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Politecnia e formação integrada - SciELO

Politecnia e forma o integrada : confrontos conceituais, projetos pol ticos e contradi es hist ricas da educa o brasileira*. DANTE HENRIQUE MOURA. Instituto Federal de Educa o, Ci ncia e Tecnologia do Rio Grande do Norte, Natal, RN, Brasil DOMINGOS LEITE LIMA FILHO. Universidade Tecnol gica Federal do Paran , Curitiba, PR, Brasil M NICA RIBEIRO SILVA. Universidade Federal do Paran , Curitiba, PR, Brasil RESUMO. Neste artigo se discute a problem tica da forma o humana no contexto do ensino m dio, etapa final da educa o b sica brasileira. Parte-se do pressuposto de que o objetivo a ser alcan ado, na perspectiva de uma sociedade justa, a forma o onila- teral, integral ou polit cnica.

Politecnia e formação integrada: confrontos conceituais, projetos políticos e contradições históricas da educação brasileira* DANTE HENRIQUE MOURA

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1 Politecnia e forma o integrada : confrontos conceituais, projetos pol ticos e contradi es hist ricas da educa o brasileira*. DANTE HENRIQUE MOURA. Instituto Federal de Educa o, Ci ncia e Tecnologia do Rio Grande do Norte, Natal, RN, Brasil DOMINGOS LEITE LIMA FILHO. Universidade Tecnol gica Federal do Paran , Curitiba, PR, Brasil M NICA RIBEIRO SILVA. Universidade Federal do Paran , Curitiba, PR, Brasil RESUMO. Neste artigo se discute a problem tica da forma o humana no contexto do ensino m dio, etapa final da educa o b sica brasileira. Parte-se do pressuposto de que o objetivo a ser alcan ado, na perspectiva de uma sociedade justa, a forma o onila- teral, integral ou polit cnica.

2 A problem tica se estabelece em torno da quest o: . poss vel caminhar nessa dire o em uma sociedade capitalista e perif rica como a do Brasil? Trata-se de pesquisa bibliogr fica que recorreu a pensadores cl ssicos do campo da sociologia e da educa o com vistas a discutir conceitualmente os termos enunciados, notadamente Politecnia e forma o humana integral . A partir disso, se analisa-se a possibilidade do ensino m dio integrado como travessia na dire o pretendida. As conclus es sinalizam que, em que pesem as dificuldades e os embates que marcam a trajet ria educacional brasileira, cumpre reiterar a defesa de processos formativos emancipat rios, entre os quais se destaca a forma o integral e integrada .

3 PALAVRAS-CHAVE. ensino m dio; forma o humana integral; Politecnia ; ensino m dio integrado. * Texto apresentado como trabalho encomendado pelo Grupo de Trabalho Trabalho e Educa o (GT-09), na 35 Reuni o Anual da Associa o Nacional de P s-Gradua o e Pesquisa em Educa o (ANPEd), em Porto de Galinhas/PE, 2012. Revista Brasileira de Educa o v. 20 n. 63 2015 1057. Dante Henrique Moura, Domingos Leite Lima Filho e M nica Ribeiro Silva Polytechnic and integrated training: conceptual clashes, political projects and historical contradictions of Brazilian education ABSTRACT. The article discusses the problems with students development, in high school the final stage of basic education in Brazil.

4 This is on the assumption that the objective to be achieved, from the perspective of a just society is the onilateral, integral or polytechnic development. And, this is the question: is it possible to walk in this direction in a peripheral capitalist society like Brazil? This is a literature search that appealed to classic authors in the field of sociology and education in order to conceptually discuss the stated terms, notably polytechnic and integral human development . Therefore, we discuss the integrated school as a bridge in the intended direction. The findings indicate that in spite of the difficulties and conflicts within Brazilian education its progress reiterates the defense of emancipatory educational processes among which stands out integrated education.

5 KEYWORDS. high school; integral human development; polytechnic; integrated high school. Formaci n polit cnica y formaci n integrada : enfrentamientos conceptuales, proyectos pol ticos y las contradicciones hist ricas de la educaci n brasile a RESUMEN. Se analiza la formaci n humana, especialmente en la escuela secundaria que es la parte final de la educaci n b sica en Brasil. Se asume el supuesto de que el objetivo a alcanzar, en la perspectiva de una sociedad justa es la formaci n onilateral, integral o polit cnica. Se pregunta: es posible caminar en esa direcci n en una sociedad capitalista perif rica como Brasil?

