Transcription of Teste de inteligência WISC-III - scielo.br
1 Teste de intelig ncia WISC-III Adaptando para a popula o brasileira1 Vera L. M. Figueiredo2 e S lvia Pinheiro Universidade Cat lica de Pelotas (UCPe/) Elizabeth do Nascimento Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Resumo O presente artigo tem por objetivo mostrar alguns resultados encontrados at o momento, na pesquisa de adapta o do Teste de intelig ncia WISC- III ( wechsler Intelligence Scale for ChildrenThird Edition). Os dados apresentados referem-se aplica o do conjunto verbal do Teste a uma amostra piloto de 116 crian as com idades entre 6 e 16 anos, matriculadas na rede de escolas p blicas e privadas da cidade do Rio Grande (RS). Os resultados evidenciaram ndices de validade e consist ncia interna do conjunto verbal do Teste . Observou-se a relev ncia da idade, da repet ncia e do local da escola devendo estas vari veis serem controladas na pesquisa de adapta o.
2 H necessidade de altera o de alguns itens, principalmente nos subtestes Informa o e Vocabul rio. Palavras-chaves: WISC-III ; Teste de intelig ncia; adapta o. Intelligence Test WlSC - III adaptation to Brazillan population Summary This article shows some ofthe data ofthe adaptation forthe Brazilian population ofthe intelligence test WISC-III ( wechsler Intelligence Scale for Children-Third Edition) found until the present moment. The data shown are the results of the verbal subtest ofthe WISC-III put into practice with a initial population constituted by 116 children 6 to 16 year-old. They were attending public and private schools of the Rio Grande tawn in Rio Grande do Sul State, Brazil. The results, showed internal validity and consistency. Considering the population, age, school failure and location of the school were aspects that had influence over the results.
3 These variables should be controlled during the following research. The analisys indicated the need ofaltering some ofthem. specially in the subtests Information and Vocabulary. Key words: WISC-III ; Intelligence test; adaptation. wechsler , em 1939 (apud Zachary, 1990 p. 277), definiu a intelig ncia como "uma agrega o da capacidade global do indiv duo para agir intencionalmente, para pensar racionalmente e para inserir-se efetivamente no seu meio social", caracterizando o comportamento individual como um todo e n o apenas em habilidades espec ficas. Essa capacidade seria o produto tanto da constitui o gen tica como do esfor o, motiva o, tend ncias da personalidade e experi ncias socioeducacionais do indiv duo. A intelig ncia concebida n o como uma habilidade particular nem como a soma de habilidades espec ficas, mas como uma entidade global que ser evidenciada pela maneira como o indiv duo, particularmente, associa as habilidades e as aplica na situa o pr tica ( wechsler , 1991; Zachary, 1990; Safra, 1987; Matarazzo, 1976).
4 1 Pesquisa financiada pela VCPel e CNPq 2 Endere o para cOlTespond ncia: SQN. 412 81. 8 Ap. 205, CEP 70867-020. 8ras lia - DF, E-mail: Para wechsler , embora a intelig ncia n o seja uma simples soma de aptid es intelectuais, o nico meio de poder avali -la quantitativamente seria medir os diferentes aspectos dessa aptid o e, dentro dessa perspectiva, elaborou um instrumento de avalia o organizando as quest es por tipo de tarefa e especificando os subtestes por dificuldade, contrapondo-se tradi o de agrupar as quest es por n veis de idade como se caracterizavam os testes de Binet. As Escalas de wechsler constituem, no plano da padroniza o, um aperfei oamento sens vel em rela o ao seu precursor, o Teste de Binet e Simon (1905) e aos que dele se derivam.
5 Nas provas de Binet, os subtestes s o agrupados e diferenciados por n veis de idade e o QI medido n o permite comparar os resultados de um determinado sujeito em idades diferentes, uma vez que com os resultados da prova calcula-se o n vel mental do sujeito que , ent o, comparado com a idade cronol gica e, assim, calculado o QI (Gibello, 1986). Segundo Zimmerman (1977), as Escalas de wechsler figuram entre as t cnicas que se prop em avaliar a intelig ncia como as mais bem elaboradas e tipificadas, sendo as de maior fidedignidade e validade copiosamente demonstrada. Ainda, segundo o autor, elas ocupam um ponto referencial na psicologia contempor nea, demonstrando serem teis para a medida do n vel mental e para a interpreta o cl nica das possibilidades e limita es intelectuais da pessoa.
