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SUSTENTABILIDADE E DESENVOLVIMENTO SUSTENT VEL: UMA TAXONOMIA NO CAMPO DA LITERATURASIMONE SARTORI1, FERNANDA LATR NICO2, LUCILA CAMPOS3 Introdu oA emerg ncia do DESENVOLVIMENTO sustent vel (DS) como projeto pol tico e social da humanidade tem promovido a orienta o de esfor os no sentido de encontrar cami-nhos para sociedades sustent veis (SALAS-ZAPATA et al., 2011). Desde ent o, surge grande quantidade de literatura dedicada ao tema, e sem d vida uma indefini o de foco. crescente o interesse sobre SUSTENTABILIDADE (ou DS) e mais recentemente, as abordagens referentes a estrat gias, produ o mais limpa, controle da polui o, eco--efici ncia, gest o ambiental, responsabilidade social, ecologia industrial, investimentos ticos, economia verde, eco-design, re so, consumo sustent vel, res duos zero (GLAVI; LUKMAN, 2007), entre in meros outros termos. As abordagens dependem do campo de aplica o (engenharia, economia, admi-nistra o, ecologia, etc), no qual cada ci ncia tende a ver apenas um lado da equa o (CHICHILNISKY, 1996), contudo s o comuns, pois se voltam para a SUSTENTABILIDADE (ou DS).

1 122 2014 2 Para Elkington (1994), criador do termo Triple Bottom Line, a sustentabilidade é o equilíbrio entre os três pilares: ambiental, econômico e social.

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  Sustentabilidade

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1 SUSTENTABILIDADE E DESENVOLVIMENTO SUSTENT VEL: UMA TAXONOMIA NO CAMPO DA LITERATURASIMONE SARTORI1, FERNANDA LATR NICO2, LUCILA CAMPOS3 Introdu oA emerg ncia do DESENVOLVIMENTO sustent vel (DS) como projeto pol tico e social da humanidade tem promovido a orienta o de esfor os no sentido de encontrar cami-nhos para sociedades sustent veis (SALAS-ZAPATA et al., 2011). Desde ent o, surge grande quantidade de literatura dedicada ao tema, e sem d vida uma indefini o de foco. crescente o interesse sobre SUSTENTABILIDADE (ou DS) e mais recentemente, as abordagens referentes a estrat gias, produ o mais limpa, controle da polui o, eco--efici ncia, gest o ambiental, responsabilidade social, ecologia industrial, investimentos ticos, economia verde, eco-design, re so, consumo sustent vel, res duos zero (GLAVI; LUKMAN, 2007), entre in meros outros termos. As abordagens dependem do campo de aplica o (engenharia, economia, admi-nistra o, ecologia, etc), no qual cada ci ncia tende a ver apenas um lado da equa o (CHICHILNISKY, 1996), contudo s o comuns, pois se voltam para a SUSTENTABILIDADE (ou DS).

2 N o por acaso que os conceitos de SUSTENTABILIDADE e DS ainda s o mal compreen-didos (DOVERS; HANDMER, 1992), e em muitos casos, s o tratados como sin nimos. Mas nem todos os que pesquisam esses conceitos os veem Dovers e Handmer (1992) SUSTENTABILIDADE a capacidade de um sistema hu-mano, natural ou misto resistir ou se adaptar mudan a end gena ou ex gena por tempo indeterminado, e, al m disso, o DS uma via de mudan a intencional e melhoria que mant m ou aumenta esse atributo do sistema, ao responder s necessidades da popula o presente. Numa primeira vis o, o DS o caminho para se alcan ar a SUSTENTABILIDADE , isto , a SUSTENTABILIDADE o objetivo final, de longo Doutoranda no Programa de P s Gradua o em Engenharia de Produ o (PPGEP). Universidade Federal de Santa Catarina UFSC. E-mail: Mestranda no Programa de P s Gradua o em Engenharia de Produ o (PPGEP). Universidade Federal de Santa Catarina UFSC.

