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1 Rev. Bras. Farm. 93(1): 3-9, 2012. ARTIGO DE REVIS O / REVIEW . tuberculose : uma abordagem geral dos principais aspectos Tuberculosis: a general approach of the main aspects Recebido em 03/12/2011. Aceito em 12/02/2012. Ant nio Francisco Nogueira1, Victor Facchinetti2, Marcus Vin cius Nora de Souza3, Thatyana Rocha Alves Vasconcelos4*. 1. Acad mico de Farm cia, Habilita o em Bioqu mica - nfase em An lise Cl nicas, Universidade Federal Fluminense, Faculdade de Farm cia, 24241-000, Niter i, RJ, Brasil. 2. P s-Graduando em Qu mica, Universidade Federal Fluminense, Instituto de Qu mica, 24020-141, Niter i, RJ, Brasil. 3. Pesquisador Orientador, Funda o Oswaldo Cruz, Instituto de Tecnologia em F rmacos, Far-Manguinhos, 21041-250, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. 4. Docente Orientadora, Universidade Federal Fluminense, Instituto de Qu mica, 24020-141, Niter i, RJ, Brasil. RESUMO. A tuberculose (TB) uma infec o bacteriana grave, transmitida pelo ar e causada pela bact ria Mycobacterium tuberculosis.
2 Nos ltimos anos, o aparecimento de cepas multirresistentes colocou a tuberculose novamente em destaque entre as doen as infecto-contagiosas. Estima-se que um ter o da popula o mundial esteja infectada pelo bacilo da TB e que destes, 30 milh es de pessoas morrer o nos pr ximos 10 anos. Neste trabalho, buscamos mostrar os principais aspectos desta doen a, desde informa es hist ricas at a quimioterapia utilizada, apresentando ainda novas subst ncias que se encontram em est gios de fase cl nica avan ada. Palavras chave: tuberculose , Etiologia, Quimioterapia ABSTRACT. Tuberculosis (TB), a serious infectious disease caused by Mycobacterium tuberculosis, is becoming, once again, a worldwide health issue due to the rapid spread of multidrug resistant strains. The World Health Organization estimates that one third of the world s population is infected by TB and 30 million people will die from this disease in the next 10 years.
3 In this work, we REVIEW the main aspects involving TB infection, available chemotherapy and new treatment perspectives. Keywords: Tuberculosis, Etiology, Drug Therapy INTRODU O. A tuberculose (TB) uma doen a infecto-contagiosa descoberta das primeiras les es. Grande parte dos novos causada pelo Mycobacterium tuberculosis ou Bacilo de casos de doen a pulmonar ocorre por volta de 12 meses Koch (BK) (Brasil, 2011). A doen a apresenta algumas ap s a infec o inicial. A transmissibilidade plena caracter sticas marcantes como: um longo per odo de enquanto o doente estiver eliminando bacilos e n o tiver lat ncia entre a infec o inicial e a apresenta o cl nica da iniciado o tratamento. Com o uso do esquema terap utico doen a; prefer ncia pelos pulm es, mas tamb m pode recomendado h uma redu o na transmiss o, ocorrer em outros rg os do corpo como ossos, rins e gradativamente, a n veis insignificantes ao fim de poucos meninges; e resposta granulomatosa associada intensa dias ou semanas (Brasil, 2011).
4 A principal fonte de inflama o e les o tissular (Iseman, 2005). Outras esp cies infec o o indiv duo com a forma pulmonar da doen a, de micobact rias podem produzir quadro cl nico que elimina bacilos para o exterior. Estima-se que a pessoa semelhante ao da tuberculose . Para efetuar o diagn stico que apresenta esse quadro pode infectar de 10 a 15 pessoas diferencial e identificar as micobact rias preciso realizar da sua comunidade num per odo de um ano. Em algumas a cultura em laborat rios de refer ncia (Brasil, 2009). O regi es, o gado bovino doente tamb m pode ser fonte de per odo de incuba o , em m dia, de 4 a 12 semanas at a infec o. Raramente, aves, primatas e outros mam feros * Contato: Thatyana Rocha Alves Vasconcelos, Universidade Federal Fluminense, Instituto de Qu mica, 24020-141, Niter i, RJ, Brasil, E-mail: 3. Nogueira et al. Rev. Bras. Farm. 93(1): 3-9, 2012. podem servir de reservat rio (Brasil, 2009).
5 Com o advento da moderna quimioterapia, sucedeu Segundo a OMS, a TB a principal causa de mortalidade not vel revolu o no tratamento da TB. O maior impacto por uma nica doen a infecciosa sendo contabilizadas ocorreu nos pa ses desenvolvidos, aonde v rios chegaram mortes em 2005. Em 2007 estima-se que ao limiar de sua elimina o. Entretanto, nos pa ses em ocorreram mortes entre os casos incidentes de desenvolvimento, a doen a continua representando um TB em indiv duos HIV-negativos. Outras mortes s rio problema de sa de p blica. A TB atinge todas as ocorreram entre indiv duos HIV-positivos (Gilman et al., camadas sociais, mas sempre acometeu mais os segmentos 2005; WHO, 2009). A TB considerada um problema mais pobres, sendo um importante indicador social. Hoje, global de sa de p blica e os principais fatores que no contexto mundial, est essencialmente confinada aos contribuem para isso s o: a falta de ades o dos pacientes pa ses em desenvolvimento, onde ocorrem 95% dos casos aos esquemas terap uticos dispon veis, com dura o de e 99% da mortalidade total.
