Transcription of O Exame do Sêmen na Infertilidade Masculina: V- …
1 INTRODU OInfertilidade masculina um dist rbio que afeta um gran-de n mero de indiv duos em todo o mundo e, com fre-q ncia, o laborat rio de an lises cl nicas requisitado porespecialistas, para auxiliar na sua investiga o. O examedo s men (espermograma) o principal Exame solicitadonesta investiga o. Em publica es pr vias sobre o assunto, (2,3,5,6,7,8) esteautor abordou diversos aspectos cl nicos e laboratoriais doespermograma, na investiga o de Infertilidade revisadas as metodologias usadas no Exame , a inter-preta o dos resultados e sua import ncia para o diagn s-tico. No presente trabalho, o objetivo continuar esta abor-dagem, dando nfase ao Exame microbiol gico do s autor faz v rias considera es sobre microrganismos de-tectados no s men, sua rela o com processos infecciosose sua influ ncia na capacidade reprodutiva do homem.
2 Oautor tamb m faz algumas considera es sobre metodolo-gias empregadas nesta an ES PRELIMINARESPara a an lise microbiol gica do s men, tr s fatores s ob sicos para se obter resultados satisfat rios e de valor cl -nico: 1- a sintomatologia do paciente; 2- a presen a de bac-t rias no s men (bacteriospermia); 3- o aumento de leuc -citos no s men (leucocitospermia). Considerando que, napr tica laboratorial, poucos pacientes procuram o laborat -rio com uma sintomatologia bem definida de infec o ge-nital, os processos infecciosos detectados no Exame do s -men, geralmente s o de pacientes que se submetem a umexame de rotina, principalmente, para investiga o de in-fertilidade masculina, ou seja, s o assintom ticos. Nestecaso, o Exame detecta leucocitospermia, que n o , a prin-c pio, indicativa de infec o genital, como se explica adi-ante.
3 Em contraste, muitas vezes o Exame n o apresentabacteriospermia, (cuja pesquisa n o efetuada de rotinana maioria dos laborat rios), o que dificulta o diagn forma, muito dif cil caracterizar uma associa oentre sintomatologia, leucocitospermia e bacteriospermia,quando o paciente faz um espermograma e s o v rios osmotivos, como segue:1. Diversos microrganismos colonizam a uretra masculinaem condi es normais, sem causar infec es. S o conside-rados contaminantes (22,63). 2. s vezes, algumas bact rias residentes na uretra se pro-liferam em quantidade, tornando-se potencialmente pato-g nicas. Neste caso, desenvolvem infec o tempor ria (69).3. Em muitos exames, a bacteriospermia intensa, mas n ose associa com uma sintomatologia definida ou com leuco-citospermia (71).4. Alguns pacientes s o assintom ticos, mas o Exame de-tecta uma leucocitospermia acentuada.
4 Este quadro co-nhecido como infec o silenciosa (64).5. s vezes, o paciente apresenta sintomas, com ou e/ou bacteriospermia. Isso acontece comalguns tipos de prostatites (36).6. Alguns exames apresentam uma elevada prolifera o debact rias anaer bicas, que s o potencialmente patog nicas epodem desenvolver um processo infeccioso (27). Geralmen-te, as infec es causadas por estas bact rias n o s o investi-gadas clinicamente, ou na rotina microbiol gica do s O plasma seminal cont m v rias subst ncias com propri-edades antimicrobianas, que funcionam como uma barrei-ra prolifera o bacteriana (37).8. Tamb m se observa com freq ncia altera es em mar-cadores da pr stata e das ves culas seminais (21). Entretan-to, estas altera es s o desconsideradas clinicamente, em-bora possam ajudar na localiza o do s tio da infec que muitos laborat rios n o pesquisam marca-dores bioqu micos glandulares de rotina, apesar de serem teis para o diagn stico (10).
5 Como se observa, dificilmente se caracteriza uma asso-cia o bem definida entre sintomatologia, leucocitosper-mia e na maioria dos exames, o que mui-tas vezes dificulta o diagn , vol. 40(1): 49-56, 2008O Exame do S men na Infertilidade Masculina: V- Exame Microbiol gicoThe microbiological examination of the s men to evaluate male infertilityFernando Tadeu Andrade-RochaRESUMO- Neste artigo, o autor revisa o papel do Exame microbiol gico do s men para avaliar Infertilidade masculina. S o descri-tos os efeitos negativos de bact rias aer bicas e anaer bicas, micoplasmas, fungos, Trichomonas sp.,Chlamydia trachomatis,Gardne-rella vaginaliseMobiluncus sp. na qualidade do s men. A influ ncia de e bacteriospermia tamb m revisada. Si-multaneamente, tamb m s o feitas algumas considera es sobre metodologias atualmente usadas para investigar estes microrganis-mos no s S men; Infertilidade ; microbiologia; cultura; anaer bios; micoplasmas; Chlamydia trachomatis; leucocitospermia; In this article, the author reviews the role of the microbiological examination of the semen to evaluate male are described negative effects of aerobic and anaerobic bacteria, mycoplasmas, fungi, Trichomonas sp.
