Transcription of Obesidade: uma perspectiva plural
1 REVIS O REVIEW1851 Departamento de Nutri o,Universidade Federal dosVales do Jequitinhonha eMucuri. Rua da Gl ria 187,Centro. 39100-000 Diamantina uma perspectiva pluralObesity: a plural perspectiveResumo A obesidade uma doen a caracteriza-da pelo ac mulo excessivo de gordura corporal,que produz efeitos delet rios sa de. H um con-senso na literatura de que sua etiologia multifa-torial, envolvendo aspectos biol gicos, hist ricos,ecol gicos, pol ticos, socioecon micos, psicossoci-ais e culturais. Nesse sentido, este artigo tem porobjetivo abordar o car ter multifatorial da obesi-dade, envolvendo a ampla variedade de fatoresambientais e gen ticos implicados na sua etiolo-gia a partir de estudos secund rios provenientesdo trabalho de revis o da literatura nas princi-pais bases de dados e bibliotecas , a obesidade tem sido considerada amais importante desordem nutricional nos pa sesdesenvolvidos e em desenvolvimento, devido aoaumento da sua incid ncia.
2 A abordagem dos as-pectos gen ticos, metab licos, psicossociais, sim-b licos, culturais e de estilo de vida permitiu fun-damentar a obesidade enquanto uma enfermida-de plural e a necessidade de criar pol ticas p bli-cas com a es multidisciplinares e intersetoriais,que valorizem a parceria entre governo e socieda-de civil, na preven o e combate obesidade epromo o da sa de, possibilitando a participa oda comunidade nesse processo, atrav s da respon-sabiliza o e do Obesidade, Transi o nutricio-nal, Fatores de risco, Pol ticas p blicasAbstract Obesity is a disease characterized bythe excessive accumulation of corporal fat, whichproduces deleterious effects to the health. There isconsent in the literature that its etiology is multi-factorial, involving biological, historical, ecolog-ical, political, social-economical, psychosocial andcultural aspects.
3 In that sense, this article s objec-tive is to talk about the multi-factorial characterof obesity, involving the wide variety of environ-mental and genetic factors implicated in its etiol-ogy, starting from secondary studies of literaturerevision in the main bases of data and specializedlibraries. Nowadays, obesity has been consideredthe most important nutritional disorder in thedeveloped countries and the ones in development,due to the increase of its incidence. The approachof the genetic, metabolic, psychosocial, symbolic,and cultural aspects in addition to the lifestyleallowed to base obesity as a plural illness, andshowed the necessity to create public politics withmultidiscipline and inter-sectorial actions, thatvalue the partnership between government andcivil society, in the prevention and combat of obe-sity and the promotion of health, making possiblethe community s participation in that process,through responsibility and self words Obesity, Nutritional transition, Riskfactors, Public politicsEmanuela Nogueira Wanderley1 Vanessa Alves Ferreira 1186 Wanderley EN, Ferreira VAIntrodu oA obesidade uma doen a caracterizada peloac mulo excessivo de gordura corporal1 em umn vel que compromete a sa de dos indiv duos,acarretando preju zos tais como altera es me-tab licas.
4 Dificuldades respirat rias e do apare-lho locomotor2,3. Al m de se constituir enquantofator de risco para enfermidades tais como disli-pidemias, doen as cardiovasculares, diabetesmelito tipo II e alguns tipos de c ncer2,4, diagn stico da obesidade realizado a partirdo par metro estipulado pela Organiza o Mun-dial de Sa de1 - o body mass index (BMI) ou ndi-ce de massa corporal (IMC), obtido a partir darela o entre peso corp reo (kg) e estatura (m) dos indiv duos. Atrav s deste par metro, s o con-siderados obesos os indiv duos cujo IMC encon-tra-se num valor igual ou superior a 30 kg/m .Na literatura, existe um consenso de que a eti-ologia da obesidade bastante complexa, apre-sentando um car ter multifatorial1,6-9. Envolve,portanto, uma gama de fatores, incluindo os his-t ricos, ecol gicos, pol ticos, socioecon micos, psi-cossociais, biol gicos e culturais8-10.
5 Ainda assim,nota-se que, em geral, os fatores mais estudadosda obesidade s o os biol gicos relacionados aoestilo de vida, especialmente no que diz respeito aobin mio dieta e atividade f sica. Tais investiga esse concentram nas quest es relacionadas ao mai-or aporte energ tico da dieta4,5,9,11 e na redu o dapr tica da atividade f sica com a incorpora o dosedentarismo, configurando o denominado estilode vida ocidental contempor neo4,9, sentido, este artigo tem por objetivoabordar o car ter multifatorial da obesidade en-volvendo a ampla variedade de fatores ambien-tais e gen ticos implicados na sua etiologia a par-tir de estudos secund rios provenientes do traba-lho de revis o da literatura nas principais basesde dados e bibliotecas especializadas. Frente amplitude do tema, nosso intuito apontar deforma atualizada os principais fatores envolvidosna etiologia da obesidade por reconhecer a im-port ncia do estudo acerca da enfermidade den-tro de uma perspectiva plural .
