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Amostragem em pesquisas qualitativas: proposta …

Cad. Sa de P blica, Rio de Janeiro, 27(2):389-394, fev, 2011389 Amostragem em pesquisas qualitativas : proposta de procedimentos para constatar satura o te ricaSampling in qualitative research: a proposal for procedures to detect theoretical saturation1 Centro de Ci ncias Biol gicas e da Sa de, Universidade Federal de S o Carlos, S o Carlos, Faculdade de Medicina, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, Faculdade de Ci ncias M dicas, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, nciaB. J. B. FontanellaDepartamento de Medicina, Centro de Ci ncias Biol gicas e da Sa de, Universidade Federal de S o Washington Lu s km 235, SP 310, S o Carlos, SP 13565-905, Jose Barcellos Fontanella 1 Bruna Moretti Luchesi 1 Maria Giovana Borges Saidel 1 Janete Ricas 2 Egberto Ribeiro Turato 3D bora Gusm o Melo 1 AbstractA qualitative study s methodological transparen-cy is considered a key factor for achieving its reli-ability and should be guaranteed by the research-ers.

AMOSTRAGEM EM PESQUISAS QUALITATIVAS 391 Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 27(2):389-394, fev, 2011 Tabela 1 Passos procedimentais para constatação da saturação teórica.

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  Pesquisa, Em pesquisas qualitativas, Qualitativas

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1 Cad. Sa de P blica, Rio de Janeiro, 27(2):389-394, fev, 2011389 Amostragem em pesquisas qualitativas : proposta de procedimentos para constatar satura o te ricaSampling in qualitative research: a proposal for procedures to detect theoretical saturation1 Centro de Ci ncias Biol gicas e da Sa de, Universidade Federal de S o Carlos, S o Carlos, Faculdade de Medicina, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, Faculdade de Ci ncias M dicas, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, nciaB. J. B. FontanellaDepartamento de Medicina, Centro de Ci ncias Biol gicas e da Sa de, Universidade Federal de S o Washington Lu s km 235, SP 310, S o Carlos, SP 13565-905, Jose Barcellos Fontanella 1 Bruna Moretti Luchesi 1 Maria Giovana Borges Saidel 1 Janete Ricas 2 Egberto Ribeiro Turato 3D bora Gusm o Melo 1 AbstractA qualitative study s methodological transparen-cy is considered a key factor for achieving its reli-ability and should be guaranteed by the research-ers.

2 Closing the sampling process by saturation is a common approach, but it is rarely made ex-plicit in research reports. Qualitative researchers also commonly experience technical difficulties in objectively identifying saturation. This article proposes a method to organize sample closing by saturation, with a sequence of eight procedural steps for treating and analyzing data collected through open or semi-structured interviews or focus groups. The article aims to help research-ers objectively explain how and when saturation occurred and to allow their readers to know how this process Studies; Sample Size; Qualitative Re-search; MethodsIntrodu oSer transparente quanto t cnica de amostra-gem utilizada uma atitude da dimens o tica que ajuda a evidenciar o rigor empregado em uma investiga o cient fica. Propomos aqui um modo de sistematizar e de expor o tratamento e an lise de dados coletados em pesquisas qualita-tivas que utilizam as chamadas amostras fecha-das por satura o te rica.

3 Fechar a amostra significa definir o conjun-to que subsidiar a an lise e interpreta o dos dados. Nas amostras n o-probabil sticas (inten-cionais), tal defini o feita a partir da experi n-cia do pesquisador no campo de pesquisa , numa empiria pautada em racioc nios instru dos por conhecimentos te ricos da rela o entre o objeto de estudo e o corpus a ser estudado n o houve fechamento por exaust o (abordando todos os sujeitos eleg veis), deve-se justificar por que se interrompeu o processa-mento de novas observa es e o recrutamento de novos participantes. Uma das maneiras de faz -lo corresponde ao processo de Amostragem por satura o te rica: interrompe-se a coleta de dados quando se constata que elementos novos para subsidiar a teoriza o almejada (ou poss vel naquelas circunst ncias) n o s o mais depreen-didos a partir do campo de observa o 1, pesquisa decorre de quest es, sendo ent o imposs vel prescindir de estabelecer quais dados s o necess rios e suficientes para respon-NOTA REASEARCH NOTEF ontanella BJB et Sa de P blica, Rio de Janeiro, 27(2):389-394, fev, 2011d -las.

