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Temas ambientais relevantes - SciELO

ESTUDOS AVAN ADOS 20 (56), 2006107 Introdu oSTE TRABALHO, apresentado originalmente no semin rio Brasil: O Pa s noFuturo 2022 , uma contribui o espec fica para que a modelagem pro-posta de uma previs o do Brasil nos pr ximos dezessete anos possa serpensada e enriquecida com os Temas da agenda ambiental, cujo impacto, a nossover, crucial e determinante para o futuro. Em nossa an lise, o projeto prospec-tivo deve levar em conta as conseq ncias pol ticas, econ micas e sociais dastransforma es globais e dos biomas brasileiros, as quais fatalmente modificar oos vetores de uma an lise simplesmente geopol seriam os Temas ambientais mais relevantes para o Brasil? A rigor, to-do ser humano (para n o generalizar, todo ser vivo ) relaciona-se inexoravelmentecom o ambiente, alterando-o de alguma forma. Demonstrar as intera es coevo-lutivas entre o ser humano e o ambiente seria uma abordagem interessante paratra ar as rupturas num cen rio futuro, mas se afastaria do objetivo deste traba-lho.

ESTUDOS AVANÇADOS 20 (56), 2006 109 Exploração excessiva de espécies de plantas e animais A superexploração de recursos naturais tem causado ameaça a muitas es-pécies. Os exemplos mais corriqueiros são o mico-leão, o pau-brasil, a palmeira

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  Ambientais

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1 ESTUDOS AVAN ADOS 20 (56), 2006107 Introdu oSTE TRABALHO, apresentado originalmente no semin rio Brasil: O Pa s noFuturo 2022 , uma contribui o espec fica para que a modelagem pro-posta de uma previs o do Brasil nos pr ximos dezessete anos possa serpensada e enriquecida com os Temas da agenda ambiental, cujo impacto, a nossover, crucial e determinante para o futuro. Em nossa an lise, o projeto prospec-tivo deve levar em conta as conseq ncias pol ticas, econ micas e sociais dastransforma es globais e dos biomas brasileiros, as quais fatalmente modificar oos vetores de uma an lise simplesmente geopol seriam os Temas ambientais mais relevantes para o Brasil? A rigor, to-do ser humano (para n o generalizar, todo ser vivo ) relaciona-se inexoravelmentecom o ambiente, alterando-o de alguma forma. Demonstrar as intera es coevo-lutivas entre o ser humano e o ambiente seria uma abordagem interessante paratra ar as rupturas num cen rio futuro, mas se afastaria do objetivo deste traba-lho.

2 Os Temas ambientais mais relevantes para o Brasil foram escolhidos de acor-do com o ponto de vista e a experi ncia dos autores e analisados, segundo seusimpactos para a natureza. Para os pr ximos 20-30 anos, alguns dos Temas rele-vantes, sem ordem de prioridade, s o:O crescimento populacionale a demanda de bens e servi osO aumento populacional mundial pressiona os servi os ambientais que s ogratuitamente fornecidos pela natureza por exemplo, a maior emiss o de CO2tem efeitos sobre a atmosfera. O fornecimento de alimento para o descomunalcontingente populacional do s culo XXI n o apresenta mais uma limita o mal-thusiana, j que produz-se mais alimento do que as necessidades cal ricas mun-diais, mas o acesso ao alimento desigual. Por outro lado, a demanda internacio-nal por produtos agr colas afeta a biodiversidade brasileira pelo aumento na frag-menta o de reas pr stinas.

3 Os impactos ambientais derivados da produ o na-cional de soja, carnes, ferro, alum nio etc. atuam em sinergia com as press essociais ou populacionais do atual mercado ambientaisrelevantesENEAS SALATI, NGELO AUGUSTO DOS SANTOSe ISRAEL KLABINEESTUDOS AVAN ADOS 20 (56), 2006108 Impactos das Mudan as Clim ticas Globais (MCG) sobre os biomasNuma grande generaliza o, podemos aceitar que as regi es tropicais pos-suem maior riqueza em ecossistemas e esp cies em raz o das caracter sticas cli-m ticas. A biodiversidade n o est distribu da homogeneamente no planeta, masse concentra em algumas regi es tropicaisA elabora o, por modelagem, de v rios cen rios de emiss es de gases deefeito estufa (GEE) indica um aumento na temperatura das regi es Sudeste eCentro-Oeste da ordem de 0,4 a 1,1oC em 2025, podendo chegar a 5o em 2080,e um aumento de precipita o entre 10% e 15% durante o s culo XXI.

