Transcription of Diretrizes da SBPT - scielo.br
1 J Bras Pneumol. 2009;35(10):1018-1048 III Diretrizes para Tuberculose da Sociedade Brasileira de Pneumologia e TisiologiaIII Brazilian Thoracic Association Guidelines on TuberculosisComiss o de Tuberculose da SBPT1, Grupo de Trabalho das Diretrizes para Tuberculose da SBPT2 ResumoDiariamente novos artigos cient ficos sobre tuberculose (TB) s o publicados em todo mundo. No entanto, dif cil para o profissional sobrecarregado na rotina de trabalho acompanhar a literatura e discernir o que pode e deve ser aplicado na pr tica di ria juntos aos pacientes com TB. A proposta das III Diretrizes para TB da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) revisar de forma cr tica o que existe de mais recente na literatura cient fica nacional e internacional sobre TB e apresentar aos profissionais da rea de sa de as ferramentas mais atuais e teis para o enfrentamento da TB no nosso pa s. As atuais III Diretrizes para TB da SBPT foram desen-volvidas pela Comiss o de TB da SBPT e pelo Grupo de Trabalho para TB a partir do texto das II Diretrizes para TB da SBPT (2004).
2 As bases de dados consultadas foram LILACS (SciELO) e PubMed (Medline). Os artigos citados foram avaliados para determina o do n vel de evid ncia cient fica, e 24 recomenda es sobre TB foram avaliadas, discutidas por todo grupo e colocadas em destaque. A primeira vers o das III Diretrizes para TB da SBPT foi colocada no website da SBPT para consulta p blica durante tr s semanas, e as sugest es, cr ticas e o n vel de evid ncia da refer ncia cient fica que as embasavam foram avaliados e discutidos antes de serem incorporadas ou n o ao texto final. Descritores: Tuberculose; Infec es por Mycobacterium; Diagn stico; Tuberculose resistente a m ltiplos scientific articles about tuberculosis (TB) are published daily worldwide. However, it is difficult for health care workers, overloaded with work, to stay abreast of the latest research findings and to discern which information can and should be used in their daily practice on assisting TB patients.
3 The purpose of the III Brazilian Thoracic Association (BTA) Guidelines on TB is to critically review the most recent national and international scientific information on TB, presenting an updated text with the most current and useful tools against TB to health care workers in our country. The III BTA Guidelines on TB have been developed by the BTA Committee on TB and the TB Work Group, based on the text of the II BTA Guidelines on TB (2004). We reviewed the following databases: LILACS (SciELO) and PubMed (Medline). The level of evidence of the cited articles was determined, and 24 recommendations on TB have been evaluated, discussed by all of the members of the BTA Committee on TB and of the TB Work Group, and highlighted. The first version of the present Guidelines was posted on the BTA website and was available for public consultation for three weeks. Comments and critiques were evaluated.
4 The level of scientific evidence of each reference was evaluated before its acceptance for use in the final text. Keywords: Tuberculosis; Mycobacterium infections; Diagnosis; Tuberculosis, Barreto Conde (coordenador, editor), Fernando Augusto Fiuza de Melo (editor), Ana Maria Campos Marques, Ninarosa Calzavara Cardoso, Valeria Goes Ferreira Pinheiro, Paulo de Tarso Roth Dalcin2 Alm rio Machado Junior, Antonio Carlos Moreira Lemos, Ant nio Ruffino Netto, Betina Durovni, Clemax Couto Sant Anna, Dinalva Lima, Domenico Capone, Draurio Barreira, Eliana Dias Matos, Fernanda Carvalho de Queiroz Mello, Fernando Cezar David, Giovanni Marsico, Jorge Barros Afiune, Jos Roberto Lapa e Silva, Leda F tima Jamal, Maria Alice da Silva Telles, M rio Hiroyuki Hirata, Margareth Pretti Dalcolmo (editor), Marcelo Fouad Rabahi, Michelle Cailleaux-Cesar, Moises Palaci, Nelson Morrone, Renata Leborato Guerra, Reynaldo Dietze, Silvana Sp ndola de Miranda, Solange Cesar Cavalcante, Susie Andries Nogueira, Tatiana Senna Galv o Nonato, Terezinha Martire, Vera Maria Nader Galesi, Vald rio do Valle o para correspond ncia: Comiss o de Tuberculose Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, SEPS 714/914 - Bloco E - Sala 220/223, Asa Sul, CEP 70390-145, Bras lia, DF, Brasil.
5 Tel 55 61 3245-1030. E-mail: Apoio financeiro: Este trabalho teve o apoio financeiro do Conv nio Minist rio da Sa de/Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (MS/SBPT; n 3083/2007).Recebido para publica o em 20/8/2009. Aprovado, ap s revis o, em 25/8 da SBPTIII Diretrizes para Tuberculose da Sociedade Brasileira de Pneumologia e TisiologiaJ Bras Pneumol. 2009;35(10):1018-10481019A proposta das III Diretrizes para TB da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) revisar de forma critica o que existe de mais recente na literatura cient fica sobre TB e apresentar aos profissionais da rea de sa de as ferramentas mais atuais para o enfrentamento da TB no nosso pa s. Adicionalmente, al m dos aspectos cient -ficos abordados nestas Diretrizes , clara, para a SBPT, a necessidade de um trabalho conjunto incorporando, al m de gestores e profissionais da rea de sa de, a sociedade civil e seus segmentos organizados.
