Transcription of FERIDAS - UNIARA
1 1 Araraquara_2011 FERIDAS As FERIDAS s o conseq ncia de uma agress o por um agente ao tecido vivo. O tratamento das FERIDAS vem evoluindo desde 3000 anos , onde as FERIDAS hemorr gicas eram tratadas com cauteriza o; o uso de torniquete descrito em 400 A .C.; a sutura documentada desde o terceiro s culo Na Idade M dia, com o aparecimento da p lvora, os ferimentos tornaram-se mais graves. O cirurgi o franc s Ambroise Par , em 1585 orientou o tratamento das FERIDAS quanto necessidade de desbridamento, aproxima o das bordas e curativos. Lister, em 1884, introduziu o tratamento anti-s ptico. No s culo XX, vimos a evolu o da terap utica com o aparecimento da sulfa e da penicilina. Classifica o das FERIDAS As FERIDAS podem ser classificadas de v rias maneiras: pelo tipo do agente causal, de acordo com o grau de contamina o, pelo tempo de traumatismo, pela profundidade das les es, sendo que as duas primeiras s o as mais utilizadas.
2 Quanto ao agente causal 1. Incisas ou cortantes - s o provocadas por agentes cortantes, como faca, bisturi, l minas, etc.; suas caracter sticas s o o predom nio do comprimento sobre a profundidade, bordas regulares e n tidas, geralmente retil neas. Na ferida incisa o corte geralmente possui profundidade igual de um extremo outro da les o, sendo que na ferida cortante, a parte mediana mais profunda. 2. Corto-contusa - o agente n o tem corte t o acentuado, sendo que a for a do traumatismo que causa a penetra o do instrumento, tendo como exemplo o machado. 2 Araraquara_2011 3. Perfurante - s o ocasionadas por agentes longos e pontiagudos como prego, alfinete. Pode ser transfixante quando atravessa um rg o, estando sua gravidade na import ncia deste rg o.
3 4. P rfuro-contusas - s o as ocasionadas por arma de fogo, podendo existir dois orif cios, o de entrada e o de sa da. 5. L cero-contusas - Os mecanismos mais freq entes s o a compress o: a pele esmagada de encontro ao plano subjacente, ou por tra o: por rasgo ou arrancamento tecidual. As bordas s o irregulares, com mais de um ngulo; constituem exemplo cl ssico as mordidas de c o. 6. Perfuro-incisas - provocadas por instrumentos p rfuro-cortantes que possuem gume e ponta, por exemplo, um punhal. Deve-se sempre lembrar, que externamente, poderemos ter uma pequena marca na pele, por m profundamente podemos ter comprometimento de rg os importantes como na figura abaixo na qual pode ser vista les o no m sculo card aco. 7. Escoria es - a les o surge tangencialmente superf cie cut nea, com arrancamento da pele.
4 8. Equimoses e hematomas - na equimose h rompimento dos capilares, por m sem perda da continuidade da pele, sendo que no hematoma, o sangue extravasado forma uma cavidade. 3 Araraquara_2011 Quanto ao grau de contamina o Esta classifica o tem import ncia, pois orienta o tratamento antibi tico e tamb m nos fornece o risco de desenvolvimento de infec o. 1. Limpas - s o as produzidas em ambiente cir rgico, sendo que n o foram abertos sistemas como o digest rio, respirat rio e genito-urin rio. A probabilidade da infec o da ferida baixa, em torno de 1 a 5%. 2. Limpas-contaminadas tamb m s o conhecidas como potencialmente contaminadas; nelas h contamina o grosseira, por exemplo, nas ocasionadas por faca de cozinha, ou nas situa es cir rgicas em que houve abertura dos sistemas contaminados descritos anteriormente.
5 O risco de infec o de 3 a 11%. 3. Contaminadas - h rea o inflamat ria; s o as que tiveram contato com material como terra, fezes, etc. Tamb m s o consideradas contaminadas aquelas em que j se passou seis horas ap s o ato que resultou na ferida. O risco de infec o da ferida j atinge 10 a 17%. 4. Infectadas - apresentam sinais n tidos de infec o. TIPOS MAIS COMUNS DE FERIDAS CR NICAS 1- lceras de Press o: A lcera de press o uma rea localizada de necrose celular, que resulta da compress o do tecido mole entre uma proemin ncia ssea e uma superf cie dura por um per odo prolongado de tempo (UNIVERSIDADE DE S O PAULO, 2001). Outros termos tamb m s o usados com freq ncia como lcera de dec bito, escara, escara de dec bito, por m, por ser a press o o agente principal para a sua forma o, o termo recomendado lcera de press o.
