Transcription of escanometria dos membros - SciELO
1 137 escanometria dos membros inferiores: revisitando Dr. Juan FarillRadiol Bras 2007;40(2):137 141 Educa o em RadiologiaESCANOMETRIA DOS membros INFERIORES: REVISITANDODR. JUAN FARILL*Henrique Zambenedetti Werlang1, Gabriel Ant nio de Oliveira2, Ana Maria Tamelini3,Ben Hur Madalosso1, Francisco da Silva Maciel J nior4A escanometria pelo m todo de Farill exame rotineiro na maioria dos servi os radiol gicos. Ela perma-nece, h mais de meio s culo, como um m todo amplamente utilizado para diagn stico da diferen a entreos membros inferiores e seu respectivo tratamento pelos especialistas de diversas reas. Contudo, detalhesna t cnica do exame e na avalia o das medidas costumam ser ignorados ou negligenciados, comprometendoo resultado final. Este trabalho tem por objetivo divulgar os detalhes preconizados pelo autor, restaurando aprecis o do m todo, bem como discuti-lo em rela o aos demais m : Farill; escanometria ; membros inferiores; Diferen of lower extremities: revisiting Dr.
2 Juan measurement employing the Farill technique is a routine study in the majority of radio-logical services. For more than half a century, this method has been widely utilized by specialists in severalareas for both measuring and treating differences in length between lower extremities. Nevertheless, tech-nical procedural details during examination and measurements evaluation have usually been neglected orignored, affecting the final results and consequently the effectiveness of this method. The present study isaimed at publicizing the details standardized by the authors, restoring accuracy to the technique, besidesdiscussing it in comparison with other : Farill; Orthoradiographic measurement; Lower extremities; * Trabalho realizado no Centro de Diagn stico por Imagem(CDI) e no Hospital Infantil Nossa Senhora da Gl ria (HINSG),Vit ria, ES, membros Titulares do Col gio Brasileiro de Radiologia eDiagn stico por Imagem (CBR), M dicos Residentes do Centrode Diagn stico por Imagem (CDI)/Hospital Universit rio CassianoAnt nio de Moraes (HUCAM)/Hospital Infantil Nossa Senhora daGl ria (HINSG), Vit ria, ES, Membro Titular do Col gio Brasileiro de Radiologia e Diag-n stico por Imagem (CBR), M dico Radiologista do Hospital In-fantil Nossa Senhora da Gl ria (HINSG), Preceptor de Radiolo-gia Pedi trica da Resid ncia M dica do Centro de Diagn sticopor Imagem (CDI)/Hospital Universit rio Cassiano Ant nio de Mo-raes (HUCAM)/Hospital Infantil Nossa Senhora da Gl ria (HINSG),Vit ria, ES, Membro Titular do Col gio Brasileiro de Radiologia e Diag-n stico por Imagem (CBR)
3 , M dica Radiologista e Preceptora deRadiologia da Resid ncia M dica do Centro de Diagn stico porImagem (CDI)/Hospital Universit rio Cassiano Ant nio de Moraes(HUCAM)/Hospital Infantil Nossa Senhora da Gl ria (HINSG), Vi-t ria, ES, Membro Titular do Col gio Brasileiro de Radiologia e Diag-n stico por Imagem (CBR), M dico Radiologista e Chefe daResid ncia M dica do Centro de Diagn stico por Imagem (CDI)/Hospital Universit rio Cassiano Ant nio de Moraes (HUCAM)/Hospital Infantil Nossa Senhora da Gl ria (HINSG), Vit ria, ES, o para correspond ncia: Dr. Gabriel A. de Oliveira. RuaSagrado Cora o de Maria, 220, Praia do Canto. Vit ria, ES,29055-770. E-mail: para publica o em 22/9/2005. Aceito, ap s revi-s o, em 17/10/2005. as entre os comprimentos dos membrosinferiores(3). O princ pio em que este m -todo se baseia muito simples: na medidada diferen a entre duas dist ncias, a elimi-na o de iguais segmentos de cada uma n oaltera o resultado final.
