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1 ESCOLA DE CI NCIAS E TECNOLOGIA DEPARTAMENTO DE FITOTECNIA forragens Texto de apoio para as Unidade Curriculares de Sistemas e Tecnologias Agropecu rios, No es B sicas de Agricultura e Tecnologia do Solo e das Culturas (Para uso dos alunos) Ricardo M. C. Freixial Jos F. C. Barros VORA 2012 2 ndice 1. Introdu o 3 2. A import ncia das forragens 4 3. Conceito de forragem 5 4. forragens de outono/inverno 6 4. 1. Azev m 6 de azev ns com leguminosas de outono/inverno 8 4. 2. Os cereais como op o forrageira 9 4. 2. 1. Em estreme 9 4. 2. 2. Em consocia o com leguminosas de inverno 12 4. 2. 3. Outras misturas com cereais de outono/inverno 13 4. 2. 4. Introdu o de cereais em pastagens de sequeiro 14 4. 3. forragens de leguminosas 15 4. 3. 1. Tremoceiros 15 5. forragens de outono/primavera 17 6. forragens de primavera 18 6.
2 1. Milho 19 6. 2. Sorgo 20 7. forragens bienais 21 8. Luzerna 22 9. Outras op es 23 10. Bibliografia 24 3 Introdu o Observando as curvas m dias de produ o de pastagens nas condi es mediterr neas (sequeiro e regadio), (Figura 1), vemos que elas apresentam uma forma bastante irregular, com n veis de produ o elevados em pocas bem marcadas do ano, alternando com per odos nos quais a produ o escassa ou mesmo nula, particularmente no per odo de inverno, j que, no per odo do ver o, existe a possibilidade do recurso a outras fontes alimentares. Fig. 1. Curva de crescimento anual de Pastagens de sequeiro e de regadio Esta irregularidade na produ o, devida essencialmente a condicionalismos de natureza clim tica, torna os nossos sistemas de produ o animal a partir de ruminantes, dependentes da produ o de forragens para os per odos de escassez.
3 Assim, nas nossas condi es de produ o em pastagens de sequeiro base de esp cies anuais, constituem per odos cr ticos de produ o de pastagens o outono, (em anos em que as primeiras chuvas ocorrem tarde) o inverno e o ver o. As pastagens de regadio com n veis de produ o mais elevados para os distintos per odos, resolvendo as necessidades de produ o durante o outono e o ver o n o conseguem contudo, devido s baixas temperaturas, assegurar a oferta alimentar necess ria durante o inverno. Assim, o inverno continua, por falta de condi es para o crescimento vegetal, sobretudo para algumas esp cies, (leguminosas) segundo Moule (1971), a ser o per odo mais limitante em todo o sistema de produ o animal baseado na produ o de pastagens, obrigando ao recurso do consumo de forragens seja em pastoreio direto, seja atrav s dos alimentos conservados durante per odos mais ou menos longos.
4 Deste modo, as forragens , cuja 4 tradi o enquanto alternativa cultural muito mais antiga que as pastagens semeadas, desempenham um papel important ssimo no planeamento alimentar dos sistemas de produ o animal base de ruminantes nas condi es mediterr nicas. A import ncia das forragens Nos sistemas de produ o animal com ruminantes nas condi es Mediterr neas, as forragens s o fundamentais para assegurarem a produ o de alimento para os per odos nos quais a produ o de pastagem escassa ou mesmo nula. De facto, as forragens permitem obter alimento resultante de elevadas produ es unit rias (ton MS/ha), com elevadas taxas de crescimento di rio em per odos curtos, com uma digestibilidade e um valor nutritivo normalmente elevados e com uma elevada efici ncia na utiliza o dos fatores ( gua e fertilizantes) muitas vezes como resultado da complementaridade entre as esp cies utilizadas nas consocia es.
5 Do ponto de vista agron mico, porque utilizam normalmente esp cies com caracter sticas distintas mas complementares entre elas, as leguminosas com capacidade para fixarem simbioticamente o azoto atmosf rico, desde que utilizadas em sistemas sustentados e com recurso sementeira direta na sua instala o, podem contribuir tamb m para a melhoria das caracter sticas f sicas, qu micas e biol gicas dos solos, podendo ser op es muito importantes para o estabelecimento de rota es agronomicamente coerentes. Assim, a desvantagem que por vezes apontada produ o de forragens e relacionada com o facto de as mesmas terem curta dura o e obrigarem a custos de instala o (agron micos, ambientais e econ micos), passa nestes sistemas a representar uma vantagem pelas raz es apontadas, sobretudo as de natureza agron mica. Desta maneira, a produ o de forragens permite n o s assegurar o complemento alimentar que ajuda na manuten o de determinadas atividades nos sistemas de produ o animal como tamb m, intensificar outros tudo isto com reflexos diretos e indiretos na ocupa o e ordenamento do territ rio, no ambiente, na fixa o das popula es e no combate desertifica o humana e na dinamiza o das economias locais.