4 A atualdiversidade e distribui o dos pequenos peixes Carachidium lauroi mostramrela o estrita com as guas frias de montanhas na Regi o Sudeste. Mudan as natemperatura da gua inibem a presen a da esp cie e levaram ao seu desapareci-mento em outras regi o amaz nica tamb m previsto um aumento da temperatura, po-r m as conclus es sobre as varia es da precipita o ainda s o incertas. Em parce-las no interior da Amaz nia, observou-se o favorecimento de esp cies de ciclocurto, ou com melhor desempenho fotossint tico, em detrimento de esp cies deciclo longo, por causa da maior presen a de CO2 na atmosfera (Laurence & Vas-concelos, 2004).Perda e fragmenta o dos h bitats pelo desmatamento o primeiro fator global de destrui o da biodiversidade. A Mata Atl nti-ca ocupava uma rea de 1,3 milh o de km2 e hoje encontra-se fragmentada, res-tando apenas cerca de 5% de sua extens o original.

5 Na Amaz nia, estamos repetin-do o mesmo ciclo predat rio. O desmatamento tem efeito direto na redu o dosh bitats das esp cies de plantas e animais (a elimina o de vertebrados dispersoresde sementes compromete a germina o) e indireto como: 1. a produ o de grandesquantidades de detrito org nico, material combust vel que, combinado ao lixo e biomassa morta (da fragmenta o), deixa essas regi es ainda mais suscet veis indu o de queimadas; 2. ou atrav s do efeito de borda, que provoca a queda das rvores adultas que, por sua vez, abafam as rvores jovens, causando sua morta-lidade e aumento do n mero de cip s, de esp cies parasitas e esp cies adaptadasa solos pobres (Tabarelli et al., 2004).Introdu o de esp cies e doen as ex ticas as plantas invasorasA invas o por esp cies ex ticas a segunda maior amea a mundial bio-diversidade.

6 Desde o ano de 1600, as esp cies ex ticas invasoras j contribu ramcom 39% de todos os animais extintos. Mais de 120 mil esp cies ex ticas de plan-tas, animais e microrganismos j invadiram os Estados Unidos, o Reino Unido, aAustr lia, a ndia, a frica do Sul e o Brasil (Ziller, 2000). Nem todas as esp ciesex ticas tornam-se pragas ou doen as. Mas o mexilh o dourado (Limnopermafortunei), o caramujo africano (Achatina fulica), o Aedes aegypti (mosquito-da-dengue), o Rattus rattus (rato, ratazana) s o os melhores exemplos de esp ciesex ticas que se tornaram um problema ambiental no AVAN ADOS 20 (56), 2006109 Explora o excessiva de esp cies de plantas e animaisA superexplora o de recursos naturais tem causado amea a a muitas es-p cies. Os exemplos mais corriqueiros s o o mico-le o, o pau-brasil, a palmeiraju ara (Euterpe edulis), para consumo de palmito, o pau-rosa (Aniba rosaeodoraDucke), para leo essencial em perfumaria, a manjuba e a sardinha o ndice Ecological Footprint, usado para medir o uso dos recursosnaturais pela humanidade, em 2000 a popula o global usou toda a capacidadede produtividade biol gica do planeta.