6 Sua principal relev ncia consiste em explorar uma amostra muito ampla de fun es cognitivas, cuja relativa covaria o e cujo progresso cronol gico justificam a obten o de uma medida geral da intelig ncia. As Escalas de wechsler s o reconhecidas mundialmente e utilizadas nas mais diversas reas da pr tica psicol gica, educacional e m dica. Em levantamento realizado por Lubin (apud Hutz e Bandeira, 1993), na d cada de 80, entre os 10 testes mais utilizados na pr tica profissional, nos Estados Unidos, encontravam-se o WAIS e o WISC-R colocados, respectivamente, em 2 e 6 lugar. Almeida (1996) cita a pesquisa de Oakland e Hu, de 1992, que tomou as respostas de psic logos de 44 pa ses e verificou que entre os 10 testes mais usados internacionalmente, junto a crian as e jovens, 4 deles dizem respeito a testes de intelig ncia geral encontrando-se, entre eles, o WISC e o WISC-R em I a lugar e o WAIS e o WAIS-R em 6 lugar.
7 No Brasil, as Escalas de wechsler s o amplamente utilizadas, por m nenhum trabalho completo de adapta o foi realizado. Em rela o Escala para avalia o da intelig ncia para adultos (WAIS - wechsler Adult Intelligence Scale), encontra-se material relacionado primeira edi o do Teste (1955), consistindo na tradu o de alguns subtestes verbais e na folha para registro de respostas que distribu da pela editora CEPA (Centro de Editores de Psicologia Aplicada). Em 1997, nos Estados Unidos, foi editada sua terceira edi o (WAIS-IIl), que est sendo objeto de pesquisa de adapta o e valida o para o contexto brasileiro, por Nascimento (no prelo). At o momento, n o existe nenhuma edi o brasileira do referido Teste , podendo ser obtido apenas mediante importa o.
8 A escala para crian as (WISC wechsler Intelligence Scale for Children), teve sua primeira edi o (1949) traduzida para a l ngua nacional por Ana Maria Poppovic, em 1964. Na tradu o foram introduzidas pequenas modifica es e adapta es, n o sendo, entretanto, estabelecidas normas brasileiras. Este material editado, tamb m, pelo CEPA. A nica iniciativa na tentativa de minimizar a limita o na utiliza o do WISC, instrumento simplesmente traduzido para nossa l ngua, foi o trabalho de adapta o da escala verbal do referido Teste realizado por Paine e Lemgruber (1978, 1981). A pesquisa foi realizada em 1974, na UFRJ e intitulou-se "Adapta o brasileira da escala verbal do WISC'. O trabalho teve por objetivo revisar, adaptar e normatizar os subtestes da escala verbal do referido Teste e os resultados foram divulgados atrav s das revistas American Journal of Psychology (1978) e Arquivos Brasileiros de Psicologia (1981).
9 Segundo as pr prias autoras, a amostra utilizada para a padroniza o do Teste n o pode ser considerada representativa da popula o brasileira, uma vez que ela incluiu somente crian as que moravam no antigo Estado da Guanabara, devendo ser utilizada com precau o para a crian a brasileira. O WISC-IlI, editado em 1991, pela Psychological Corporation, obtido por meio da importa o do material original ou da vers o argentina, publicada pela Paid s, consistindo esta numa tradu o do original americano. A editora Casa do Psic logo tentou adquirir os direitos autorais do WISC-IlI, que est sendo reivindicado, entretanto, pelo CEP A que tem os direitos nacionais sobre o WISC - primeira edi o do Teste . Atualmente, essa quest o est sendo resolvida em termos jur dicos e, at sua defini o, a comunidade cient fica fica privada de ter sua disposi o o instrumento na vers o nacional.
10 O referido Teste , embora apresente numerosos melhoramentos e substancial n mero de itens adicionados, mant m as caracter sticas b sicas do WISC e do WISC-R. Mais de 73% dos itens do WISC-R (n o incluindo o subteste C digos) foram mantidos na forma original ou tiveram mudan as insignificantes. O Teste apresenta 13 subtestes que medem diferentes habilidades da intelig ncia e s o agrupados, como nas demais Escalas de Intelig ncia de wechsler , num Conjunto Verbal (Informa o; Semelhan as; Vocabul rio; Compreens o; Aritm tica; D gitos) e num Conjunto de Execu o (Completar Figuras; Arranjo de Figuras; Armar Objetos; C digos; Cubos; Procurar S mbolos; Labirinto), definindo os QI Verbal, QI de Execu o e QI Total. Adicionalmente, o Teste proporciona, ao examinador, quatro ndices opcionais denominados ndices fatoriais que avaliam a compreens o verbal, a organiza o perceptual, a resist ncia distra o e a velocidade de processamento.