Example: tourism industry

AFETIVIDADE E GRAVIDEZ INDESEJADA, OS …

AFETIVIDADE E GRAVIDEZ INDESEJADA, OS CAMINHOS DE V NCULO M E-FILHOVIVIANE MILBRADT1 RESUMO As mulheres vem almejando e conquistando o mercado detrabalho a cada dia, tornando-se participantes ou respons veis peloor amento familiar e cultivo de interesses profissionais, sociais eoutros. Ter um filho pode acarretar conseq ncias bastantesignificativas, como priva es reais, afetivas e econ micas quepodem aumentar a tens o, a regress o e a ambival ncia,intensificando sua frustra o, ressentimento, raiva, culpa, que muitasvezes influenciam nas viv ncias da GRAVIDEZ e podem alterar a formada m e vincular-se ao filho. Assim, os resultados desta pesquisa indicam que os caminhosda AFETIVIDADE , que s o permeados pela rejei o e sentimento deculpa, vivenciados numa GRAVIDEZ indesejada, influenciam no v nculom e-filho, tendo o feto, o beb e o filho participa o importante nodesencadeamento e intensifica o dessa a partir da forma como am e interpreta seus comportamentos.

Pelotas - Nº9 jan/jun 2008 113 filho, bem como a afetividade e suas implicações nesses processos de comunicação em casos de gravidez indesejada.

Tags:

  Afetividade

Information

Domain:

Source:

Link to this page:

Please notify us if you found a problem with this document:

Other abuse

Transcription of AFETIVIDADE E GRAVIDEZ INDESEJADA, OS …

1 AFETIVIDADE E GRAVIDEZ INDESEJADA, OS CAMINHOS DE V NCULO M E-FILHOVIVIANE MILBRADT1 RESUMO As mulheres vem almejando e conquistando o mercado detrabalho a cada dia, tornando-se participantes ou respons veis peloor amento familiar e cultivo de interesses profissionais, sociais eoutros. Ter um filho pode acarretar conseq ncias bastantesignificativas, como priva es reais, afetivas e econ micas quepodem aumentar a tens o, a regress o e a ambival ncia,intensificando sua frustra o, ressentimento, raiva, culpa, que muitasvezes influenciam nas viv ncias da GRAVIDEZ e podem alterar a formada m e vincular-se ao filho. Assim, os resultados desta pesquisa indicam que os caminhosda AFETIVIDADE , que s o permeados pela rejei o e sentimento deculpa, vivenciados numa GRAVIDEZ indesejada, influenciam no v nculom e-filho, tendo o feto, o beb e o filho participa o importante nodesencadeamento e intensifica o dessa a partir da forma como am e interpreta seus comportamentos.

2 1 Psic loga Aluna egressa do curso de Especializa o em educa o. N cleo de Educa o Bioc Orientanda do Prof. Dr. Agostinho Mario Dalla VecchiaRevista Pensamento Bioc ntrico112 Palavras-chave: GRAVIDEZ indesejada AFETIVIDADE comunica omaterno-fetal v nculo m e-beb v nculo m The women it is longing and conquers the labor market toeach day, becoming participants or you were murmuring for thefamiliar budget and cultivation of professional, social interests anddifferent. To have a son can bring quite significant consequences,like real, affectionate and economical deprivations that can increasethe tension, the regression and the ambivalence, intensifying hisfrustration, resentment, rage, fault, which they very often influencethe existences of the pregnancy and can alter the form of the motherto be linked to a son. So, the results of this inquiry indicate that the ways of theaffection, what are permeated by the rejection and guilty conscience,survived in a pregnancy undesirable, influence the bond mother-son,having the fetus, the baby and the son important participation in theappearing and intensification of this from the form as the motherinterprets his : Pregnancy undesirable affection communicationmotherly - fetal bond mother-baby bond ODe acordo com Prado (2006), considero relevante os estudosque tratam das rela es entre pais e filhos pelo fato dessasconstitu rem-se o ponto de partida da vida de cada indiv duohumano, pois a partir delas que se constroem as bases dapersonalidade e a estrutura do self.

