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1 As adenopatias cervicais na inf ncia e adolesc ncia s o geralmente de causa inflamat ria ou infecciosa. Ahist ria cl nica e exame f sico s o fundamentais paradiferenci -las de tumores malignos e de les es resultantes de restos embrion diagn stico espec fico confirmado com exames laboratoriais como hemograma e sorologias. O raio X de t rax e testes de rea o cut nea s o fundamentais no diagn stico das les es cr nicas, geralmente doen as granulomatosas. Adenopatias progressivas ou persistentes ap s doze semanasdevem ser biopsiadas. O diagn stico de neoplasia maligna deve ser sempre considerado. Abi psia com agulha de aspira o fina (BAAF) o m todo inicialde avalia o histopatol gica, seguida de bi psia excisional quando necess oApresen a de uma massa cervical representa um desafio diagn stico ao otorrinolaringologista ou m dico cl nico. Diante das dezenas de possibilidadesdiagn sticas o m dico pode sentir-se, por vezes, inseguro, se n o adotar uma rotina na abordagem dessa patologia.
2 O objetivo deste cap tulo oferecer ummodelo simples e pr tico para a avalia o diagn stica de pacientes que apresentam massa cervical como a principal express o cl nica de sua doen existem outros sinais e sintomas associados, ser o eles, na maioria dasvezes, os indicadores diagn sticos mais importantes. Aabordagem bem orientadapermitir economia de tempo e recursos financeiros. Evitar tamb m a exposi odo paciente a exames desnecess considera qualquer massa ou linfonodo cervical palp vel, independente dotamanho, como an mala no rec m-nascido. Para a idade entre seis meses e dozeanos considera para massas ou linfonodos maiores ou iguais a 1cm e no adultoquando maiores ou iguais a hist ria e no exame f sico destacamos quatro elementos fundamentais: idadedo paciente, tempo de dura o da massa cervical, sua localiza o no pesco o esuas caracter sticas palpa o. Esses quatro elementos da observa o cl nica s ode import ncia crucial e permitem, na maioria das vezes, classificar as massas cervicais em tr s grandes grupos: inflamat rias ou infecciosas, altera es dedesenvolvimento, ou adquiridas e crian as e adolescentes aproximadamente 75% das massas cervicais s o causadas por adenopatias inflamat rias ou infecciosas.
3 Menos de 5% s o por neo-Adenopatias CervicaisAgr cio Crespo, Amarilis Mel ndez, Jair Montovani, Jos N lio Cavinato e Vicente Odone FilhoIAPOTEACHING PATIENT CARE RESEARCHINTERAMERICAN ASSOCIATION OF PEDIATRIC OTORHINOLARYNGOLOGYVers o em Portugu s | English Version | Versi n Espa olIV MANUAL DE OTORRINOLARINGOLOGIA PEDI TRICA DA IAPO!94plasias malignas e menos de 20% s o causadas por altera es do desenvolvimentoembrion rio ou sticamente, les es inflamat rias agudas podem revelar calor, rubor e dor palpa o. As adenopatias inflamat rias agudas guardam rela o com o s tio doprocesso infeccioso original, segundo as vias de drenagem linf tica de cada regi na cavidade oral tendem a drenar para os linfonodos submentonianos,submandibulares e jugulares altos. Na rinofaringe, orofaringe e laringe, a drenagemlinf tica para os linfonodos jugulares, principalmente os maioria das adenopatias inflamat rias ou infecciosas agudas, a adenopatia cervical tende regress o espont nea em at 12 semanas, aproximadamente.
4 Ap seste per odo, ou diante de um quadro progressivo, a aten o dever ser direcionada s doen as granulomatosas cr muitas circunst ncias, mesmo cl nicos experientes, t m d vidas quanto aodiagn stico etiol gico das linfoadenites agudas. Nessas condi es, os exames laboratoriais s o importantes, destacando-se o hemograma e as sorologias espec ficas para as doen as mais prevalentes: mononucleose infecciosa, citomegalov rus e toxoplasmose. As massas cervicais produzindas por altera es de desenvolvimento embrion rios o, em sua maioria, les es c sticas. Mais frequente, o cisto tireoglosso localiza-se na linha m dia do pesco o. O cisto epiderm ide na regi o submentoniana e o cisto branquial, na face lateral alta do pesco es c sticas s o t picas palpa o. Salientamos que o cisto branquial freq entemente tenso, simulando a consist ncia fibroel stica. As neoplasiasmalignas em crian as, tendem a ser coalescentes, volumosas, preferencialmenteno tri ngulo posterior do pesco o e em v rios n veis cervicais inflamat rias ou infecciosasDe acordo com Lane e colaboradores, os principais microorganismos (41%) quecausam as de adenopatias cervicais inflamat rias, (onde a massa cervical pode sero principal elemento na apresenta o cl nica da doen a) s o: Staphlylococcusaureuscoagulase positivo, Streptococcus do grupo A beta-hemol tico,Mycobacteria sp.
5 (incluindo as at picas), Staphylococcuscoagulase inflamat rias menos comuns (8%) s o: bact rias Gram negativas,Streptococcus pneumoniae, bact rias anaer bias, Actinomyces sp, Toxoplasmagondii, bacilo da arranhadura do gato, v rus Epstein-Barr, HIV e citomegalov rus. Causas n o determinadas representam 51% dos casos de adenopatias cervicaisinflamat adenopatias cervicais inflamat rias podem ser divididas quanto a sua evolu oem agudas e cr cervicais agudasAs principais causas de adenopatias cervicais inflamat rias agudas s o: origemviral (linfadenite reacional, Sarampo, Rub ola, Mononucleose, Citomegalov rus,Dengue e AIDS), protozo rios (Toxoplasmose, Esquistossomose) e origem bacteriana (Doen a da arranhadura do gato, Linfadenite purulenta, Abscessos,Difteria, Febre Tif ide, Brucelose, Peste, Leptospirose e Escarlatina).Linfadenite reacional viral a causa mais comum de linfadenopatia cervical95IV MANUAL DE OTORRINOLARINGOLOGIA PEDI TRICA DA IAPO!
