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EDUCAÇÃO AMBIENTAL, QUALIDADE DE VIDA E ... - SciELO

EDUCA O AMBIENTAL, QUALIDADE DE VIDA E SUSTENTABILIDADE Maria Cec lia Focesi Pelicioni* RESUMO: O presente artigo procura mostrar que uma nova vis o de mundo est ganhando cada vez mais espa o entre as pessoas por meio da Educa o Ambiental, a qual objetiva a melhoria da QUALIDADE de vida no planeta. A Educa o Ambiental busca a valoriza o da vida, a forma o de um novo estilo de vida, sem consumismo excessivo, sem o desperd cio de recursos e sem degrada o ambiental. Apresen-ta tamb m a opini o de alguns autores a respeito do "desenvolvimento sustent -vel" como uma forma de crescimento econ mico aliada justi a social e satisfa- o das necessidades dos exclu dos. PALAVRAS-CHAVE: educa o ambiental, QUALIDADE de vida e sustentabilidade. * Profa. Dra. do Departamento de Pr tica de Sa de P blica da Faculdade de Sa de P blica da USP e Diretora de Pol ticas P blicas da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente da PMSP.

EDUCAÇÃO AMBIENTAL, QUALIDADE DE VIDA E SUSTENTABILIDADE Maria Cecília Focesi Pelicioni* RESUMO: O presente artigo procura mostrar que uma nova visão de mundo está

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  Davis, Qualidade, E qualidade de vida

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1 EDUCA O AMBIENTAL, QUALIDADE DE VIDA E SUSTENTABILIDADE Maria Cec lia Focesi Pelicioni* RESUMO: O presente artigo procura mostrar que uma nova vis o de mundo est ganhando cada vez mais espa o entre as pessoas por meio da Educa o Ambiental, a qual objetiva a melhoria da QUALIDADE de vida no planeta. A Educa o Ambiental busca a valoriza o da vida, a forma o de um novo estilo de vida, sem consumismo excessivo, sem o desperd cio de recursos e sem degrada o ambiental. Apresen-ta tamb m a opini o de alguns autores a respeito do "desenvolvimento sustent -vel" como uma forma de crescimento econ mico aliada justi a social e satisfa- o das necessidades dos exclu dos. PALAVRAS-CHAVE: educa o ambiental, QUALIDADE de vida e sustentabilidade. * Profa. Dra. do Departamento de Pr tica de Sa de P blica da Faculdade de Sa de P blica da USP e Diretora de Pol ticas P blicas da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente da PMSP.

2 Av. Dr. Arnaldo, 715 - t rreo - S o Paulo - SP CEP 01246-904 EDUCA O AMBIENTAL De acordo com a Primeira Confer ncia Intergovemamental sobre Educa o Ambiental, realizada em 1977 em Tbilisi, Georgia (ex URSS) a educa o ambiental considerada um processo permanente, no qual os indiv duos e a comunidade tomam consci ncia do meio ambiente e adquirem os conhecimentos, os valores, as habilida-des, as experi ncias e a determina o que os tomam aptos a agir individual e coletiva-mente para resolver problemas ambientais presentes e futuros (DIAS, 1992, p. 92). Foi definida como uma dimens o dada ao conte do e pr tica da educa o, orientada para a resolu o dos problemas concretos do meio ambiente atrav s de enfoques interdisciplinares e de uma participa o ativa e respons vel de cada indiv duo e da coletividade.

