Transcription of ˘ˇˆ ˙˙˙˝˛˚˜˝ ˚˜˝!!˚˜ ˘ˇ ˆ - SciELO
1 507 Rev Sa de P blica 2005;39(3) todos qualitativos e quantitativos na reada sa de: defini es, diferen as e seus objetosde pesquisaQualitative and quantitative methods in health:definitions, differences and research subjectsEgberto Ribeiro TuratoLaborat rio de Pesquisa Cl nico-Qualitativa. Faculdade de Ci ncias M dicas. Universidade Estadualde Campinas. Campinas, SP, BrasilCorrespond ncia para / Correspondence to:Egberto Ribeiro TuratoRua Carlos Guimar es, 230 Apto 8213024-200 Campinas, SP, BrasilE-mail: em 24/11/2004. Aprovado em 5/4 biom dica, m qualitativa. research, research. e realiza es referentes a pesquisas qualitativas t m sido crescentes nocampo da sa de. Por conseq ncia, tem havido maior demanda para os programasde pesquisa institucional e para publica es nos peri dicos cient ficos.
2 Frente a estarealidade, o presente artigo teve os seguintes objetivos: (a) apresentar defini es dem todos qualitativos usados nas Ci ncias do Homem e nas Ci ncias da Sa de; (b)compar -los com os m todos quantitativos comuns das Ci ncias da Sa de; (c)ilustrar o assunto com os constructos mais importantes nesses campos metodol o fornecidos crit rios para julgar a pertin ncia do caminho percorrido pelospesquisadores qualitativistas, desde a elabora o do plano de pesquisa at ainterpreta o dos interest and accomplishments in qualitative research have been increasing inhealth. As a consequence, there is a greater demand for both institutional researchprograms and scientific journal publications. This article has the following purposes:(a) to present some definitions in qualitative methods used in Humanities andHealth; (b) to compare them to the usual quantitative methods of health sciences;and, finally, (c) to illustrate the subject with the most important constructs in thesemethodological fields.
3 Above all, the author s scope was to provide criteria toevaluate the pertinence of the path taken by qualitative researchers, from researchplan elaboration to result OTem-se deparado, de modo crescente, com interes-ses e com realiza es de pesquisas qualitativas nocampo da sa de. Em conseq ncia, h uma maiordemanda na busca dos programas de pesquisa insti-tucional, assim como na procura de congressos aca-d micos e peri dicos cient ficos, respectivamente,para viabilizar projetos e divulgar os resultados deseus trabalhos. Na ltima d cada, as pesquisas quali-tativas tornaram-se bem aceitas pelos jornais m di-cos. Por m, em pocas passadas, esses pesquisadorestinham os manuscritos rejeitados devido aos traba-lhos serem considerados n o-cient ficos.
4 Era comose consistissem apenas de hist rias curiosas contadaspor pessoas sobre os eventos de suas vidas, sem preo-cupa es sistem ticas, isto , como se aquelas fos-sem de car ter aned em dia, felizmente muitas revistas cient ficasdivulgam pesquisas qualitativas de modo exemplo, a Revista de Sa de P blica, renomado508 Rev Sa de P blica 2005;39(3) todos qualitativos e quantitativos em sa ERperi dico brasileiro, possui at mesmo um roteiro deavalia o de artigos qualitativos para seus consulto-res. Atualmente, f cil encontrar profissionais de sa -de que n o somente d em import ncia aos m todosqualitativos na medicina, mas tamb m reconhecemsua ajuda para melhor compreender a vida dos paci-entes. Da mesma forma, uma quantidade crescentedos pr prios pesquisadores m dicos est usando taism Isso n o significa, necessariamente, queos m todos qualitativos estejam bem compreendi-dos e utilizados por eles, pois alguns investigadoresapresentam seus relat rios qualitativos usando con-clus es do senso comum, entre outros a esses desafios, fazia-se necess rio um arti-go tutorial que discutisse a metodologia da investi-ga o qualitativa, trazendo aos leitores suas mais im-portantes defini es.
5 Complementarmente, tais defi-ni es necessitariam ser comparadas com os cl ssi-cos conceitos das pesquisas convencionais de campo tais como as epidemiol gicas e com outros proce-dimentos de levantamentos cient ficos constru doscom mensura es e ferramentas matem ticas em ge-ral. E finalmente, o p blico acad mico poderia me-lhor discriminar os temas e constructos atualmentemais procurados nesses campos metodol objetivo preciso do presente texto , portanto,servir ao discernimento e ao aprofundamento sobrea tem tica do m todo qualitativo, com um recortede objeto para empreg -lo no entendimento dosetting e do processo sa de-doen a. Os alvos s o osleitores e os consumidores destas produ es cient -ficas para terem maior clareza de crit rios no julga-mento da pertin ncia do caminho percorrido pelospesquisadores qualitativistas, desde o plano de pes-quisa, passando pela coleta de dados, at a interpre-ta o dos resultados.