6 , Chlamydia trachomatis,Gardnerella vaginalis and Mobiluncus sp. on the semen quality. Influence of , and are also revie-wed. Simultaneously, they are also made some considerations about methodologies currently used to investigate these microorga-nisms on s semen; infertility; microbiology; culture; anaerobes; mycoplasmas; Chlamydia trachomatis; ; em 06/12/2006 Aprovado em 26/12/2007 Laborat rio Dr. Homero Soares Ramos, Unidade de Pesquisa do S men, Petr polis, RJLaborat rio Dr. Ivan Mostaro, Juiz de Fora, MGCONSIDERA ES GERAIS SOBRE MICRORGANISMOSDETECTADOS NO S MENO isolamento de bact rias e outros microrganismos no s -men variam entre 10 e 100% das amostras analisadas, de-pendendo da popula o estudada (61). A preval ncia dasesp cies tamb m vari vel, pois h v rios fatores que afe-tam o isolamento destes microrganismos, como segue: As popula es avaliadas em estudos pr vios foram hete-rog neas (homens f rteis, inf rteis, com uretrite, prostatite,etc.)
7 E os resultados bem variados (46); V rios estudos n o usaram procedimentos, para evitar acontamina o do s men pela flora bacteriana uretral du-rante a colheita, o que aumenta a freq ncia bacteriana daamostra analisada (14); As investiga es reportadas previamente, de um modogeral, n o pesquisaram todos os microrganismos que po-dem ser detectados no s forma, praticamente n o h uma informa o bemdefinida, sobre a preval ncia de microrganismos no s mene seu papel etiol gico em infec es genitais. S o apenasinforma es isoladas, muitas vezes conflitantes e, geral-mente, de pouco valor cl nico. Consultando as informa veis, resume-se, que os seguintes microrganismospodem ser detectados no s men (veja Tabela I):Bact rias aer bicas gram positivasS o as bact rias mais comuns, predominando os cocos grampositivos (Staphylococcus epidermidis, Staphylococcus sa-prophyticus, Staphylococcus aureus eEnterococcus faeca-lis) (71).
8 Em pacientes assintom ticos, a coloniza o destasbact rias ocorre na glande, uretra proximal e uretra distal(22,81,98). O isolamento varia entre 10% e 100% das amos-tras e geralmente ocorre em baixas concentra es (<104unidades formadoras de col nias/ml ufc/ml). Estas carac-ter sticas indicam, que s o bact rias residentes da uretra epodem ser carreadas pelo s men durante a ejacula o. Por-tanto, seu isolamento no l quido seminal n o indicativo deinfec o genital e ocorre com freq ncia em homens assin-tom ticos. Por outro lado, o isolamento em concentra es>104ufc/ml raro e sugestivo de infec o rias aer bicas gram negativasSua freq ncia menor que 10% (46) e raramente s o iso-ladas em homens assintom ticos. Portanto, sua presen ano s men sugestiva de infec o genital. Escherichia coli a bact ria mais comum, mas s o tamb m detectados Pro-teus sp.
9 , Klebsiella sp., Enterobacter raramente aPseudomonas Estas bact rias geralmente afetam a mo-tilidade esperm tica (40).Bact rias anaer bicasA presen a de bact rias anaer bicas no s men conhecidah muito tempo, mas, pouca aten o dada a seu isolamen-to e sua etiologia em infec es genitais. Rotineiramente iso-lam-sePeptococcus sp. ePeptostreptococcus sp., Eubacteri-um sp., Bacteroides sp., Fusobacterium sp. e com menor fre-q nciaCorynebacterium sp.(27,43). Este isolamento ocor-re em indiv duos assintom ticos (98), com uretrite, prostati-te, prostato-vesiculites e balanitis (74). De um modo geral,as bact rias anaer bicas s o habitantes naturais da uretra,mas s o potencialmente patog nicas. Desta forma, em al-gumas circunst ncias desenvolvem um processo infeccioso,geralmente de natureza polimicrobiana. Assim comum oisolamento de diferentes bact rias anaer bicas ( s vezes 5ou mais bact rias) na mesma amostra trato genital feminino bem definida, a associa o des-tas bact rias com infec es ginecol gicas e obst tricas gra-ves, vaginite e vaginose bacteriana (15,53,54).
10 Contrastan-do com seu alto poder infectante, estes microrganismostamb m s o isolados em mulheres normais (54). Al m das esp cies citadas acima, tamb m se isolam de ro-tina no Exame microbiol gico do s men Lactobacillus sp.,Veillonella sp., Propionibacterium sp. Por outro lado, raramente s o isoladas sp., Neisseria sp. (incluindo a Neisseriagonorrhoeae) e algumas bact rias n o convencionais taiscomoRubrivanex sp., Burkholdena sp. eStreptococcuspneumoniae(43). Ressalta-se que, em um estudo anterior(42), observou-se a ader ncia de bact rias anaer bicas emc lulas do epit lio uretral presentes no ejaculado. Destaforma, suspeita-se que o s men pode ser um ve culo detransmiss o destes microrganismos para o trato genital fe-minino, causando a vaginose bacteriana. Tal caracter sticatamb m foi observada por este autor previamente (2).