3 Essa defini o adotada no Brasil e pela maioria dos pa ses mem-bros da Organiza o das Na es Unidas-ONU (DIAS, 1994, p. IX). A Educa o Ambiental, de acordo com DIAS (1994), se caracteriza por incorpo-rar as dimens es sociais, pol ticas, econ micas, culturais, ecol gicas e ticas, o que significa que ao tratar de qualquer problema ambiental, deve-se considerar todas as dimens es. E continua o autor .."a maior parte dos problemas ambientais tem suas ra zes na mis ria, que por sua vez gerada por pol ticas e problemas econ micos concentradores de riqueza e respons veis pelo desemprego e degrada o ambientar. Entre as orienta es de Tbilisi destaca-se ainda que a Educa o Ambiental deve considerar o meio ambiente em sua totalidade, em seus aspectos naturais e criados pelo homem. Enquanto processo cont nuo e permanente a Educa o Ambiental, deve atingir todas as fases do ensino formal e n o formal; deve examinar as quest es ambientais do ponto de vista local, regional, nacional e internacional, analisando suas causas, conseq ncias e complexidade.

4 Deve tamb m, desenvolver o senso cr tico e as habilidades humanas necess rias para resolver tais problemas e utilizar m todos e estrat gias adequadas para aquisi o de conhecimentos e comunica o, valorizando as experi ncias pessoais e enfatizando atividades pr ticas delas decorrentes (DIAS, 1994). Das recomenda es do Semin rio Latino-americano realizado em Buenos Aires, Argentina em 1988, algumas completam as orienta es acima descritas: a Educa o Ambientai deve fazer parte da pol tica ambiental dos pa ses; adaptar-se s caracter sti-cas culturais espec ficas das popula es envolvidas no processo educativo; deve consi-derar o contexto de subdesenvolvimento dos pa ses da Am rica do Sul e se transformar num instrumento id neo para a integra o e o apoio m tuo entre as na es da regi o. Deve tamb m salientar a necessidade de cria o de um novo estilo de desenvolvimento que inclua crescimento econ mico, igualdade social e conserva o de recursos natu-rais, capaz de propiciar rela es mais humanas, fraternas e justas entre os homens, e destes com o seu entorno natural, atingindo n veis crescentes de QUALIDADE de vida (DIAS, 1994, XIV).

5 J durante a Confer ncia das Na es Unidas sobre o Meio AMbiente e o De-senvolvimento realizado no Rio de Janeiro em 1992 recomendou-se que a educa o ambiental deveria: reorientar a educa o para o desenvolvimento sustent vel de forma a compatibilizar objetivos sociais de acesso s necessidades b sicas; com objetivos ambientais de preserva o da vitalidade e diversidade do planeta garantindo como direi-to aos cidad os um ambiente ecologicamente saud vel e com objetivos econ micos; aumentar a conscientiza o popular; considerar o analfabetismo ambiental e promover treinamento. As organiza es n o governamentais reunidas no F rum Global da Rio-92 for-mularam o trabalho de Educa o Ambiental para Sociedades Sustent veis e Responsa-bilidade Global que estabeleceram alguns princ pios, dos quais pode-se citar - a educa o ambiental um direito de todos, somos todos aprendizes e educa-dores; - deve ter como base o pensamento cr tico e inovador em qualquer tempo ou lugar em seus modos formal, n o formal e informal promovendo a transforma o e a constru o da sociedade.

6 - individual e coletiva. Tem o prop sito de formar cidad os com consci ncia local e planet ria que respeitem a autodetermina o dos povos e a soberania das na- es; - a educa o ambiental n o neutra, mas ideol gica; - deve integrar conhecimentos, aptid es, valores, atitudes e a es, convertendo cada oportunidade em experi ncias educativas de sociedades sustent veis. A educa o ambiental tem como objetivo, portanto, formar a consci ncia dos cidad os e transformar-se em filosofia de vida de modo levar a ado o de comporta-mentos ambientalmente adequados, investindo nos revursos e processos ecol gicos do meio ambiente. A educa o ambiental, deve necessariamente transformar-se em a o. Enquanto pr tica pol tico-pedag gica, a Educa o Ambiental determinada his-t rica e socialmente, pretende possibilitar o desenvolvimento e a escolha de estrat gias de a o, que venham contribuir para a constru o do processo de cidadania e para a melhoria da QUALIDADE de vida da popula o.