3 Assim, busquei, com essapesquisa, esclarecer minhas d vidas e ampliar meus conhecimentossobre comunica o materno-fetal, v nculo m e-beb , v nculo m e-Pelotas - N 9 jan/jun 2008113filho, bem como a AFETIVIDADE e suas implica es nesses processos decomunica o em casos de GRAVIDEZ realizar a conclus o do meu Trabalho Final de Gradua odo Curso de Psicologia, no ano de 2004, atrav s de estudos eentrevistas com pu rperas do munic pio de Dona Francisca-RS,constatei novos problemas a serem explorados e aprofundados edentre eles o escolhido para o atual estudo. Com isso, voltei,tamb m, s origens da minha pesquisa, fazendo nova entrevistaadaptada ao novo tema, aproveitando a oportunidade de observar arela o de uma das m es com seu filho, que est hoje na faixa dostr s anos de aten o especial a esse tema deu-se devido minhapreocupa o com a qualidade da rela o m e-filho, que acredito seroriginada j no ventre; rela es essas de AFETIVIDADE que poder omarcar, permear e se perpetuar, por toda nossa vida, em nossosrelacionamentos e em nossas viv , tamb m, na import ncia do tema em rela o ao apoioque poder dar aos profissionais que atendem gestantes, pu rperas em es, para que essas possam ter uma assist ncia mais qualificada,onde possam curtir e vivenciar essa experi ncia de forma maissaud vel, sem m goas ou ressentimentos que, futuramente, possamvir a influenciar de forma negativa essas rela es.

4 Sabe-se que com a descoberta da GRAVIDEZ j come am aocorrer uma gama de reestrutura es da gestante frente s novasexperi ncias, sendo estas modifica es f sicas, end crinas,psicol gicas e sociais, bem como o in cio da comunica o materno-fetal. Assim, a maternidade e a paternidade s o experi nciasmarcantes e mobilizadoras na vida de cada mulher e de cada homem,estendendo-se tamb m aos demais familiares que experimentammodifica es importantes, quando nasce um novo beb . Nessesentido, guiei-me pelo seguinte questionamento para realizar estapesquisa: O percurso da AFETIVIDADE na GRAVIDEZ indesejadainfluencia no v nculo m e-filho? Assim, para a coleta de dados, foram utilizadas tr sentrevistas semi-estruturadas: entrevista guiada que, segundoRevista Pensamento Bioc ntrico114 Richardson (1999), utilizada particularmente para descobrir queaspectos de determinada experi ncia produzem mudan as naspessoas expostas a ela.

5 O pesquisador tem conhecimento pr vio dosaspectos que deseja pesquisar e, com base neles, formula pontos atratar na entrevista, ou seja, as perguntas dependem do entrevistadore o entrevistado tem a liberdade de expressar-se como quiser guiadopelo entrevistador. Conforme Richardson (1999), entre as diversas t cnicas dean lise de conte do, a mais antiga e mais utilizada, a an lise porcategoria e, entre suas possibilidades, a mais utilizada, por ser maiseficaz, sempre que se aplique a conte dos diretos e simples, aan lise tem tica. Essa consiste em isolar temas de um texto e extrairas partes que ser o utilizadas, de acordo com o problema pesquisado,para ent o ser comparado com outros textos escolhidos da mesmamaneira. E, finalmente, para a fundamenta o te rica da pesquisa,utilizei fontes como Toro, Winnicott, Piontelli, Brazelton e Cramer edemais autores que se preocupam tamb m, assim como eu, emaprofundar estudos que enfatizam a import ncia das primeirasrela es entre pais e filhos na vida dos seres CAMINHOS DA AFETIVIDADE NA GRAVIDEZ INDESEJADAAs narrativas, ao longo do texto, contemplar o viv ncias,onde a AFETIVIDADE compreender , especialmente, o amor, a ternura,bem como o dio, a rejei o, a raiva, a culpa, etc.

6 Segundo Toro(2002), por meio da AFETIVIDADE que n s nos identificamos com asoutras pessoas e assim somos capazes de compreend -las, am -las,proteg -las, ou, ao contr rio, agredi-las e rejeit -las. A AFETIVIDADE tamb m expressa suas formas patol gicas,sendo os impulsos autodestrutivos uma delas. Pode-se pensar queesse fato ocorreu na viv ncia do caso I, desenvolvido em nossotrabalho, onde a tentativa de aborto estaria relacionada, tamb m, aessa forma patol gica expressa pela destrutividade, pois se sabe quePelotas - N 9 jan/jun 2008115as pr ticas abortivas colocam em risco tanto a vida das m es quantoa dos fetos. Para Bee (1984), a liga o afetiva o desejo de estabelecerou manter contato com uma pessoa espec fica, assim, oscomportamentos de v nculo s o as diversas formas que fazemos paraestabelecer contato visual. A autora apresenta duas etapas nodesenvolvimento da liga o afetiva entre a crian a e os pais, onde,primeiramente, h um v nculo que se forma no nascimento ou logodepois desse, de forma que fortalecido pela oportunidade deengajamento em comportamentos de liga o m tuos com o beb.