4 Considera-se haver satura o emp rica quando o pesquisador constata deles dispor 1 e que h satura o te rica quando a intera o en-tre campo de pesquisa e o investigador n o mais fornece elementos para balizar ou aprofundar a teoriza o 1, quest es conceituais e metodol -gicas sobre satura o foram anteriormente co-mentadas em texto que chamou a aten o para o risco de uma excessiva subjetividade nos crit rios empregados para a finaliza o do recrutamento de participantes 3. No presente artigo, o objetivo aprofundar uma proposta , resumida na Tabela 1,de uma t cnica de tratamento de dados que permita aos leitores de relat rios de pesquisas conhecerem de que modo foi constatada a satu-ra o te procedimentais sugeridosPasso 1: disponibilizar os registros de dados brutos De in cio, recomendamos que, al m das trans-cri es integrais dos di logos gravados, sejam tamb m disponibilizados arquivos digitais com as correspondentes grava es de udio.

5 Dispor de ambos facilita um processo pormenorizado de interpreta o, pois o suporte auditivo permite perceber elementos de entona o e pros dia e as transcri es possibilitam observa es mais refle-xivas e detidas sobre alguns trechos. Passo 2: imergir em cada registroOs pesquisadores exploram individualmente cada uma das entrevistas, medida que este-jam dispon veis. Caso se esteja trabalhando com pr -categorias anal ticas, os temas e enunciados correspondentes, que cada pesquisador consi-dere importantes para instru -las, s o anotados. Se forem previstas formula es de novas catego-rias, cada pesquisador tamb m as registra para depois discuti-las com os 3: compilar as an lises individuais (de cada pesquisador, para cada entrevista)Um dos pesquisadores compila os temas e tipos de enunciados identificados por ele pr prio e pelos outros investigadores.

6 Caso sejam suge-ridas novas categorias anal ticas, o compilador poder agrup -las, pois os colaboradores podem dar nomes diferentes a conceitos e id ias muito semelhantes. Numa reuni o presencial as diver-g ncias nas an lises individuais s o discutidas em busca do facilitar essa compila o, sugerimos que os par grafos das transcri es sejam iden-tificados, um a um, facilitando o manejo desses trechos, podendo os pesquisadores identificar, imediatamente, o participante e o momento da entrevista em que foram 4: reunir os temas ou tipos de enunciados para cada pr -categoria ou nova categoriaPara cada categoria s o agrupados os correspon-dentes temas e tipos de enunciados identificados e consensuados, fazendo constar os respectivos trechos das entrevistas que os 5: codificar ou nominar os dadosA nomina o deve representar o conjunto de id ias, valores, sentimentos etc.