7 Em 2001, a humanidade excedeu em20% a capacidade da produtividade biol gica. Essa superexplora o do capitalnatural do planeta s ser poss vel por um limitado per odo de tempo. At quando?Desmatamento da Amaz nia brasileiraO desmatamento altera os ciclos de gua e de energia, induzindo um aumen-to na temperatura do ar e diminui o nas precipita es, podendo reduzir a quan-tidade de vapor d gua exportada para outras regi es. A fragmenta o das reasflorestais diminui o n mero de h bitats dispon veis para as esp cies biol o dos recursos h dricos de gua doce em quantidade e qualidadeAs guas superficiais nas proximidades dos centros urbanos encontram-sequase sempre polu das por fontes pontuais de efluentes dom sticos ou indus-triais, ou pela polui o difusa, oriunda de atividades agropecu rias. A escassez de gua em algumas regi es poder tornar-se cr tica pelo crescimento do consumode gua para atividades industriais e irriga o dos recursos h dricos do mar junto costa brasileiraV rios estudos indicam a degrada o dos recursos h dricos da costa doBrasil.

8 As informa es est o mais detalhadas para as regi es costeiras dos estadosde S o Paulo e Rio de Janeiro. Os dados indicam que muitas reas est o com-prometidas para o lazer, em grande parte do ano ou no ano todo. Em geral, apolui o vem dos efluentes urbanos e industriais, mas n o se devem desprezar asatividades portu rias e o derramamento de petr o entre a pobreza e degrada o ambiental urbanaO aumento da natalidade das popula es de baixa renda e o deslocamentode parte da popula o da zona rural para as cidades levam faveliza o de gran-des reas urbanas. Sem as condi es educacionais e culturais adequadas sobre-viv ncia urbana, tornam-se agentes da degrada o ambiental. Dessa forma, apobreza vem a ser ao mesmo tempo causa e conseq ncia desse ciclo diretos e indiretos da produ o e transporte de energia(hidrel tricas, termel tricas e usinas nucleares)Os impactos ambientais diretos de hidrel tricas s o bem conhecidos.

9 Noentanto, muitas vezes os impactos indiretos s o muitos maiores, especialmentena regi o amaz nica, onde empreendimentos como a hidrel trica de Tucuruviaceleraram o desmatamento no seu AVAN ADOS 20 (56), 2006110 Impactos diretos e indiretos na produ o e transporte de petr leoe seus derivadosOs impactos ambientais mais cr ticos t m decorrido do derramamento depetr leo durante o seu transporte. Os exemplos cl ssicos s o o derrame de petr -leo na Ba a de Guanabara e no Litoral de S o Sebasti o (SP).Press o antr pica sobre os remanescentes florestais da Mata Atl nticaOs 5% restantes da Mata Atl ntica est o sob constante amea a pelas ativi-dades no seu entorno. O seu destino depender fortemente da capacidade de ge-renciamento dos rg os de controle ambiental. Impactos das atividades humanas no PantanalOs rios do Pantanal v m lentamente sofrendo impactos ambientais diretospelo aumento das atividades de pecu ria, da minera o e tamb m das atividadesagr colas nas regi es do planalto, que acabam por produzir assoreamento e mudan- a da qualidade dan gua.

10 Existe ainda uma amea a constante, que o aumentoda navega o com grandes barca as. Um projeto recente previa constru es decanais em v rias regi es, cortando os meandros dos res duos s lidos urbanos e industriaisOs res duos s lidos (lixo e lodo de esgoto) no Brasil v m aumentando, e j h problemas s rios em regi es metropolitanas para a constru o de aterros comodestino final. A solu o desse problema um desafio para as pr ximas d cadas. Aincinera o tem sido solu o em diversos pa ses (Estados Unidos, Inglaterra,Alemanha, Fran a e ustria).Escassez e manejo dos recursos h dricos no semi- rido brasileiroEsse um problema secular. A agricultura intensiva pode se desenvolver aolongo do ano no Nordeste semi- rido, por causa da oferta de energia solar etemperatura. O fator limitante a oferta de gua; o problema onde ir busc cnicas existem tanto para o transporte da gua como para seu uso limita o um problema econ mico, uma vez que as bacias dos rios Tocantinse Amazonas representam a maior reserva de gua doce l quida do planeta, com avaz o m dia de m3/segundo lan adas no transposi o de gua do Rio S o Francisco pode ser o primeiro passo,por m cabe lembrar que existem vastas reas pr ximas daquele manancial quetamb m necessitam de irriga o.


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