7 QUALIDADE DE VIDA A Organiza o Mundial da Sa de-OMS (1996) define QUALIDADE de Vida como as percep es individuais sobre sua posi o de vida no contexto dos sistemas de cultu-ra e de valores em que vivem, e em rela o s suas metas, expectativas, padr es e preocupa es. um conceito abrangente, que incorpora de uma forma complexa, a sa de f sica, o estado psicol gico, o n vel de depend ncia, as rela es sociais, as cren- as pessoais e o relacionamento com caracter ticas que se destacam no ambiente. Esta defini o mostra as vis es que referem a QUALIDADE de vida como uma avalia o subjetiva que induz dimens es positivas e negativas e que se apoia no contex-to cultural, social e ambiental. A OMS define seis dom nios mais amplos que descrevem os aspectos centrais da QUALIDADE de vida que atravessam as culturas: um dom nio f sico (energia, fadiga), um dom nio psicol gico (sentimentos positivos), o n vel de inde-pend ncia (mobilidade), as rela es sociais (apoio social pr tico), o ambiente (acessibi-lidade aten o sa de) e as cren as pessoais/espiritualidade (sentido da vida).

8 Os dom nios da sa de e da QUALIDADE de vida s o complementares e se sobrep em. A QUALIDADE de vida reflete a percep o dos indiv duos de que suas necessida-des est o sendo satisfeitas e que eles n o t m negadas oportunidades para atingir a felicidade e a plenitude, com rela o ao status f sico de sa de, ou as condi es sociais ou econ micas. A meta de se melhorar a QUALIDADE de vida, ao lado da preven o de problemas de sa de evit veis, tem uma import ncia cada vez maior na promo o da sa de. Isso particularmente importante para o atendimento das pessoas idosas, das pessoas com doen as cr nicas, dos doentes terminais e dos deficientes (OMS, 1998, p. 31). QUALIDADE de vida a express o que define o grau de satisfa o atingido pelos indiv duos ou popula o, no que diz respeito s suas necessidades consideradas funda-mentais.

9 A somat ria de fatores decorrentes da intera o entre sociedade e ambiente, atingindo a vida no que concerne s suas necessidades biol gicas, ps quicas e sociais inerentes e/ou adquiridas (COIMBRA, 1985). Se expressa mediante a utiliza o de indicadores sociais concretos e objetivos como a taxa de desemprego, a densidade populacional e outros subjetivos, abstratos, baseados em informa es colhidas diretamente dos indiv duos que comp em uma po-pula o em estudo. N o h como dissociar QUALIDADE de vida do comportamento do indiv duo e da sociedade, resultante da sua organiza o e do seu desenvolvimento cul-tural (PELICIONI, 1995, p. 40). Cultura aqui, entendida como o resultante do crescimento praticamente infinito do conhecimento humano. Para FORATTINI (1991), QUALIDADE de vida, em sua ess ncia, se traduz ent o, pela satisfa o em viver.

10 De acordo com esse autor, "o estado de satisfa o ou insatis-fa o constitue na verdade, experi ncia de car ter pessoal e est ligado ao prop sito de obten o de melhores condi es de vida. O grau de ajustamento s situa es existen-tes, ou ent o, o desejo de mudan a, poder o servir para avaliar a presen a ou aus ncia de satisfa o". Para H RNQUIST (1990) o grau de satisfa o de necessidades nas reas f sica, psicol gica e social. Essas necessidades podem ser concretas e dizem respeito a reas mais gen ricas como alimenta o e moradia, enquanto que as outras, s o de natureza mais particular como a auto-estima e a auto-realiza o. Podemos considerar como determinantes da QUALIDADE de vida: 1. os determinantes org nicos ou biol gicos que dizem respeito sa de e doen a; 2. os psicol gicos tais como obem-estar e a percep o, a identidade, a auto-estima, o estado emocional e a afetividade, o aprendizado e a criatividade, o conheci-mento e a habilidade; 3.


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