3 E-mail: Professora Adjunto do Departamento de Engenharia de Produ o e Sistemas. Universidade Federal de Santa Catarina UFSC. E-mail: & Sociedade n S o Paulo v. XVII, n. 1 n p. 1-22 n 2014 2 Sartori, Latr nico e CamposPara Elkington (1994), criador do termo Triple Bottom Line, a SUSTENTABILIDADE o equil brio entre os tr s pilares: ambiental, econ mico e social. A expectativa de que as empresas devem contribuir de forma progressiva com a SUSTENTABILIDADE surge do re-conhecimento de que os neg cios precisam de mercados est veis, e que devem possuir habilidades tecnol gicas, financeiras e de gerenciamento necess rio para possibilitar a transi o rumo ao DESENVOLVIMENTO sustent vel (ELKINGTON, 2001). Tem-se, portanto, uma segunda vis o, diferente da primeira: o DS objetivo a ser alcan ado e a sustenta-bilidade o processo para atingir o das duas vis es, a presente pesquisa volta-se para a SUSTENTABILIDADE .

4 Observa-se que existe hoje uma variedade de pesquisas e publica es sobre o assunto a fim de abordar uma maneira de entender e explicar a SUSTENTABILIDADE , seja ela como um processo ou um objetivo final. Nesse sentido, torna-se importante ter uma no o clara do que se entende por SUSTENTABILIDADE ou a falta dela (TISDELL, 1988).O termo SUSTENTABILIDADE utilizado, mas pouco explicado. de natureza conceitual, mal compreendido (EKINS et al., 2003). Trata-se de um acess rio de moda (HASNA, 2010) ou um senso comum (MOLDAN et al., 2012). H inconsistente interpreta o e aplica o, alto grau de ambiguidade do conceito, incluindo uma percep o incompleta dos problemas de pobreza, degrada o ambiental e o papel do crescimento econ mico (L L , 1991; MORI; CHRISTODOULOU, 2012; SLIMANE, 2012). E a situa o n o tem melhorado at ent o, continua sendo um slogan popular e brilhante (SLIMANE, 2012).Neste contexto, este estudo tem como objetivo analisar a literatura acerca do tema SUSTENTABILIDADE a fim de caracteriz -la e para definir o est gio em que se encontra, bem como, analisar lacunas e desafios no intuito de trazer contribui es para futuras artigo, al m desta introdu o constitu do pelas se es: ii) Procedimentos Metodol gicos; iii) Referencial Te rico; iv) Resultados; e, v) Considera es Metodol gicos A partir dos objetivos do trabalho, procedeu-se com a defini o dos crit rios de sele o dos peri dicos, a coleta e a triagem dos artigos, an lise de conte do e a apresen-ta o dos resultados.

5 Para a revis o de literatura, procedeu-se com busca de palavras-chave, variando entre os termos: environmental sustainability, economic sustainability, social sustainability, indicators, definitions, green, performance mesurement, indices, organization, business, firm, industry, sustainable development, environment management systems, ISO 14031, measures, cleaner production e sustainable as bases de dados dispon veis no Portal de Peri dicos Capes para compor o banco de dados e com potencial de colaborar com o tema de pesquisa em ques-t o, sendo estas: Engineering Village, Elsevier, ISI Science Direct, Scopus e o software EndNote X6 para a importa o das publica es selecionadas nas bases de dados pesquisadas. Ap s a conclus o da busca das dezoito palavras-chave nas seis bases de dados, foram selecionados treze mil novecentas e vinte e oito publica es. Dentre essas, retiraram-se os artigos repetidos, restando sete mil trezentas e quarenta e Ambiente & Sociedade n S o Paulo v.

6 XVII, n. 1 n p. 1-22 n 2014 3 SUSTENTABILIDADE e DESENVOLVIMENTO sustent velseis publica es. Analisando o alinhamento dos t tulos ao objetivo da pesquisa, restaram duzentos e cinquenta artigos que restaram foram submetidos an lise do alinhamento do resumo e palavras-chave em rela o ao objetivo de pesquisa, restando, portanto, cento e quarenta e um artigos com t tulos, resumos e palavras-chave alinhados. E, na ltima triagem, o portf lio bibliogr fico para a an lise de conte do totalizou em cento e tr s artigos com alinhamento do texto total, dispon veis gratuitamente nas bases de seguida, procedeu a leitura na ntegra do conte do dos artigos selecionados. Esses foram analisados conforme (Figura 1): (i) autores e ano; (ii) estudo sobre funda-mentos ou estudos aplicados; (iii) dimens es da SUSTENTABILIDADE ambiental, econ mico e social (ELKINGTON, 1994; SEURING, 2013); (iv) escala espec fica, global ou regional (RAMOS; CAEIRO, 2010; TODOROV; MARINOVA, 2011); e, (v) nfase - no sentido do prop sito do artigo.

