Example: tourism industry

SENTIMENTO DUM OCIDENTAL, DE CESÁRIO …

Escola Secund ria/3 Jos Cardoso Pires Portugu s * 11 Ano * 2006/2007 LINO MOREIRA DA SILVA, ELEMENTOS PO TICO-NARRATIVOS E MANIFESTA ES DA CONSCI NCIA, em o SENTIMENTO DUM OCIDENTAL, DE CES RIO VERDE. Uma leitura de O SENTIMENTO dum Ocidental, de Ces rio Verde * P gina 1 Uma leitura de O SENTIMENTO dum Ocidental , de Ces rio Verde 1. Na leitura que fazemos de O SENTIMENTO dum ocidental, destacando as manifesta es da consci ncia nele presentes, seguimos a via de considerar que o texto disp e de todos os ingredientes po tico-narrativos (V.)

Escola Secundária/3 José Cardoso Pires Português * 11º Ano * 2006/2007 LINO MOREIRA DA SILVA, ELEMENTOS POÉTICO-NARRATIVOS E MANIFESTAÇÕES DA CONSCIÊNCIA, EM O SENTIMENTO DUM OCIDENTAL, DE CESÁRIO VERDE. Uma leitura de O Sentimento dum Ocidental, de Cesário Verde * Página 1 Uma leitura de

Tags:

  Em o

Information

Domain:

Source:

Link to this page:

Please notify us if you found a problem with this document:

Other abuse

Advertisement

Transcription of SENTIMENTO DUM OCIDENTAL, DE CESÁRIO …

1 Escola Secund ria/3 Jos Cardoso Pires Portugu s * 11 Ano * 2006/2007 LINO MOREIRA DA SILVA, ELEMENTOS PO TICO-NARRATIVOS E MANIFESTA ES DA CONSCI NCIA, em o SENTIMENTO DUM OCIDENTAL, DE CES RIO VERDE. Uma leitura de O SENTIMENTO dum Ocidental, de Ces rio Verde * P gina 1 Uma leitura de O SENTIMENTO dum Ocidental , de Ces rio Verde 1. Na leitura que fazemos de O SENTIMENTO dum ocidental, destacando as manifesta es da consci ncia nele presentes, seguimos a via de considerar que o texto disp e de todos os ingredientes po tico-narrativos (V.)

2 M. A. Silva, 1977) necess rios para contar uma hist ria. Mas trata-se de uma hist ria que, primeira vista, quase n o hist ria: a hist ria do Poeta que n o cabe em casa, nem cabe em si, e sai de casa e de si, deparando, fora, com um cen rio humano preocupante e desolador, causa principal do mal estar que o aflige e de que ele vai tomando (e revelando) consci ncia passo a passo. Esse cen rio humano geral, com que o poeta depara, potencia o aparecimento de muitos outros cen rios.

3 E isso porque a hist ria que ele conta n o sequencial nem linear, mas encerra em si muitas outras hist rias, carregadas de viv ncias pessoais do Poeta, embora literariamente transformadas (J. Serr o, 1986). em o SENTIMENTO dum ocidental, h tempo, espa o e personagens, como h narrador e ac o. O tempo, o espa o e as personagens est o claramente presentes. O narrador o pr prio sujeito po tico, como acontece em muitos outros textos de Ces rio Verde (J. Laidlar, 1993, ), que se desdobra nos relatos que insinua e na interiori-dade que explora.

4 Alguma dificuldade surge com a narra o/ac o, sendo necess rio o contributo empenhado do leitor para a consti-tuir e organizar e dar sentido s suas partes. 2. No texto de Ces rio, deparamos com quatro cen rios Ave-Marias, Noite Fechada, Ao G s, e Horas Mortas, a que correspondem, respectivamente, o Cair da Tarde, o Acender das Luzes, a Fixa o da Noite, a Noite Segura. Considerando cada um destes conjuntos, e procedendo a um levantamento directo do texto, vejamos como, em o SENTIMENTO dum ocidental, as manifesta es da consci ncia (reveladas atrav s dos estados de alma do sujeito po tico / narrador) aparecem ligadas, de modo interactivo, aos elementos po tico-narrativos referenciados (tem-po, espa o, personagens).