6 5 Conceito de forragem Culturas forrageiras ou forragens , s o as culturas de plantas herb ceas de ciclo vegetativo anual, ou vivaz, destinadas alimenta o animal, aproveitadas predominantemente atrav s de corte mec nico (eventualmente pastoreio direto ou aproveitamento misto) e posterior alimenta o fora do local de produ o, seja sob a forma de erva verde ou conservadas sob a forma de feno, silagem e feno-silagem. Fig. 2. Cultura forrageira ou forragem. As plantas mais apropriadas (Figura 2) a esta forma de aproveitamento, apresentam em geral porte ereto a subereto de forma a possibilitar o seu corte. 6 forragens de outono/inverno As forragens de outono/inverno s o as principais alternativas forrageiras nos sistemas de produ o animal com ruminantes nas condi es de sequeiro Mediterr nico pois, cumprem o seu ciclo naturalmente com a gua da precipita o e n o apresentam grandes exig ncias em temperaturas para o crescimento e desenvolvimento.
7 Azev m Existem v rias esp cies de azev ns (Lolium) utilizadas quer em pastagens quer em forragens (Lolium rigidum, Lolium multiflorum, Lolium hibridum e Lolium perenne). O Lolium multiflorum, (Figura 3) ser a esp cie de maior interesse em termos de utiliza o forrageira e produtividade, comportando-se como anual ou bienal em fun o das condi es ambientais. Os azev ns do g nero Lolium, particularmente Lolium multiflorum, Lam, subesp cie westerwoldicum , explorados nas condi es de sequeiro como se de uma cultura anual se tratasse, por possu rem um elevado poder de recrescimento ap s o corte, particularmente no per odo da primavera (grande capacidade de afilhamento, per odo vegetativo prolongado e growing point situado junto ao solo), est o particularmente bem adaptados a um sistema de utiliza o m ltipla, podendo proporcionar produ es de mat ria seca interessantes em sistemas de cortes frequentes e utiliza o mista, s o uma op o forrageira de sementeira de outono/inverno tamb m muito generalizada nas condi es mediterr neas.
8 De acordo com Moreira (2002), a Fig. 3. Lolium multiflorum 7 utiliza o em sistema misto com v rios cortes, (cortes em verde ou pastoreio) no per odo vegetativo e at ao per odo reprodutivo pode oferecer entre 1 e 3 ton MS/ha/corte e ainda, cerca de 4 a 6 ton MS/ha no corte final para feno ou silagem. Nas condi es de sequeiro Mediterr nico, o azev m enquanto alternativa como esp cie forrageira apresenta no entanto, algumas condicionantes, entre elas, a depend ncia da ocorr ncia de precipita o para iniciar o seu ciclo de produ o o que pode tornar mais dif cil a instala o, o crescimento e o desenvolvimento inicial que sendo lento pelas baixas temperaturas, (mais lento que os cereais, por exemplo) limita a sua utiliza o quando o objetivo garantir oferta alimentar aumentada e regular com a antecipa o da produ o nos per odos cr ticos (Outono-Inverno).
9 Nas condi es de regadio, a possibilidade de se poder efetuar a rega permite a sementeira no final do ver o, durante o m s de setembro (Figura 4). A cultura inicia o seu ciclo mais cedo sem a necessidade da precipita o que nalguns anos s acontece muito tarde e, tirando partido das temperaturas favor veis que se registam, garante uma oferta alimentar aumentada e permite uma utiliza o antecipada, o que como j vimos nem sempre poss vel nas condi es de sequeiro Mediterr nico (aumento de produ o e maior n mero de cortes ao longo do ano). Fig. 4. Azev m instalado com rega no final do ver o (m s de setembro) 8 de azev ns com leguminosas de outono/inverno As misturas de azev ns anuais do tipo westerwoldicum, e de leguminosas anuais de r pido crescimento outono/Invernal como o trevo da p rsia ou o trevo vesiculoso (Trifolium vesiculosum L.)
10 ( exemplo a marca comercial Speedmix), algumas apresentando grande capacidade de recrescimento, proporcionam um alimento completo, rico em energia e prote na, com alta digestibilidade. S o por isso uma gama de misturas anuais de sementeira de outono/inverno que, pela sua versatilidade, permitem uma utiliza o em pastoreio durante todo ou parte do seu ciclo, podendo tamb m ser aproveitada para corte nico ou cortes m ltiplos e para distribui o em verde, feno ou silagem em diversos sistemas de explora o. (a) (b) Fig. 5. (a) e (b) - Misturas de azev ns anuais e de leguminosas outono/inverno Em condi es de regadio, semelhan a do que foi discutido para o azev m, a sementeira no final do ver o durante o m s de setembro, permite que a cultura inicie o seu ciclo mais cedo sem a necessidade de precipita o, que nalguns anos s acontece muito tarde e, tirando partido das temperaturas favor veis que se registam, garante uma oferta alimentar aumentada e a permitir uma utiliza o antecipada, o que como j vimos nem sempre poss vel nas condi es de sequeiro Mediterr nico (aumento de produ o e maior n mero de cortes ao longo do ano).