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3. A DIVERSIDADE NA SALA DE AULA: um desafio …

3. A DIVERSIDADE NA SALA DE AULA: um desafio sempre actual A nossa escola est diferente. Na sala de aula, nos corredores, no p tio do recreio ou no campo de jogos, h crian as, adolescentes e jovens nascidos aqui e outros vindos de outros lugares. E esta diferen a uma riqueza muitas vezes por explorar. Os professores, na sua miss o educativa, sentem por vezes in meras dificuldades em gerir este mosaico multicolor . Integrar estas crian as, abrir-lhes as portas de um futuro melhor, dar a todas um sentido de vida e de oportunidade, n o tarefa f cil. Conseguir que entre todos, mais que simples respeito, haja solidariedade e amizade verdadeira, fazer crescer uma comunidade de amigos, construir actividades em que todos tomem parte, campo maravilhoso para uma educa o que se pretende diversificada e inclusiva.

3. A DIVERSIDADE NA SALA DE AULA: um desafio sempre actual A nossa escola está diferente. Na sala de aula, nos corredores, no pátio do recreio ou no campo de jogos, há crianças, adolescentes e jovens nascidos aqui e

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1 3. A DIVERSIDADE NA SALA DE AULA: um desafio sempre actual A nossa escola est diferente. Na sala de aula, nos corredores, no p tio do recreio ou no campo de jogos, h crian as, adolescentes e jovens nascidos aqui e outros vindos de outros lugares. E esta diferen a uma riqueza muitas vezes por explorar. Os professores, na sua miss o educativa, sentem por vezes in meras dificuldades em gerir este mosaico multicolor . Integrar estas crian as, abrir-lhes as portas de um futuro melhor, dar a todas um sentido de vida e de oportunidade, n o tarefa f cil. Conseguir que entre todos, mais que simples respeito, haja solidariedade e amizade verdadeira, fazer crescer uma comunidade de amigos, construir actividades em que todos tomem parte, campo maravilhoso para uma educa o que se pretende diversificada e inclusiva.

2 S o inevit veis as quest es: Qual a import ncia do desenvolvimento de uma pedagogia diferenciada ? Como incluir todas as crian as numa aprendizagem com sucesso? Qual o papel da crian a? E o do professor? imposs vel ignorar que as salas de aula t m vindo a tornar-se cada vez mais heterogenias. Temos de reconhecer que estas diferentes perten as s o uma fonte de riqueza inesgot vel. A tarefa actual da escola conseguir reconhecer as diferen as, n o s culturais mas tamb m ao n vel dos diferentes ritmos e estilos de aprendizagem, de interesses e de capacidades, na pluralidade dos seus alunos, e encontrar estrat gias de adapta o e desenvolvimento que a todos respeite e a todos inclua.

3 Um desafio que compete a todos n s adoptar no sentido de caminharmos cada vez mais para uma sociedade em que sejam formados indiv duos respons veis, cr ticos, actuantes e solid rios, conscientes dos seus direitos e deveres. Diferenciar: qual o seu significado? Como diferenciar? Com que finalidade? Diz-me e eu esquecerei ensina-me e eu lembrar-me-ei envolve-me e eu aprenderei . Prov rbio chin s Como todos sabemos, h entendimentos muito diferentes acerca de um mesmo conceito, sobretudo quando se trata da sua aplica o pr tica. Mesmo que haja consensos ao n vel te rico, a forma como esses aspectos s o postos em pr tica diverge e acaba por trair, muitas vezes, os princ pios educativos que estiveram na sua g nese.

4 Relativamente no que concerne ao conceito de diferencia o , hoje tanto em moda, tem sido alvo de in meros equ vocos. Importa clarificar o que estamos a dizer quando falamos de diferencia o. Porqu e como diferenciamos o ensino? A quem se dirige a diferencia o? Apenas aos alunos diferentes ? hoje consensual que todos os alunos s o diferentes, ou seja, que t m rela es diferentes com o saber, interesses diversos, estrat gias, ritmos e estilos pr prios de aprendizagem. Embora a ilus o das turmas homog neas comece finalmente a desvanecer-se no discurso racional dos professores, a verdade que, muitas vezes na pr tica, inconscientemente, continua a tentar-se homogeneizar, quer atrav s da constitui o de turmas por n veis supostamente id nticos de aprendizagem, quer dentro da pr pria turma, pela divis o em sub-grupos, tamb m supostamente homog neos para facilitar o ensino do professor.

5 Disto que se trata quando se fala, muitas vezes em diferencia o. Mas esta uma pervers o do sentido pedag gico da diferencia o porque mant m a l gica do ensino simult neo. Por outra via, parece existir um entendimento cada vez mais estabilizado da ideia de que o aluno deve ser um sujeito activo e protagonista do seu processo de desenvolvimento e forma o. Importa por isso, que as formas e/ou modelos de organiza o do seu trabalho sejam tamb m capazes de, pela sua DIVERSIDADE , enquadrar positivamente essas diferen as. O grande desafio que se nos coloca actualmente o de deixarmos de estar t o preocupados em ensinar e o de criarmos, pelo contr rio, condi es efectivas para que os alunos aprendam.