5 Cen rio I: Ave-Marias Ao Cair da Tarde TEMPO ESPA O PERSONAGENS ESTADOS DE ALMA DO POETA Ao anoitecer. Sombras. As ruas de Lisboa. Bul cio, Tejo, maresia. Infere-se: muita gente nas ruas. Soturnidade e melancolia. Desejo absurdo (injustificado) de sofrer. Infere-se: o aproximar da noite (ilumina o, edif cios onde se prepara o jantar, pessoas a caminho de casa). C u baixo e de neblina. G s extravasado, cheiro a g s. Edif cios e chamin s. Cor mon tona e londrina. Turba. Enjoo pelo g s extravasado. Infere-se a tristeza do Poeta, provocada pela cor mon tona e londrina.

6 Ao fundo, carros de aluguer, em direc o ao comboio. A felicidade dos que partem, em oposi o infeli-cidade dos que ficam, entre os quais o Poeta. O Poeta manifesta desejo de evas o para capitais europeias onde poss vel chegar de comboio. A felicidade est onde n o se est . Ao cair das badaladas (velha tradi o, anuncian-do o fim do trabalho com o toque dos sinos). As casas de madeira pare-cem gaiolas. As casas s o como viveiros, nelas se amontoam as pessoas. Infere-se a exist ncia de pessoas no interior das casas.

7 Os mestres carpintei-ros saltam de viga em viga, como morcegos, abando-nando o trabalho. Uma leitura de O SENTIMENTO dum Ocidental, de Ces rio Verde * P gina 2 Boqueir es, becos. Cais a que se atracam botes. Os calafates, aos magotes, de jaquet o ao ombro, enfarruscados, secos, regressam a casa. O Poeta, a cismar, por boqueir es, por becos. O Poeta erra pelos cais a que se atracam botes. Tempo de evas o: recuo ao tempo dos Descobrimen-tos Espa o de evas o: os Descobrimentos.

8 Personagens de evas o: mouros, her is ressuscita-dos. Cam es a salvar Os Lus adas a nado. A realidade dura faz o Poeta ter consci ncia da necessidade que sente de evas o. Fim da tarde. Hora de jantar. No mar, vogam os escaleres de um coura ado ingl s. Em terra serve-se o jantar nos hot is da moda. Infere-se a presen a dos ingleses, nos coura ados, os privilegiados da sorte a jantar nos hot is da moda. O Poeta declara-se incomodado com o fim de tarde. Um trem de pra a (onde arengam dois dentistas). As varandas das casas.

9 As lojas. Dois dentistas (arengam num trem de pra a). Um tr pego arlequim (um desfavorecido da sorte) braceja numas andas. Os querubins do lar (a crian ada, espera dos pais, aos saltinhos, nas varandas). Os comerciantes, em cabelo (descompostos), enfadam-se, porta das lojas, por falta de clientes. O Poeta revela simpatia pelos desfavorecidos e hostilidade para com os bafejados pela sorte. Arsenais e oficinas. O rio a reluzir, viscoso. O operariado deixa o traba-lho e regressa a casa. As obreiras, apressadas. As varinas, em grupo, herc -leas, galhofeiras.

10 Infere-se: o Poeta mostra ter consci ncia da vida miser vel das varinas, mas tamb m de que elas n o t m consci ncia disso (a felicidade est na ordem inversa da consci ncia). As varinas, de troncos fortes como pilastras, agitam, ao andar, as ancas opulentas. Os filhos das varinas (que elas embalam cabe a), v o dentro das canastras. O Poeta comisera-se com a vida das varinas e antev a desgra a dos seus filhos, que antev a naufragarem nas tormentas. O Poeta, consciente, sofre pelas varinas, que n o revelam ter consci ncia da realidade que as afec-ta.


Related search queries