n 5 | Pediatra Atualize-se5oksun70 | , esquizofrenia, depress o e variadas neo-plasias (mama, pr stata, p ncreas, c lon).

8 2-3Os principais consensos nacionais e internacionais s o un nimes em recomendar a triagem para hipovitaminose D apenas para grupos de risco, n o recomendando como exame de dose preventiva universal da vitamina D de 400UI para lactentes de 0-12 meses e 600UI para os maiores de 1 ano. Entretanto, a Academia Americana de Pediatria vem discutindo ultimamente a individualiza o das a prescri o isolada de vitamina D para podermos titular a dose; em regi es de comprovada de-fici ncia de vitamina A se recomenda o Programa de Su-plementa o de vitamina A, do Minist rio da Sa de, com utiliza o da megadose nica para crian as de 6-12 me-ses, dose de , e para crian as de 12-72 meses, , lembrando a rela o local/regional do risco--benef cio: hipertens o intracraniana versus risco de mor-talidade por pneumonia, diarreia e anemia por defici ncia de ferro a mais comum das ca-r ncias nutricionais, com maior preval ncia em crian as, principalmente nos pa ses em desenvolvimento.

9 Aquelas com idade entre 6-24 meses apresentam risco duas vezes maior para desenvolver a doen a do que aquelas entre 25-60 um s rio problema de sa de p blica, a ane-mia pode prejudicar o desenvolvimento mental e psicomo-tor, causar aumento de morbidade e mortalidade materna e infantil, al m da queda no desempenho do indiv duo no trabalho e redu o da resist ncia s infec novas recomenda es da SBP indicam a suplementa- o preventiva para rec m-nascido de termo, de peso ade-quado para a idade gestacional, de 1mg de ferro elemen-tar/kg de peso/dia, a partir do 3o m s (independentemente se em aleitamento materno exclusivo, misto ou somente f rmula infantil) at o 24o m s de ,6A Academia Americana de Pediatria recomenda, aos 12 meses de idade, uma triagem para defici ncia de ferro sem anemia (dosagem de ferritina) e defici ncia de ferro com anemia (hemograma); caso se constate defici ncia, o tra-tamento realizado com 3-5mg de ferro elementar/kg de a o biol gica no crescimento, no desenvolvimento cognitivo, na repara o tissular e replica o celular torna--o um elemento de grande import ncia para o organismo, particularmente para o sistema imunol gico.

10 O segundo elemento-tra o mais abundante no corpo dosagem s rica de zinco n o reflete com seguran a o real estado nutricional com rela o ao mineral. A prova te-rap utica pode ser realizada utilizando-se o zinco na dosa-gem de 1 mg/kg/dia e observando-se a resposta cl nica em 5-10 dias de tratamento da car ncia, utiliza-se a dose de zinco elementar, 1-2mg/kg/dia por via oral e corre o diet tica adequada; na diarreia aguda se prescreve 20mg/dia para crian as acima de seis meses de idade e metade da dose para aquelas abaixo dessa , neste artigo, o b sico. Para maiores infor-ma es recomendamos a leitura do livro do Departamen-to de Pediatria Ambulatorial: Puericultura Passo a Passo (2019), uma parceria da Sociedade de Pediatria de S o Pau-lo com a Editora ncias 1. Zero to three [homepage on the Internet]. Early connections last a lifetime [cited 2019 Jul 10].


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