4 Sendo um m todode f cil execu o e que n o exige nenhumequipamento espec fico, realizado diaria-mente em qualquer servi o de radiologiageral. Por m, poucos especialistas tiverama oportunidade de ler o artigo original do Farill, e quase sempre aprenderam om todo com algu m que tamb m n o o entemente, a forma de medir n o padronizada e resultados incorretos s oobtidos, comprometendo o tratamento dospacientes, o qual varia conforme o tipo e ograu da deformidade constatada(4). Estem todo, como os demais, tem limita es eest contra-indicado em alguns objetivo deste trabalho restaurar edivulgar a t cnica de aferi o preconizadapelo autor, bem como comparar sua efici n-cia com os demais m todos (escanografiacom r gua milimetrada, radiografia pano-r mica e tomografia computadorizada).ESCANOGRAFIA (T CNICA)O exame realizado em duas etapas. Naprimeira, com o paciente deitado em posi- o supina na mesa Potter-Bucky, coloca-se um p junto ao outro, e seus maiores ei-xos formando um ngulo de aproximada-mente 90 com a mesa (Figura 1); alinha-seo feixe central longitudinal do colimador,INTRODU OA maneira mais precisa de se avaliar adiferen a entre os membros inferiores porexames de imagem(1).
5 O primeiro m todode escanografia foi descrito por Merrill em1942(2). Em 1953, o Dr. Juan Farill descre-veu uma t cnica pr tica para medir diferen-Figura 1. Locais de colima o do feixe de raios X para a realiza o da escanografia. O resultado obtidoest demonstrado na Figura HZ et Bras 2007;40(2):137 141 Figura 4. Posi es adotadas para compensa o em caso de deformidade dos p 2. Antes de iniciar as radiografias, deve-semover o tubo para certificar que o feixe central dosraios passa exatamente entre os p s e na s nfisep bica, sem que haja necessidade de o pacientese 3. Posi o para radiografia da altura dos p s. O resultado obtido mostrado na Figura maneira que ele passe exatamente entreos tornozelos e na s nfise p bica do indi-v duo (Figura 2). O paciente deve perma-necer im vel at o t rmino do exame. Uti-lizando-se duas placas de chumbo, divide-se o filme em tr s segmentos, que s o ra-diografados separadamente: no primeiro,realiza-se a radiografia dos quadris; no se-gundo, a dos joelhos; e no terceiro, a dostornozelos.
6 O numerador, posicionado di-reita do paciente, indica o lado. Entre as ra-diografias, apenas a gaveta pode ser mo-vida. Em nenhuma hip tese o chassis podeser removido da gaveta at o t rmino dastr s exposi segunda etapa, procede-se aoexame para medir a altura dos p s. Comestes rodados internamente 30 sobre umaplataforma de madeira cuja face posterior revestida por chumbo, posiciona-se ochassis imediatamente atr s dos p s e rea-liza-se uma radiografia em ntero-posteriordos tornozelos. Esta posi o determinauma dissocia o dos mal olos, permitindototal visualiza o dos t lus. Para uma ade-quada imagem, as plantas dos p s devemestar totalmente apoiadas sobre a plata-forma (Figura 3). Caso isso n o seja pos-s vel, devido a alguma deformidade, porexemplo, deve-se proceder a uma inclina- o para frente ou para tr s, conforme ne-cess rio, at que um adequado acoplamen-to seja obtido (Figura 4).