7 Nesse momento, gostaria de ressaltar, complementando osachados da autora citada acima, que, segundo a an lise das falas dasm es, percebeu-se que o estabelecimento da liga o afetiva entre acrian a e os pais, ou seja, o v nculo origin rio, pode ter sidoestabelecido j no ventre a partir do processo de comunica omaterno-fetal e, tamb m, paterno-fetal, e, conseq entemente,fortalecido ap s o nascimento. Conforme Toro (2002), a AFETIVIDADE complexa epermanece ao longo do tempo por ser um sentimento. Prova dissos o as recorda es. Implica tamb m a participa o da consci ncia, damem ria e da representa o simb lica. Aqui, pode-se pensar que am e com culpa de um dia ter rejeitado seu feto, possa serinfluenciada por esse sentimento negativo na hora de comunicar-secom seu filho e esse, um dia, sofrer as poss veis conseq ncias dessarela o sens vel entre a rejei o, a culpa e a tentativa decompensa o disso tudo por parte da m e.

8 ENTRE A EMO O DAS BATIDAS DO CORA O E OS CHUTES DO FETO , ACULPA E O PERD O Este ser identificado como Caso 1 . Foi a primeiraentrevista, realizada no dia 22 de agosto de 2007. Na referida data, am e estava com 23 anos de idade, casada e seu filho com 3 anos e 4meses, nascido de ces rea. A escolha dessa m e teve um motivoespecial e marcante, pois ela participou da minha primeira pesquisa aRevista Pensamento Bioc ntrico116que citei anteriormente. Ent o, o fato de eu conhecer a trajet riadessa GRAVIDEZ facilitou o levantamento de dados e fez tamb m comque eu vivenciasse, novamente, a emo o proporcionada pelapesquisa, agu ando minha sede de saber e analisar a viv ncia de umagravidez indesejada e suas prov veis influ ncias na comunica om e e filho de um modo geral, bem como o percurso da afetividadenesse processo. Nesse momento, vou deter-me em fatos observados no relatodessa m e. Para ela, a descoberta da GRAVIDEZ foi um momento quecausou desespero, tristeza, nega o, rejei o e dio do feto, o quelevou, conseq entemente, a sentir culpa, baixa auto-estima eesconder a barriga por sentir nojo do corpo gr vido.

9 Assim, os mesesiniciais da gesta o foram marcados, tamb m, por sentimentos demedo do filho nascer defeituoso pela tentativa de aborto, m goa,sentir-se suja e, com isso, a altera o do sono. Ap s o quinto m s de gesta o, come ou lentamente oprocesso de aceita o, com isso sentia-se arrasada, triste, depreciava-se, sentia-se mal, a culpa era marcante, sentia-se pesada, relacionavaos movimentos do feto (chutes) a cobran as pela rejei o. Ao mesmotempo, uma ambival ncia afetiva era bastante presente, pois, emdeterminados momentos, sentia-se motivada, alegre, mas uma alegrialimitada por ver o noivo feliz e realizado com a chegada do beb eela n o tanto. Aqui, um momento marcante foi o relato sobre aemo o ao escutar pela primeira vez as batidas do cora o do feto,come ando ent o a pedir perd o para ele (comunica o m e-feto). Do 7 m s de gesta o at o nascimento do beb , osentimento de culpa ainda permanecia forte e persistente, a aceita oj era maior, aparecia, j , a ansiedade em ver o filho e livrar-se docorpo gr vido.

10 Uma baixa auto-estima permanecia em fun o disso,n o se entregava como m e e, conseq entemente, sentia oarrependimento, n o se perdoava, pedia muito perd o ao filho ecome ava a am -lo. Ap s o nascimento, levando em considera o a rela o m e-beb , os sentimentos presentes eram de muita culpa, n o conseguiaentregar-se por inteiro como m e, sentia-se limitada nessa rela o,onde os primeiros cuidados com o beb sempre tinham a atitudePelotas - N 9 jan/jun 2008117paterna. Aos poucos, ent o, foi surgindo a necessidade do contatocom o beb , a rela o de carinho e o crescimento do amor pelomesmo. Atualmente, a rela o m e-filho ainda marcada pela m e apresenta comportamentos com o intuito de compens -lo (sermais permissiva, tolerante, presentear o filho), sente arrependimentopelas attitudes tomadas, nojo de si, tem medo de ser rejeitada pelofilho, sente-se mal e perseguida pela culpa.


Related search queries