6 Inflamat ria. secund ria a infec es virais comuns de vias a reas superiorescomo a infuenza, adenov rus, rinov rus e o enterov rus, provocando sintomasparecidos gripe, al m da adenopatia. Est comumente associada tonsilite auto-limitada, resolvendo-se dentro de 5-10 dias. Varicela-zoster eHerpes simplex tamb m pode evoluir com adenopatias, podendo manter-sepor maisde 14 dias. O tratamento sintom tico .Monuclease infecciosa causada pelo v rus Epstein Barr (EBV). Sua transmiss o pelo cont gio direto com got culas de saliva. A express o cl nica (pr dromo)com febre, odinofagia, mialgias e mal-estar ir depender da idade, sendo subcl nicana inf ncia. Apresenta duas faixas est rias de incid ncia, a primeira de 5-10 anose depois de 10-20 anos. A adenopatia cervical ocorre em 80% a 90% dospacientes. A involu o dos linfonodos cervicais ir ocorrer em algumas adenopatia pode ser isolada ou mais comumente como conglomerados de linfonodos, fibroel sticos e m veis.
7 Hepatomegalia e eleva o das enzimas hep ticas ocorrem em praticamente todos os pacientes. O diagn stico cl nico elaboratorial, com hemograma e sorologias. O hemograma ir apresentar linf citose absoluta e relativa em 70% dos casos. H leucocitose com n veis a at valores de pelo menos 10% delinf citos at picos. As sorologias especif cas s o o Paul-Bunnell-Davidson e area o por imunofluoresc ncia indireta para o EBV. O tratamento sintom o por citomegalov rus (CMV) t o comum quanto por EBV. Temincid ncia bimodal quanto faixa et ria: crian as e adolescentes jovens. O quadrocl nico semelhante ao de uma gripe comum, sendo geralmente subcl geralmente com adenopatia cervical pouco sintom tica. O hemogramaapresenta leucocitose com linf citos at picos e a sorologia espec fica com rea o de fixa o de complemento com t tulos elevados para CMV.
8 O tratamento sintom ocasionada pelo HIV. Pode acarretar linfadenopatia pela infec o diretado HIV, pelas infec es oportunistas ou por neoplasias. Apresenta altera eshistopatol gicas extremamente variadas. O aumento de volume dos linfonodosocorre com freq ncia nos pacientes infectados por HIV, principalmente no in cioda infec o. Freq entemente representam apenas um processo reacional, linfonodos posteriores s o os mais comumente acometidos, no pesco o. A utiliza o da bi psia por aspira o com agulha fina (BAAF) ou bi psia aberta de pouca validade para o seu esclarecimento diagn stico, mas til para afastar outras possibilidades diagn sticas como o ocasionada pelo Toxoplasma gondii, um protozo rio transmiss o por ingest o de cistos do toxoplasma (oocistos), geralmente pormeio da ingest o de carne de boi ou carneiro crua ou mal cozida (oocistos na musculatura) ou de alimentos contaminados com oocistos, levados das fezes dogato por moscas ou baratas.
9 O hospedeiro definitivo o gato. Pode ocorrer transmiss o tamb m via placenta, transfus o de sangue e transplante de rim. Ainfec o por esse microorganismo comum, por m com manifesta o subcl nicana maioria dos casos, com quadros semelhantes ao de uma gripe comum: febre,calafrios, letargia e odinofagia. A linfonodomegalia cervical pouca sintom tica,IV MANUAL DE OTORRINOLARINGOLOGIA PEDI TRICA DA IAPO!96 s vezes apenas com um dolorimento leve. Acomete geralmente os linfonodos dotri ngulo posterior do pesco o, sem supura o, por m, com frequ ncia, h presen a de flutua o. O diagn stico cl nico, sorol gico presen a de IgM ouaumento nos t tulos de IgG em 3 semanas ou por meio de bi psia do linfonodo com altera es histopatol gicas muito sugestivas. O tratamento com sulfadiazina. Doen a da arranhadura do gato causada pelo bacilo Gram negativoBartonella henselae ou bacilo da doen a da arranhadura do gato.
10 Doen a auto-limitada. O gato o hospedeiro definitivo. A transmiss o por contato direto com o gato em 90% dos casos (mordida, arranhadura ou contato com saliva em conjuntiva ocular ou rea de solu o de continuidade da pele). O quadrocl nico com febre baixa, odinofagia leve e fadiga. H p pula ou p stula no localda arranhadura, 3-10 dias ap s em 67% dos casos, e dura 4-8 semanas. A adenopatiaocorre duas semanas ap s a arranhadura e uma semana ap s a p pula. Em 40%das infec es o linfonodo nico. A linfonodomegalia pode persistir por 2-4meses, com supura o em 10% dos pacientes. O diagn stico cl nico. H testecut neo espec fico (Ranger-Rose) mas n o est dispon vel no mercado. O tratamento sintom tico, podendo ser realizado bi psia excisional nos casosonde h muita dor no linfonodo acometido. Em casos graves ou em pacientesimunodeprimidos h necessidade de tratamento com antibi ticos.