7 Concomitante an lise de conte do, foram analisados as lacunas levantadas pelos autores, por conseguinte, apresentou-se na forma de desafios em um dos itens a seguir. Com este intuito, importante mencionar que os artigos que constam na Figura mencionada permitem uma refer ncia inicial sobre o tema SUSTENTABILIDADE , mas n o esgotam as in meras possibilidades Te ricoDesenvolvimento Sustent vel e SustentabilidadeSurgido na d cada de 1980, o termo DS emergiu da rela o entre preserva o do planeta e atendimento das necessidades humanas (IUCN, 1980). O Relat rio Brundtland (WCED, 1987) explica o mesmo termo de forma simples, como DESENVOLVIMENTO que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gera es futuras satisfazerem as suas pr prias necessidades . Esta defini o duradoura porque flex vel podendo existir interpreta es (PRUGH; ASSADOURIAN, 2003).Em ess ncia, o DS multi-dimensional, incorpora diferentes aspectos da sociedade, buscando a prote o ambiental e manuten o do capita natural para alcan ar a prospe-ridade econ mica e a equidade para as gera es atuais e futuras (KELLY et al.)

8 , 2004).Para outros pesquisadores, o DS visto como: a manuten o dos processos ecol gi-cos essenciais, a preserva o da diversidade gen tica e a utiliza o sustent vel das esp cies e ecossistemas (TISDELL, 1988); a igualdade de oportunidades para as gera es futuras (CHICHILNISKY, 1996); um processo de mudan a em que a explora o dos recursos, a dire o dos investimentos, a orienta o tecnol gica e mudan a institucional s o feitas de acordo com o futuro, considerando as necessidades presentes (HOVE, 2009).O que hoje chamamos de DS tem evolu do como um conceito integrador, um guar-da-chuva sob as quais um conjunto de quest es interrelacionadas podem ser organizadas de forma nica. Trata-se de um processo vari vel de mudan a que busca como objetivo final, a SUSTENTABILIDADE em si. No mesmo contexto, a SUSTENTABILIDADE a capacidade de um sistema humano, natural ou misto para resistir ou se adaptar mudan a end gena ou ex gena por tempo indeterminado (DOVERS; HANDMER, 1992), representada como Ambiente & Sociedade n S o Paulo v.

9 XVII, n. 1 n p. 1-22 n 2014 4 Sartori, Latr nico e Camposuma meta ou um ponto final (HOVE, 2009). Portanto, para alcan ar a SUSTENTABILIDADE requer-se o DESENVOLVIMENTO sustent vel (PRUG; ASSADOURIAN, 2003).O conceito de DS permanece impugnado devido as diferentes posi es tomadas em rela o ao que pode ser considerado justo (TODOROV; MARINOVA, 2009). t o amplo e genericamente aplic vel que sua imprecis o o torna inoperante e aberto ao conflito de interpreta es (DOVERS; HANDMER, 1992). N o abra a explicitamente pensamentos futuros. Por sua vez, quase todas as defini es publicadas sobre o conceito de DS t m como base princ pios da SUSTENTABILIDADE , por exemplo, a perspectiva de longo prazo, import ncia fundamental das condi es locais, compreens o da evolu o n o linear dos sistemas ambientais e humanos (MOLDAN et al., 2012).Dessa forma, o termo SUSTENTABILIDADE surgiu a respeito dos recursos renov veis e foi adotado pelo movimento ecol gico.

10 O conceito refere-se a exist ncia de condi es ecol gicas necess rias para dar suporte vida humana em um n vel espec fico de bem estar atrav s de futuras gera es, e isto SUSTENTABILIDADE ecol gica e n o DESENVOLVIMENTO sustent vel (L L , 1991). De acordo com Ayres (2008), a SUSTENTABILIDADE um conceito normativo sobre a maneira como os seres humanos devem agir em rela o natureza, e como eles s o respons veis para com o outro e as futuras gera es. Neste contexto, observa-se que a SUSTENTABILIDADE condizente ao crescimento econ mico baseado na justi a social e efici ncia no uso de recursos naturais (LOZANO, 2012). Muitas vezes, a SUSTENTABILIDADE vista em dois n veis diferentes: SUSTENTABILIDADE fraca ou SUSTENTABILIDADE forte. A SUSTENTABILIDADE fraca pode ser interpretada como a extens o do bem estar econ mico (NEUMAYER, 2003), portanto, o capital econ mico produzido pelas gera es atuais poder compensar as perdas de capital natural para as gera es futuras (FIORINO, 2011).


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