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Dacriocistite aguda: relato de 2 casos - SciELO

37 Dacriocistite aguda: relato de 2 casosAcute dacryocystitis: two cases reportsSilvia Helena Tavares Lorena , Jo o Amaro Ferrari Silva RESUMOA obstru o da via lacrimal no adulto pode ser cong nita ou adquirida. No caso daforma adquirida, a etiologia se classifica em n o espec ficas (o que envolve o epit liode revestimento e/ou o plexo vascular submucoso do ducto l crimo-nasal) e espec ficas(infec es, inflama es, traumatismos, tumores e iatrogenias). O diagn stico estabe-lecido por meio da anamnese, seguida de avalia o cl nica baseada na semiologia dasvias lacrimais. Os pacientes acometidos pela obstru o da via lacrimal apresentamep fora, dores agudas e tumefa o, principalmente na regi o do saco lacrimal, ocasio-nando ainda ectasia do mesmo em grau vari vel, podendo culminar com fistuliza ocut nea.

37 Dacriocistite aguda: relato de 2 casos Acute dacryocystitis: two cases reports Silvia Helena Tavares Lorena¹, João Amaro Ferrari Silva² RESUMO A obstrução da via lacrimal no adulto pode ser congênita ou adquirida.

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1 37 Dacriocistite aguda: relato de 2 casosAcute dacryocystitis: two cases reportsSilvia Helena Tavares Lorena , Jo o Amaro Ferrari Silva RESUMOA obstru o da via lacrimal no adulto pode ser cong nita ou adquirida. No caso daforma adquirida, a etiologia se classifica em n o espec ficas (o que envolve o epit liode revestimento e/ou o plexo vascular submucoso do ducto l crimo-nasal) e espec ficas(infec es, inflama es, traumatismos, tumores e iatrogenias). O diagn stico estabe-lecido por meio da anamnese, seguida de avalia o cl nica baseada na semiologia dasvias lacrimais. Os pacientes acometidos pela obstru o da via lacrimal apresentamep fora, dores agudas e tumefa o, principalmente na regi o do saco lacrimal, ocasio-nando ainda ectasia do mesmo em grau vari vel, podendo culminar com fistuliza ocut nea.

2 Ao exame por imagem, utilizamos rotineiramente a dacriocistografia, querepresenta um timo meio de indicar a t cnica cir rgica mais vi vel. Adacriocistorrinostomia indicada assim que for tratado o quadro cl nico agudo infla-mat : Dacriocistite ; Dacriocistorinostomia/m todos; Doen as do aparelho lacri-mal/fisiopatologia; Obstru o dos ductos lacrimais/cirurgia; Relatos de casos1M dica Oftalmologista Colaboradora do Setor de Vias Lacrimais da Universidade Federal de S o Paulo - UNIFESP - S o Paulo (SP),Brasil;2 Chefe do Setor de Vias Lacrimais da Universidade Federal de S o Paulo - UNIFESP - S o Paulo (SP), Brasil.

3 Trabalho realizado no Setor de Vias Lacrimais da Universidade Federal de S o Paulo - UNIFESP - S o Paulo (SP), para publica o em: 8/2/2010 - Aceito para publica o em 21/9/2010 relato DE CASORev Bras Oftalmol. 2011; 70 (1): 37-4038 Figura 1: Abaulamentoem canto medial do olhodireitoINTRODU OA obstru o da via lacrimal no adulto pode serclassificada em duas fases: a prim ria, queapresenta um infiltrado linfoplasmocit rio quevem a culminar com um processo cicatricial; e a secun-d ria, que se caracteriza por apresentar um carcinomanasofar ngeo e basocelular de canto interno, fraturasmediofaciais, leucemia, sarcoidose, tuberculose, tracoma,S ndrome de Down, S ndrome de Steven-Johnson,leishmaniose, lepra, linfoma, migra o de plugs eiatrogenias)(1).

4 As manifesta es cl nicas da obstru o do ductonasolacrimal cursa com ep fora, seguida por processoinflamat rio e infeccioso, levando ao quadro dedacriocistite cr nica(2).A Dacriocistite aguda surge a partir de um pro-cesso inflamat rio cr nico, culminando com a oclus odo canal culo comum, surgindo em consequ ncia umabscesso no interior do saco, apresentando tumora odolorosa, abaixo do ligamento palpebral medial e celu-lite orbit ria pr -septal nos casos ipsilateral, n o ocor-rendo refluxo de secre o purulenta. H casos de ex-pans o para a rbita, causando abscesso intraconal comproptose do bulbo ocular e trombose do seio agentes etiol gicos mais frequentes desta patologias o: Staphylococcus aureus, Streptococcus beta-hemol tico, Pneumococcus e Haemophilus diagn stico realizado com base nas manifesta escl nicas, sendo comum em hist ria pregressa dedacriocistite cr nica(23).