6 O termo escara n o deve ser utilizado para a defini o, porque ele usado para designar apenas a parte necr tica ou crosta da ferida. A regi o sacral e os calc neos s o os locais mais freq entes de aparecimento da lcera de press o. Os indiv duos mais propensos forma o desse tipo de ferida s o aqueles: - Com altera es da mobilidade; - Com altera es da percep o sensorial; - Com altera es da circula o perif rica; - Com altera es do n vel de consci ncia; - Incontinentes; - Mal nutridos; - Imunodeprimidos. 4 Araraquara_2011 Os tecidos recebem oxig nio e nutrientes, eliminando os produtos t xicos por via sang nea. Qualquer fator que interfira neste mecanismo, afeta o metabolismo celular e a fun o ou vida da c lula. O dano no tecido ocorre quando a press o exercida contra o mesmo suficiente para fechar os capilares (> 32 mmHg) e permanece por tempo prolongado at provocar a les o isqu mica.
7 Quando a press o retirada a tempo (al vio antes do ponto cr tico), a circula o restaurada atrav s de um mecanismo fisiol gico compensat rio chamado hiperemia reativa. 2 lceras Vasculares As lceras vasculares, mais conhecidas como lceras de perna, podem ser definidas como sendo a perda da continuidade da pele nos membros inferiores, abaixo dos joelhos, e cujo processo de cicatriza o se prolonga por mais de seis semanas. Elas s o altamente recidivantes, acometem principalmente pessoas idosas e est o freq entemente associadas a outras doen as, tais como: diabetes mellitus, artrite, hipertens o arterial, hansen ase, entre outras. Estas FERIDAS s o uma das principais causas pelas quais as pessoas procuram as unidades de sa de, pois cerca de 80% delas podem ser tratadas ambulatorialmente.
8 Elas podem causar dor, depress o, redu o da movimenta o, incapacidade para o trabalho, perda da auto-estima e isolamento social, ou seja, graves transtornos tanto individuais quanto coletivos. As lceras vasculares apresentam etiologia de origem venosa, arterial ou mista. As lceras de origem venosa (maioria) s o basicamente resultantes da hipertens o venosa cr nica, que produz a estase venosa e edema. As lceras de origem arterial s o produzidas quando o fluxo sangu neo para os membros inferiores est diminu do, resultando em isquemia e necrose. As lceras de origem mista resultam da combina o da hipertens o venosa cr nica com patologias arteriais perif ricas. 5 Araraquara_2011 Uma maneira f cil de proceder a eleva o dos membros, sem dobrar a perna na altura da cabe a do f mur, colocando tijolos ou blocos de madeira sob os p s da Mayberry et al.
9 Apud Dealey (1996), importante a continuidade do uso das meias compressoras ap s a cicatriza o da lcera venosa, para evitar as recidivas. Os exerc cios tamb m s o indicados, com a finalidade de melhorar o retorno venoso, que est prejudicado na presen a de patologias vasculares venosas. Importante lembrar que usar adequadamente meias e bandagens, aliando-se esta pr tica ao tratamento t pico adequado, existe a possibilidade de 97% de cicatriza o nas lceras venosas. Mesmo ap s a cicatriza o, as orienta es quanto preven o de recidivas devem ser meticulosas e o acompanhamento do paciente dever ser constante. 3 - lceras Neurop ticas Uma das caracter sticas da Hansen ase o comprometimento dos nervos perif ricos, com diminui o ou perda da sensibilidade nos membros.
10 Tamb m ocorre o comprometimento dos filetes nervosos, com a infiltra o nos fol culos pilosos, gl ndulas sudor paras e gl ndulas seb ceas localizadas na derme, fazendo com que a pele fique sem umidade (anidrose). Assim sendo, a hidrata o e a lubrifica o da pele s o cuidados que devem ser ensinados ao paciente, para que o mesmo os realize no domic lio, pois s o indispens veis ao cuidado preventivo. lcera Plantar na Hansen ase A lcera diab tica uma ferida que pode acometer pessoas com Diabetes Mellitus. Seu surgimento pode ocorrer por dois mecanismos: lcera Diab tica: A) Perda da sensibilidade O aumento do a car no sangue (hiperglicemia) pode afetar os nervos perif ricos das pernas e p s, levando diminui o ou perda da sensibilidade t rmica, t ctil e pessoa diab tica pode n o perceber um sapato apertado, um objeto quente ou a dor ap s um corte inadequado das defici ncia de sensa o denominada neuropatia diab tica.