6 Es una investigaci n que hizo un llamamiento a los autores cl sicos en el campo de la sociolog a y educaci n con el fin de discutir los t rminos establecidos, en particular el polit cnico y desarrollo humano integral . Ante este estudio, se discute la integraci n entre la escuela secundaria y la ense anza t cnica, como una posibilidad de traves a hacia la formaci n onilateral. Los resultados indican que, a pesar de las dificultades y conflictos que hacen la trayectoria educativa brasile a cumple reiterar la defensa de los procesos educativos emancipadores entre las que destaca la formaci n integral e integrada .

7 PALABRAS CLAVE. ense anza secundaria; formaci n humana integral; Politecnia ; ense anza secundaria integrada . 1058 Revista Brasileira de Educa o v. 20 n. 63 2015. Politecnia e forma o integrada Trabalho, forma o humana e educa o escolar sob a gide do capital: algumas aproxima es Neste texto, refletimos sobre a forma o humana na sociedade brasileira, principalmente na fase de escolariza o que corresponde ao final da educa o b sica: o ensino m dio. A quest o complexa, pois a problem tica da forma o humana n o nasce nem se encerra no sistema educacional. a necessidade vital de produzir a pr pria exist ncia por meio do trabalho o determinante para que os seres humanos dominem os conhecimentos e as pr ticas sociais necess rios a essa produ o, ou seja, preciso que sejam formados, n o obrigatoriamente em institui es especificamente destinadas a esse fim.

8 Por isso, a escola apresentou-se inicialmente inessencial', um luxo e n o uma necessidade prim ria (Manacorda, 2007, p. 23). A forma o produto das rela es sociais e de produ o, e a escola, espa o institucionalizado onde tamb m existe parte dela, fruto de tais rela es. Dessa forma, n o foi essencial, inicialmente, mas um luxo, porque foi concebida para atender aos interesses de uma determinada classe, a dos dirigentes. Por ter em sua g nese esse corte de classe e n o da totalidade social, a escola tende a descolar-se da sociedade, ao mesmo tempo em que reflete suas contradi es. Na atual fase de desenvolvimento das for as produtivas, ancoradas na ci ncia, na t cnica e na tecnologia, sob o dom nio do sistema capital, a escola vem tornando-se essencial sociabilidade humana.

9 Precisamente por isso, seu car ter classista agudiza-se. Isso porque a necessidade de valoriza o do capital, a partir da propriedade privada dos meios de produ o (Kuenzer, 2010, p. 861) demanda a divis o entre trabalho intelectual e manual como estrat gia de subordina o, tendo em vista a valoriza o do capital (idem, ibidem). Em decorr ncia, a divis o social e t cnica do trabalho constitui-se estrat gia fundamental do modo de produ o capitalista, fazendo com que seu metabolismo requeira um sistema educacional classista e que, assim, separe trabalho intelectual e trabalho manual, trabalho simples e trabalho complexo, cultura geral e cultura t cnica, ou seja, uma escola que forma seres humanos unilaterais, mutilados, tanto das classes dirigentes como das subalternizadas.

10 Claro que isso n o ocorre de forma mec nica, mas em uma rela o dial tica em raz o das for as que est o em disputa e que, em alguma medida, freiam parte da gan ncia do capital. Como, ent o, pensar uma escola que atenda aos interesses da classe trabalhadora e que, portanto, seja voltada para a forma o humana integral, onilateral, conforme a tradi o marxiana (e marxista)? Materializ -la em uma sociedade capitalista . poss vel? Quais os limites? Cabe pens -la como parte da estrat gia de luta em favor dos trabalhadores em dire o a outra sociedade? Na busca de pistas que possam contribuir para formular poss veis respostas a essas perguntas, recorremos a autores como Karl Marx, Friedrich Engels, Antonio Gramsci, Mario Manacorda, Luc lia Machado, Gaud ncio Frigotto, Ac cia Kuenzer, Paolo Nosella, Dermeval Saviani, Jos.


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