6 Esta desloca o do enfoque no ensino para a aprendizagem dos alunos implica, necessariamente a aplica o de estrat gias de diferencia o. Faz-se diferencia o pedag gica, percebendo os diferentes estilos de aprendizagem de cada aluno e actuando segundo eles. importante prevenir em vez de remediar, aplicar a vacina em lugar de tomar o antibi tico. Uns aprendem melhor se ouvirem, outros se visualizarem, outros se experimentarem, mas todos aprendem melhor se usarem uma estimula o multissensorial. A DIVERSIDADE de actividades poder dar oportunidade a todos de utilizarem as vias para si mais sens veis. Sempre o mesmo cansa , dizem muitas vezes os alunos. Diferenciar , de acordo com Perrenoud (1997, citado por In cia Santana, 2000:30)9 romper com a pedagogia magistral a mesma li o e os mesmos exerc cios para todos ao mesmo tempo mas sobretudo uma maneira de p r em funcionamento uma organiza o de trabalho que integre dispositivos did cticos, de forma a colocar cada aluno perante a situa o mais favor vel ao seu processo de aprendizagem.

7 Essencial que as pr ticas pedag gicas desenvolvidas tenham em conta que os alunos s o diferentes pela sua origem, aquisi es anteriores, projectos, caracter sticas, interesses e qualidades pessoais mut veis e por isso se diz que cada aluno possui um ritmo pr prio de aprendizagem . (Mona Engberg et al, 1995: 44)10 Neste sentido, a qualidade do processo educativo tamb m depender do n vel de diferencia o que o professor possa introduzir na gest o das actividades/tarefas de aprendizagem. 9 SANTANA, In cia Pr ticas Pedag gicas Diferenciadas. Escola Moderna, 2000, n. 8, 5 s rie. 10 ENGBERG, Mona; ORVALHO, Lu sa; WOLFGANG, Kayser e outros - O professor Aprendiz - Criar o Futuro.

8 1 edi o, 972-9386-39-0 Na perspectiva de alguns autores, quando os alunos trabalham na mesma tarefa que outros alunos com n veis de compet ncia pr ximos, ou quando todos os alunos trabalham na mesma rea curricular mas em tarefas diferentes consoante o seu pr prio n vel, o efeito parece ser positivo. Quando se organizam situa es em que todos os alunos realizam exactamente a mesma tarefa, o efeito tende a ser negativo. (Mortimore et al, 1988), cit. por Jos Morgado, 2004 :87)11 Esta diferencia o/individualiza o passa por organizar as actividades e as interac es de modo a que cada aluno seja frequentemente confrontado com situa es did cticas enriquecedoras.

9 Permitir que cada um aprenda ao seu ritmo, com os m todos que melhor lhe garantam o xito, aprofundando os conte dos e seguindo percursos pessoais em tudo compat veis com os objectivos gerais , tal como enuncia Perrenoud (1985, citado em Programa de Educa o para Todos, 1996:30)12 O professor deve procurar estrat gias e metodologias apropriadas que se tornem facilitadoras de novas aquisi es, aproximando-se das estrat gias de aprendizagem de cada educando, pois cada aluno apreende determinado conhecimento de acordo com as suas pr prias caracter sticas que prov m do seu pr prio saber, dos seus h bitos de pensar e de agir . (Ana Cadima, 1996:49)13 Ainda de acordo com Byers e Rose (1996), as actividades de aprendizagem s ser o adequadas aos diferentes alunos se as mesmas assumirem determinadas caracter sticas b sicas, a saber: ser relevantes considerando a experi ncia do aluno e a sua motiva o; respeitar os diferentes ritmos dos diferentes alunos; promover nos alunos atitudes de investiga o e descoberta; 11 MORGADO, Jos Qualidade na Educa o Um desafio para os Professores.

10 Colec o Ensinar e Aprender. Editorial Presen a, 2004. ISBN 972-23-3250-3 12 BOAL, M. Eduarda; HESPANHA, M. C ndida; NEVES, Manuela Borralho - Para uma Pedagogia Diferenciada. Programa de Educa o para Todos: Cadernos PEPT 2000. 1 ed.,Lisboa: Editorial do Minist rio da Educa o, 972-95851-6-4 13 CADIMA, Ana - Diferencia o: no caminho de uma escola para todos. Noesis. (1996). ser organizadas numa perspectiva de resolu o de problemas. (cit. por Jose Morgado, 2004:89)14 Parece igualmente consensual a import ncia atribu da necessidade de proporcionar s crian as uma variedade de experi ncias que promovam e sustentem o desenvolvimento da linguagem. Assim sendo, imprescind vel que na sala de aula o aluno tenha acesso a m ltiplas oportunidades para trocas verbais com colegas e professor, mobilizando as suas experi ncias anteriores e enriquecendo o seu desenvolvimento e o seu pr prio processo de aprendizagem.


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