6 Igualmente, o presente artigocarrega o escopo de fornecer subs dios queles aca-d micos que pretendem elaborar seus projetos deinvestiga o qualitativa, para que o fa am no rigoresperado para qualquer gera o de conhecimentosem ci ncia. Assim, seguem-se as defini es concer-nentes, um comparativo entre as metodologias qu lie qu nti; finalizando com uma diversificada listade elabora es conceituais, pr prias dos vocabul -rios de cada m HIST RICOSC onsidere-se que o discurso das Ci ncias Naturais a F sica, a Qu mica, a Biologia e as numerosas ci n-cias derivadas, dentre elas as Ci ncias M dicas mescla-se com o entendimento dos m todos quanti-tativos ou explicativos. Da mesma forma, a discuss osobre as Ci ncias do Homem e da Cultura mistura-secom a discuss o sobre m todos qualitativos ou com-preensivos.
7 O pensamento cient fico moderno, comose sabe, nasceu h quase quatro s culos, com ele se deve o legado de ter conferido autonomia Ci ncia, distinguindo-a da Filosofia e da Religi o,delimitando assim qual seria seu objeto, objetivo em todo (observa o, experimenta o e indu o).8 Aci ncia estabeleceu-se, desde ent o, no objeto espe-c fico das coisas da natureza, ou seja, no estudo dasleis que enunciam as liga es dos fen menos entresi, enquanto a filosofia deveria ocupar-se das ques-t es ontol gicas (do ser enquanto ser) e, por fim, areligi o manteria as chamadas verdades religiosascomo seu sua vez, a hist ria dos m todos qualitativosou compreensivos mais recente. H pouco mais deum s culo, juntando-se com o in cio das id ias dese criarem as Ci ncias Humanas, surgem em contra-ponto s ent o j organizadas Ci ncias seus m todos qualitativos, a disciplina de An-tropologia desenvolveu a chamada etnografia, cujarevolu o ocorreu nos anos 20 com as publica esde Esse antrop logo permaneceu al-guns anos convivendo com nativos da Oceania, ob-servando participativamente o que l ocorria.
8 A par-tir deste fato, a hist ria da ci ncia atribuiu-lhe opioneirismo na metodologia cient fica qualitativa,j que ele procurou descrever sistematicamentecomo havia obtido seus dados e como ocorria a ex-peri ncia de , entretanto, deve-se dar m rito aMarx e a Freud por terem propiciado importantescortes epistemol gicos para compreens es novas eprofundas do ser humano, permitido estudos cient -ficos aut nomos para as Ci ncias Humanas. Essespensadores constru ram escolas que, respectivamen-te, ergueram o v u que oculta os mecanismos da Ide-ologia atuante nos grupos da sociedade e tiraram am scara que esconde os mecanismos do Inconscien-te atuante no mundo ps quico dos indiv Con-tribu ram decisivamente para a sustenta o dacientificidade das Ci ncias Humanas, nas quais seencontra o l cus da constru o metodol gica da pes-quisa USUAIS DE M TODOSQUALITATIVOSM etodologicamente, para explicar cientificamen-te os fen menos relacionados a drogadi o, por exem-plo, pesquisadores utilizam psiquiatria, epidemiolo-gia ou farmacologia cl nica.
9 Mas para compreender oque a depend ncia qu mica significa para a vida dodoente, este um tema para os investigadores quali-509 Rev Sa de P blica 2005;39(3) todos qualitativos e quantitativos em sa ERtativistas, que podem ser: o psic logo, o psicanalis-ta, o soci logo, o antrop logo ou o educador. Entre-tanto, seria interessante que os pr prios profissionaisde sa de pudessem empregar m todos qualitativos,com a vantagem de que eles j trazem devido a suaexperi ncia em assist ncia as inerentes atitudes cl -nica e Isso permitir que eles realizemricos levantamentos de dados e fa am interpreta esde resultados com grande outro lado, decisivo que se trabalhe comnitidez a concep o do m todo qualitativo de pes-quisa, pois n o se conv m imitar ingenuamente oentendimento que se traz de outras abordagens in-vestigativas.
10 Deve-se, assim, evitar assertivas des-tes tipos: m todo de pesquisa que n o lan a m o derecursos como n meros, c lculos de percentagem,t cnicas estat sticas, tabelas, amostras numericamen-te representativas, ensaios rand micos, question -rios fechados ou escalas de avalia o. Tentar definirpela via da nega o n o constitui obviamente umadefini Tamb m n o o caso de dizer, como secostuma concluir de modo intuitivo, que o m todoqualitativo usado para estudar a qualidade deum objeto. No contexto da metodologia qualitativaaplicada sa de, emprega-se a concep o trazidadas Ci ncias Humanas, segundo as quais n o se bus-ca estudar o fen meno em si, mas entender seu sig-nificado individual ou coletivo para a vida das pes-soas. Torna-se indispens vel assim saber o que osfen menos da doen a e da vida em geral represen-tam para elas.