6 Somente o trabalho harm nico dos atores envolvidos nesta luta possibilitar que as metas e os seis objetivos do Segundo Plano Global para Acabar com TB no Mundo (2006-2015) da parceria Stop TB (amplia o e aperfei oamento da estrat gia DOTS; manuseio da associa o TB/HIV, TBMR e outros desafios; fortalecimento dos sistemas de sa de; enga-jamento de provedores de assist ncia global; apoio dos portadores de TB e das comunidades; e promo o de pesquisas) sejam alcan atuais III Diretrizes para TB da SBPT foram desenvolvidas pela Comiss o de TB da SBPT e pelo Grupo de Trabalho das Diretrizes a partir do texto das II Diretrizes para TB da SBPT de 2004. A bibliografia recente em portugu s e ingl s foi revisada nas bases de dados LILACS (SciELO) e PubMed (Medline), e as principais recomenda es de cada t pico foram discutidas e colocadas em destaque.
7 As refer ncias se acompanham do seu n vel de evid ncia cient fica (entre colchetes), conforme Introdu oAs metas do mil nio para TB pactuadas pela Organiza o das Na es Unidas visam reduzir as taxas de incid ncia e de mortalidade em 50% at 2015. Apesar do Brasil ser ainda um dos 22 pa ses respons veis por 90% dos casos de TB do mundo, at o ano de 2007, ocorreu em nosso pa s uma queda de 26% na incid ncia e de 32% na mortalidade por TB. Essa queda se tornou expressiva a partir de 1999 com a implanta o da estrat gia DOTS. A taxa de incid ncia da TB durante esse per odo no Brasil est apresentada na Figura 1. A taxa de incid ncia da TB por regi es variou de aproximadamente 30 habi-tantes nas regi es sul e centro-oeste para aproximadamente 50 habitantes nas regi es norte, nordeste e acordo com o MS, o g nero masculino e o grupo et rio 45-59 anos apresentam as maiores taxas de incid ncia.
8 A comorbidade TB/HIV ocorreu em 6,2% dos casos (embora a soli-cita o de teste anti-HIV seja feita em menos da metade dos casos de TB), com os estados do RS, SC e SP mostrando os maiores percentuais, e AC e RR, os menores. O percentual de cura e aban-dono em 2006 foi, respectivamente, de 73% e 9% para os casos novos e de 57% e 14% para os casos HIV positivos. Adicionalmente, houve uma queda de 31% na taxa de mortalidade por habitantes de 1990 para 2006. De acordo com dados do MS, em 2006, a maior taxa de mortalidade foi na regi o Nordeste, seguida pela regi o ,8%38,2%(%)AnoFigura 1 - S rie hist rica da taxa de incid ncia de TB por ano, Brasil, Comiss o de Tuberculose da SBPT, Grupo de Trabalho das Diretrizes para Tuberculose da SBPTJ Bras Pneumol. 2009;35(10):1018-1048a distribui o da mesma e os seus fatores deter-minantes. Para o monitoramento da frequ ncia da ocorr ncia de uma doen a, fundamental um sistema de vigil ncia epidemiol gica que permita detectar a ocorr ncia do evento com boa acur cia.
9 No Brasil, isso feito pelo Sistema Nacional de Agravos de Notifica o (SINAN) para as doen as infectocontagiosas e pelo Sistema de Informa o de Mortalidade com informa es sobre a mortalidade geral e espec fica. Embora esses sistemas estejam em implementa o h anos, ainda necessitam aprimoramentos. Para que se busquem os fatores determinantes sociais da doen a, s o necess rias pesquisas em reas como economia, pol tica, sociologia, antropo-logia, etc. Um marco te rico abrangente abarcar aspectos da supraestrutura da sociedade, bem como aspectos da infraestrutura. Concluindo, s o listados abaixo os diferentes n veis de atua o de pesquisa necess rios para a epidemiologia da TB: Aspectos ligados ao hospedeiro, como perfil imunogen tico, nutri o, novas vacinas, din mica da transmiss o da doen a e risco de infec o. Aspectos cl nicos, como novos kits diag-n sticos com custo/benef cio compat veis o entendimento dos redatores dos t picos, em acordo com as orienta es do Oxford Centre for Evidence-Based Medicine ( ).
10 Refer ncias de manuais, livros-texto e guias de organiza es, funda es ou sociedades cien-t ficas n o est o acompanhadas da classifica o do n vel de evid ncia cient fica. A primeira vers o do texto atual foi redigida entre fevereiro e maio de 2009 e colocada no website da SBPT em maio de 2009 para consulta p blica. Nos dias 19 e 20 de junho, foi realizada uma reuni o entre os membros da Comiss o de TB, do Grupo de Trabalho das Diretrizes e os colegas que enviaram sugest es a partir da consulta p blica e que manifestaram SBPT o desejo de participar. O texto final foi revisado e encami-nhado ao editor do JBP em julho de 2009. No Quadro 1 est o apresentadas as siglas e/ou abreviaturas utilizadas nas III Diretrizes para Tuberculose da SBPT ; no Quadro 2, as defini es utilizadas; e no Quadro 3, as reco-menda es destas da TBOs tr s componentes essenciais na epidemio-logia s o a frequ ncia da ocorr ncia da doen a, Quadro 1 - Abreviaturas e o de cidos nucl icos MtbMycobacterium tuberculosisADAadenosina desaminaseOMSO rganiza o Mundial de Sa deARVantirretroviraisOofloxacinaATSA merican Thoracic SocietyPNCTP rograma Nacional de Controle da TuberculoseASTaspartato aminotransferasePPDpurified protein derivativeALTalanina aminotransferasePCRpolymerase chain reactionBAAR bacilo lcool- cido resistentePAS cido para-aminossalic licoCTAC omit T cnico AssessorRrifampicinaDOTSD irectly Observed Therapy.