6 A nosso ver, redu-zir as investiga es somente ao aspecto biol gicoou social da doen a limita o entendimento e oalcance explicativo dessa problem emerg ncia da obesidadeAtualmente, a obesidade tem sido considerada amais importante desordem nutricional nos pa -ses desenvolvidos e em desenvolvimento, devidoao aumento da sua incid ncia1. De acordo comos dados da Organiza o Mundial de Sa de1, esseagravo possivelmente atinge 10% da popula odestes pa ses. Nos pa ses da Am rica, a obesida-de vem aumentando, para ambos os g neros,tanto em pa ses desenvolvidos quanto nas socie-dades em desenvolvimento. Na Europa, verifi-cou-se num dec nio um incremento entre 10% a40% da obesidade na maioria dos pa ses. Na re-gi o Oeste do Pac fico, compreendendo a Aus-tr lia, o Jap o, Samoa e China, tamb m nota-sea eleva o da preval ncia da obesidade. No en-tanto, a China e o Jap o, apesar do aumento daobesidade em compara o com outros pa sesdesenvolvidos, apresentam as menores preval n-cias mundiais.
7 Nos continentes africano e asi ti-co, a obesidade ainda relativamente incomum,sendo que sua preval ncia mais elevada na po-pula o urbana em rela o popula o nas regi es economicamente avan adas des-tes continentes, a preval ncia pode ser t o altaquanto nos pa ses Brasil, a an lise de quatro estudos de basepopulacional realizados no pa s Estudo Nacio-nal sobre Despesas Familiares (ENDEF), realiza-do entre 1974-1975; a Pesquisa Nacional sobreSa de e Nutri o (PNSN), de 1989; a Pesquisasobre Padr es de Vida (PPV), desenvolvida em1996-19974; e a Pesquisa de Or amentos Famili-ares12 (POF), de 2002-2003 permitiu avaliar amagnitude dos agravos nutricionais mais rele-vantes, incluindo a emerg ncia da obesidade everificar seus principais determinantes, assimcomo tra ar a tend ncia do comportamento des-ses agravos no pa s.
8 De acordo com esses estu-dos, a preval ncia da desnutri o em crian as eadultos teve um decl nio acelerado nas ltimasd cadas, enquanto o sobrepeso e a obesidadeaumentaram na popula o brasileira, principal-mente entre os resultados obtidos no ENDEF de 1974/75permitiram verificar que a obesidade excedeu adesnutri o somente entre os adultos de alta ren-da, ao passo que na PNSN de 1989, constatou-seque a obesidade superou a desnutri o entre oshomens de renda alta e m dia e entre as mulhe-res de todos os n veis de renda13. Segundo Batista Filho e Rissin13, as diferen- as geogr ficas no pa s expressam diferencia essociais na distribui o da obesidade. Inicialmen-te, verificou-se maior preval ncia de excesso depeso nas regi es mais desenvolvidas (Sul, Sudes-te e Centro-Oeste) do pa s e nos estratos de ren-da mais elevados, mas j observa-se tend ncia de187Ci ncia & Sa de Coletiva, 15(1):185-194, 2010aumento da obesidade nas regi es Norte e Nor-deste e nos estratos de renda mais baixos.
9 Assim,a compara o dos resultados dos estudos referi-dos acima nas regi es Norte e Nordeste com osdas regi es Sul, Sudeste e Centro-Oeste permitiuassinalar a maior preval ncia da obesidade nas ltimas regi es citadas. Al m disso, os estudosindicaram que a ocorr ncia desse agravo prati-camente triplicou entre homens e mulheres mai-ores de vinte anos na regi o Nordeste e somenteentre os homens do recentes da POF 2002/0312 revelaramque cerca de 40% dos adultos no Brasil est ocom excesso de peso, e que 8,9% dos homens e13,1% das mulheres s o obesos. Nas mulheres, aocorr ncia mais elevada de excesso de peso en-contrada nos estratos de menor renda2,9,12. Ob-servando-se ainda estabilidade e tend ncia dedecl nio nos segmentos de elevada renda, comexce o da regi o Nordeste, na qual a obesidadecontinua emergindo. A maior concentra o demulheres com excesso de peso observada nas reas rurais de todo o pa s, situa o diferenteapenas no Nordeste, onde a maior concentra ose d nas reas urbanas.
10 J nos homens, as mai-ores preval ncias s o observadas nas reas ur-banas das regi es Sudeste, Sul e Centro-Oeste enos estratos de maior compreens o do comportamento da obe-sidade no Brasil mostra-se essencial para a defi-ni o de prioridades e estrat gias de a es emsa de p blica. Dessa forma, necess rio que se-jam incorporadas a es direcionadas para a pre-ven o e controle desse agravo, assumindo des-taque as medidas de educa o em sa de e nutri- o em mbito nacional, assim como em todosos segmentos da sociedade. Neste sentido, a ga-rantia dos principais mecanismos de preven o/interven o da obesidade deve ser assegurada atodos os indiv duos, incluindo a aquisi o de umadieta digna sob o ponto de vista qualitativo equantitativo, a pr tica de atividade f sica de lazerorientada e a assist ncia multiprofissional paratodos os indiv estrat gia de busca de artigos incluiu pesquisanas bases eletr nicas MEDLINE (National Libra-ry of Medicine, Estados Unidos), LILACS (Litera-tura Latino-americana e do Caribe em Ci nciasda Sa de), bibliotecas especializadas tais como ada Escola Nacional de Sa de P blica S rgio Arou-ca (ENSP) e da Universidade de S o Paulo (USP).