7 , abarcando as manifesta es dos entrevistados que contri-buem para compreender melhor o que expressa-ram. Aqui se concentra parte do trabalho criativo de pesquisa , fundamentado em conhecimentos e envolvendo racioc nios indutivos: parte-se do particular (um ou v rios enunciados) e chega-se a algo mais abstrato e geral (a nomina o deste conjunto). Nominar algo que anteriormente n o tinha nome revela as inclina es te rico-ideol -gicas dos pesquisadores, podendo este procedi-mento ser revisto continuamente, de acordo com os aprofundamentos conceituais que se proces-sem no estudo adicional e na discuss o. N o se trata de vincular imediatamente a denomina o escolhida a determinada teoria. Embora se con-sidere que nomear seja uma atitude expressiva do pensamento, reveladora dos conhecimentos de quem nomeia, mesmo que o pesquisador conhe a profundamente certas teorias, poder mant -las temporariamente em suspens o (ati-tude pr xima epoch dos fenomenologistas) para evitar uma poss vel ilus o de transpar ncia do material emp rico 6: alocar (numa tabela) os temas e tipos de enunciadosTrata-se de uma aloca o que permita a visu-aliza o dos elementos anal ticos com que se Tabela 2 um exemplo hipot tico de alo-ca o de dados, nela constando ficticiamente o registro de quais foram os entrevistados que pro-feriram determinado tipo de enunciado ou tema a respeito da pr -categoria quadro cl nico.

8 Seu prop sito principal permitir uma visualiza o de como se distribu ram os 11 tipos de enuncia-dos identificados ao longo das 12 EM pesquisas QUALITATIVAS391 Cad. Sa de P blica, Rio de Janeiro, 27(2):389-394, fev, 2011 Tabela 1 Passos procedimentais para constata o da satura o te oPasso 1: disponibilizar os registros de dados brutos Todos os pesquisadores t m acesso aos registros integrais de udio e aos transcritos, desde as primeiras coletasPasso 2: imergir em cada registroS o feitas leituras e audi es individuais, visando a identificar n cleos de sentido nas manifesta es dos sujeitos participantesPasso 3: compilar as an lises individuais (de cada pesquisador, para cada entrevista)Aqui, as entrevistas s o o foco: compilar os temas e tipos de enunciados identificados em cada uma delas, por cada um dos pesquisadores do grupo (instruindo as pr -categorias ou as eventuais novas categorias)Passo 4.

9 Reunir os temas ou tipos de enunciados para cada pr -categoria ou nova categoriaAqui, os temas ou tipos de enunciados s o o foco: depois de cada entrevista ser analisada pelos pesquisadores, agregam-se as falas consideradas exemplares dos n cleos de sentido identificadosPasso 5: codificar ou nominar os dados Nomina o dos temas e dos tipos de enunciados contidos em cada pr -categoria ou nova categoriaPasso 6: alocar (numa tabela) os temas e tipos de enunciadosAgregando-os para cada (pr -) categoria e destacando quando se deu a primeira ocorr nciaPasso 7: constatar a satura o te rica para cada pr -categoria ou nova categoriaIsso ocorre quando novos temas ou tipos de enunciados n o s o, de maneira consistente, acrescentados ap s novas entrevistasPasso 8: visualizar a satura oTransforma o da tabela em um gr fico, possibilitando, para cada categoria analisada, uma constata o visual da satura o Tabela 2 Exemplo hipot tico da distribui o de frequ ncia de enunciados referentes a uma categoria de an lise fi ct cia ( quadro cl nico ) *.

10 Tipos de enunciadosEntrevistasTotal de recorr ncias123456789101112 Diversidade biol gicaXxxxxx6 Diversidade do quadro cl nico em rela o ao sintoma yXx2 Men es a problemas que n o fazem parte do sintoma yXxxxx5 Diferentes gravidades de acometimentoXxxx4 Sinal k patognom nicoXxx3 Sinal w fator de exclus oXxx3N o conhece a semiot cnica para o sinal zX1 Papel de exames complementaresXxx3 Desvaloriza o da semiot cnicaX1 Diversidade psicossocial do quadro cl nicoXxxxx5 Inseguran a em rela o ao quadro cl nicoXxx3 Total de novos tipos de enunciados para cada entrevista322031000000-x: recorr ncias; X: novo tipo de enunciado.* Para esta categoria ( quadro cl nico ), em espec fi co, a satura o foi constatada como tendo ocorrido na sexta (na soma das recorr ncias, na l-tima coluna direita) que alguns enunciados apareceram uma nica vez, mas outros s o fre-quentes.