5 O tratamento consiste na apli-ca o de compressas geladas sobre a rea inflamada euso de antibi ticos sist micos. A dacriocistorrinostomia necess ria ap s o controle da infec o(3-5).A Dacriocistite mais frequente nas mulheres, rarana ra a negra e apresenta predisposi o heredit ria(6).Manifesta-se com ep fora, s vezes, com conjuntivitecr nica ou recorrente, ocasionando edema indolor nocanto medial, abaixo do ligamento palpebral vez que a secre o purulenta se acumula no interi-or do saco lacrimal, ocasiona uma ectasia, apresentandoum abaulamento c stico sob a pele. Uma compress o naregi o do saco lacrimal resulta em refluxo de materialpurulento para o f rnice.

6 O paciente se queixa de turva- o visual, devido ao aumento da espessura do filmelacrimal. Os agentes etiol gicos mais frequentes destapatologia s o: Staphylococcus aureus e Staphylococcusepidermitis(7,8). Em rela o ao tratamento, s o recomen-dadas medidas de higiene, associadas a col riosantiss pticos e antibi ticos. O tratamento definitivo ocir rgico (dacriocistorrinostomia externa ou endonasal)O diagn stico diferencial da Dacriocistite se fazcom abscessos cut neos, etmoidite anterior aguda,derm ides, hemangiomas cavernoso, fibromas,daciolit ase e mucocele de saco lacrimal(8,9).O objetivo desta apresenta o relatar dois ca-sos de dacriociste aguda, sendo que no primeiro casoocorreu uma grande ectasia do saco lacrimal e no se-gundo evoluiu para uma grande f stula cut nea com enor-me quantidade de secre o DE CASOSCaso 1 VST, 26 anos, sexo feminino, parda, natural e pro-cedente de S o Paulo, estudante.

7 Apresenta queixa delacrimejamento em olho direito e abaulamento em can-to medial ipsilateral h 1 ano (Figura 1). Hist riapregressa: Iniciou quadro de abaulamento em cantomedial do olho direito, quando ent o procurou o setor devias lacrimais da UNIFESP, onde foi prescrito Cefaclor500mg de 8/8h por 10 dias, associado com Teflan, 1 com-primido ao dia por 5 dias. Ap s o procedimento a pacien-te evoluiu para f stuliza o cut nea a qual se cicatrizouap s 3 meses. importante salientar que no ambulat rio de viaslacrimais da UNIFESP foram solicitados os exames: res-son ncia magn tica (Figura 2), cujo laudo apontava: for-ma o ovalada no canto nferomedial da rbita direita,de contornos regulares, medindo cerca de 2,6x2,1x1,3cm e ultrassom (Figura 3) cujo laudo foi les o c sticaextraocular, em canto nferomedial da rbita direita,medindo no di metro horizontal 16,1mm e no vertical22,9mm, com afinamento da parede ssea do ossoLorena SHT, Silva JAFRev Bras Oftalmol.

8 2011; 70 (1): 37-4039 Figura 2: Resson ncia magn tica: forma o ovalada no canto nferomedial da rbita direita, de contornos regulares, medindocerca de 2,6x1x1,3cmFigura 3: Ultrassonografia ocular: les o c stica extraocular, emcanto nferomedial da rbita direita, medindo no di metro hori-zontal 16,1mm e no vertical 22,9mm, com afinamento da parede ssea do osso etmoidalFigura 4: Observa-se grande f stulacut nea em regi omedial da rbita es-querdaetmoidal. No dia 24 de julho de 2009 foi submetida dacriocistorrinostomia sem intercorr 2 DBCS, 40 anos, feminina, branca, casada, manicu-re, natural e procedente de Ca ul (Bahia).

9 Queixava-se de ulcera o em canto medial do olho esquerdo h 2semanas. Referia lacrimejamento em olho esquerdo h 15 anos e h 10 anos refluxo de secre o purulenta, quan-do comprimia a regi o do saco lacrimal exame apresentava vis o igual a 1,0 em am-bos os olhos, aus ncia de proptose ocular, movimentoextraocular preservado, hiperemia e edema em cantolateral da rbita esquerda associado com enorme f stulacut nea (Figura 4) ; Teste de Milder:OD:+1;OE:+4 e Re-fluxo:-OE. Nesta ocasi o , foi prescrito: Cefaclor 500mg8/8h por 10 dias e Teflan 1 cp 12/12h e solicitados: TC ecultura da secre o. O resultado da cultura foi positivopara Staphilococcus aureus e Haemophilus influenzae ea TC de seios paranasais esquerdo, em corte axial, evi-denciou espessamento e realce da regi o pr -septalorbit ria.

10 Em 15 dias houve o fechamento da f stula,momento em que foi solicitado uma dacriocistografia,que revelou obstru o da via lacrimal excretora ao n -vel da v lvula de Krause, sendo ent o, realizada OA primeira crise aguda ocorre ap s umadacriocistite cr nica(1). A incid ncia de obstru o da vialacrimal aumenta com a idade. Segundo a literatura, aos90 anos de idade, cerca de 35% a 40% apresentam estaobstru o, uma vez que nesta idade h uma diminui ona produ o da l crima, levando a uma m lubrifica oda mucosa do saco lacrimal e do ducto nasolacrimal,ocorrendo descama es e fibrose, culminando com obs-tru o da via lacrimal excretora(2,3).


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