7 Esta segunda etapa geralmente omi-tida, por desconhecimento ou porque, namaioria das vezes, inexistem diferen assignificativas entre as alturas dos p s. Noentanto, existem situa es em que istopode acontecer (les es cong nitas, seq e-las de poliomielite, destrui es osteocarti-laginosas decorrentes de processos infla-mat rios ou cir rgicos, etc.).Contra-indica es do m todoA mais importante a impossibilidadede manter amplo contato de todas as par-tes dos membros inferiores com a mesa,pois posi es fletidas distorcem a imagem ssea nas radiografias. Tal ocorre com ouso de fixadores externos(5), nas deformi-dades dos f mures e das t bias no planosagital ou ainda nas contraturas com flex odo quadril ou do deformidades em valgo,varo ou equino impedem avalia es segu-ras das diferen as entre as alturas dos p (MEDIDAS)A primeira medida feita na escanogra-fia, entre o ponto mais alto da cabe a fe-moral e a proje o do centro da incisuraintercondiliana, em uma linha que tangen-cia os c ndilos femorais (Figura 5a).
8 Pro-cedimento id ntico feito no membro con-tralateral (Figura 5a ); a diferen a entreestas duas medidas representa o encurta-mento segunda medida a dist ncia do mes-mo ponto da linha entre os c ndilos femo-rais, at o ponto mais baixo da superf ciearticular da t bia, no tornozelo (Figura 5b).Repete-se esta medida no osso contralate-ral (Figura 5b ); a diferen a entre estas duasmedidas representa o encurtamento terceira medida feita diretamente doponto mais alto da cabe a femoral at oponto mais baixo da superf cie articular dat bia (Figura 5c). Isto repetido no mem-bro oposto (Figura 5c ); a diferen a entreestas duas medidas foi chamada, por Fa-rill, de encurtamento , a quarta medida refere-se altura do p . Ela feita do ponto mais baixodo t lus, na superf cie articular tibiot rsica,at a linha proporcionada pela l mina dechumbo na face posterior da bancada demadeira (Figura 6d); repete-se esta aferi ono p contralateral (Figura 6d ).
9 A diferen- a entre estas duas medidas equivale ao en-curtamento do p .139 escanometria dos membros inferiores: revisitando Dr. Juan FarillRadiol Bras 2007;40(2):137 141C lculo e an lise das diferen asA assimetria no comprimento dos mem-bros inferiores pode ser devida, basica-mente, a tr s tipos de altera es: a primeira quando temos ossos com tamanhos dife-rentes em rela o aos contralaterais; a se-gunda quando temos um paciente comdesvio em varo ou em valgo assim trico, ouseja, quando um membro possui uma cur-vatura maior que a do membro do ladooposto; a terceira quando temos f murese t bias isom tricas e p s com alturas dis-crepantes. A superposi o dessas altera es freq entemente encontrada, tornando in-dispens vel a avalia o de todas as medi-das em , deve-se somar a medidafuncional direita com a altura do p desteF mur (cm)T bia (cm)Total de f mur + t bia (cm) (medida indireta)Dist ncia femorotibial (funcional) (cm)Altura do p (cm)Encurtamento total (cm) (funcional altura do p )Direito23,415,238,638,69,2 Esquerdo23,414,738,138,19,2 Encurtamento 0,5 < esquerda0,5 < esquerda0,5 < esquerda Exemplo 1O membro inferior esquerdo 0,5 cm menor queo membro inferior direito (encurtamento custadas diferen as tibiais; a diferen a das medidasindiretas igual das medidas diretas)Figura 5.
10 Locais das medidas para o c lculo do encurtamento dos f mures e das t 6. Locais das medidas para o c lculo do encurtamento dos p Repete-se este c lculo para o ladoesquerdo. A seguir, subtraem-se os doisvalores obtidos, encontrando-se a diferen afuncional entre os membros inferiores. esta diferen a que deve constar no laudom dico, ficando as medidas indiretas, ape-nas para a an lise do tipo de , ap s ter sido obtida a diferen aentre os membros inferiores, devemos rea-lizar a an lise comparativa das medidasindiretas (Figuras 5a + 5b; Figuras 5a +5b ) e das diretas (Figura 5c; Figura 5c ).Quando isto for feito, poderemos obter tr sresultados: A diferen a entre os membros inferio-res a mesma, tanto com as medidas dire-tas quanto com as indiretas. Isto significaque o encurtamento real, ou seja, que osf mures e/ou t bias t m tamanhos diferen-tes (exemplo 1).