6 Fato marcante que, tanto nos seis a nove meses; o aparecimento de cepas de TB pa ses ricos como nos pa ses pobres, a TB deixou de ser multiresistentes (MDR TB , Multidrug resistant uma doen a das elites para continuar vitimando os Tuberculosis), que s o definidas pela resist ncia aos segmentos pobres da popula o. Apesar do sucesso da f rmacos isoniazida e rifampicina; e a co-infec o com o quimioterapia, 30 a 35 milh es de pessoas morreram de v rus HIV, visto que a TB a principal causa de morte TB no mundo na d cada de 90, sendo a maioria nos pa ses entre os pacientes HIV-positivos (Andrade et al., 2008). em desenvolvimento. A tuberculose uma doen a infecto-contagiosa grave, por m se o tratamento for administrado corretamente, ela DADOS ESTAT STICOS. cur vel em praticamente 100% dos casos. O objetivo do tratamento eliminar todos os bacilos tuberculosos, No mundo anulando rapidamente as fontes de infec o.
7 O tratamento A tuberculose continua sendo um grave problema de deve ser feito no ambulat rio com supervis o no servi o sa de p blica voltando a ocupar papel de destaque entre as de sa de mais pr ximo, na resid ncia ou no trabalho do principais doen as infectocontagiosas (Souza &. doente. Para assegurar a cura, necess rio, al m de uma Vasconcelos, 2005). Estima-se que em 2009 ocorreram 9,4. associa o medicamentosa adequada em doses corretas, o milh es de casos incidentes de TB no mundo, uso por tempo suficiente, com supervis o da administra o representando um aumento significativo em rela o anos dos medicamentos (Brasil, 2009). Embora a vacina anteriores (Gr fico 1). No Gr fico 2 encontra-se ilustrado dispon vel para a doen a, a BCG (Bacilo de Calmette- os casos de tuberculose em 2009 por regi es. Os cinco Gu rin), previna o desenvolvimento de TB fatal em pa ses com maior n mero de casos em 2009 foram a ndia crian as e jovens, sua efic cia de prote o contra a doen a (2,0 milh es), China (1,3 milh es), Nig ria (0,46 milh es), pulmonar em adultos question vel.
8 Nenhuma outra frica do Sul (0,46 milh es) e Indon sia (0,43 milh es), vacina eficaz para reduzir a incid ncia da mol stia em (WHO, 2011). adultos encontra-se, atualmente, dispon vel. Portanto, a principal estrat gia para o controle da dissemina o dessa doen a a quimioterapia. Assim sendo, novos agentes anti-TB s o urgentemente necess rios para diminuir sua incid ncia global e combater o crescente aumento da resist ncia bacteriana aos f rmacos comumente empregados. Nesse contexto, a elucida o dos mecanismos de resist ncia do microrganismo aos f rmacos dispon veis pode representar avan o significativo no desenvolvimento de novas subst ncias capazes de agir contra cepas MDR- TB (Andrade et al., 2008). Gr fico 1. Incid ncia mundial de tuberculose ao longo HIST RICO DA DOEN A. dos anos (milh es de casos). A TB se constitui em uma doen a infecciosa milenar, com relatos de m dicos na Gr cia e Roma antiga.
9 Atualmente, acredita-se que essa doen a j era conhecida tamb m no antigo Egito, j que pesquisadores encontraram les es de tuberculose em m mias. No entanto, somente em 1882 a bact ria respons vel pela doen a, o M. tuberculosis, foi isolada pelo cientista alem o Robert Koch; em sua homenagem, o bacilo da tuberculose ficou conhecido como BK (Souza & Vasconcelos, 2005; Vieira & Gomes, 2008). No decorrer do s culo XIX e at meados do s culo XX, era uma doen a comum entre artistas e intelectuais, sendo relacionada a um estilo de vida bo mio e considerada uma doen a rom ntica (Souza & Vasconcelos, 2005). Gr fico 2 : Casos de tuberculose em 2009, por regi o 4. Nogueira et al. Rev. Bras. Farm. 93(1): 3-9, 2012. No Brasil suspensas no ar por diversas horas. Somente os n cleos Nosso pa s ocupa o 16 lugar entre os 22 pa ses secos das got culas (N cleo de Wells), com di metro de respons veis por 80% do total de casos de tuberculose no at 5 m e com 1 a 2 bacilos em suspens o, podem atingir mundo, estimando-se uma preval ncia de 50 milh es de os bronqu olos e alv olos e ent o iniciar a multiplica o infectados, mas que n o desenvolveram a doen a, com (Brasil, 2011).
10 Os pacientes com a doen a pulmonar contamina o de mais de 1,0 milh o de pessoas a cada ano cavitada s o particularmente infectantes, j que seu escarro pelo contato com os doentes. Anualmente surgem no cont m normalmente de 1 a 100 milh es de bacilos por Brasil, aproximadamente, 111 mil novos casos e ocorrem mL, e estes tossem com freq ncia e a cada crise podem 6,0 mil mortes, sendo o Rio de Janeiro o Estado com o expulsar 3 000 got culas infecciosas. Entretanto, as maior n mero de casos (Gr fico 3). Este total de casos mucosas respirat rias intactas s o bastante resistentes . constitui a 9 causa de interna es por doen as infecciosas, invas o. Para que ocorra a infec o, os bacilos precisam o 7 lugar em gastos com interna o do Sistema nico de chegar aos bronqu olos e alv olos, onde s o capturados Sa de por doen as infecciosas e a 4 causa de mortalidade pelos macr fagos. Embora os pacientes com tuberculose por doen as infecciosas.