Example: stock market

O Caso Barings: Lições Aprendidas? - anpad.org.br

1O Caso Barings: Li es Aprendidas? Autoria: Marcelle Colares Oliveira, Editinete Andr da Rocha Garcia, Edite Oliveira Marques Resumo O caso narra a hist ria de fraude e fal ncia da institui o financeira Barings bank e tem como objetivo discutir o papel decisivo dos diversos agentes e rg os de governan a corporativa como elementos de preven o e controle de a es nocivas aos interesses dos diversos stakeholders e como o n o cumprimento das fun es que lhes s o conferidas abre espa o para fraudes como a ocorrida. O estudo desse caso colabora para a compreens o de aspectos referentes Teoria da Ag ncia como a inexist ncia de contrato completo e de agente perfeito refor ando a import ncia dos mecanismos de governan a corporativa para a continuidade das organiza es. 21. Introdu o Aquela era uma manh sem chuvas em Ardington; algo incomum para um in cio de abril no Reino Unido.

1 O Caso Barings: Lições Aprendidas? Autoria: Marcelle Colares Oliveira, Editinete André da Rocha Garcia, Edite Oliveira Marques Resumo O caso narra a história de fraude e falência da instituição financeira Barings Bank e tem como

Tags:

  Bank, Baring, Barings bank

Information

Domain:

Source:

Link to this page:

Please notify us if you found a problem with this document:

Other abuse

Advertisement

Transcription of O Caso Barings: Lições Aprendidas? - anpad.org.br

1 1O Caso Barings: Li es Aprendidas? Autoria: Marcelle Colares Oliveira, Editinete Andr da Rocha Garcia, Edite Oliveira Marques Resumo O caso narra a hist ria de fraude e fal ncia da institui o financeira Barings bank e tem como objetivo discutir o papel decisivo dos diversos agentes e rg os de governan a corporativa como elementos de preven o e controle de a es nocivas aos interesses dos diversos stakeholders e como o n o cumprimento das fun es que lhes s o conferidas abre espa o para fraudes como a ocorrida. O estudo desse caso colabora para a compreens o de aspectos referentes Teoria da Ag ncia como a inexist ncia de contrato completo e de agente perfeito refor ando a import ncia dos mecanismos de governan a corporativa para a continuidade das organiza es. 21. Introdu o Aquela era uma manh sem chuvas em Ardington; algo incomum para um in cio de abril no Reino Unido.

2 Contudo, o clima ameno sentido por Peter baring durante o caf da manh n o escondia a tempestade que ele enfrentava mergulhado em seus pensamentos. Aos 59 anos de idade, o conhecido representante de uma das mais tradicionais e influentes fam lias inglesas sentia o peso dos acontecimentos que lhe ca ram nos ombros ao longo das ltimas cinco semanas. Em 1989, ao assumir a presid ncia do Banco Barings, empresa com mais de dois s culos de hist ria, fundada por seus antepassados, a expectativa era de um crescimento acelerado. De fato, a empresa prosperara naqueles ltimos anos, expandindo suas atividades financeiras para in meros pa ses ao redor do mundo. Tanto que, em uma de suas declara es mais famosas, dirigida dois anos antes a Brian Quinn, diretor do Banco da Inglaterra, e que agora lhe vinha novamente mem ria, Peter declarara: N o realmente muito dif cil ganhar dinheiro no mercado de valores mobili rios.

3 Como as promessas de sucesso tinham se transformado t o rapidamente em amea as de fal ncia era a pergunta que tirara seu sono e tranquilidade. Apesar de Nick Leeson, o gerente do escrit rio do banco em Singapura, ser apontado como o principal respons vel pela atual crise enfrentada pelo Banco Barings, ao acumular preju zo pr ximo a um bilh o em moeda inglesa com atividades de especula o financeira, Peter se recusava a acreditar que um nico homem pudesse receber todo o cr dito por essa crise. De fato, uma das raz es que ainda mantinha Peter baring na presid ncia do banco era conseguir compreender todas as a es que levaram a esta crise. 2. A Hist ria do Banco Barings O Barings Public Limited Company (Barings PLC), conhecido popularmente como o Banco da Rainha, possui uma das hist rias mais nobres e tr gicas no setor banc rio.

4 Inicialmente, a empresa cresceu de import ncia na Europa durante a guerra contra Napole o ao financiar as campanhas militares da Gr -Bretanha, ajudando a organizar a recupera o financeira da Fran a ap s o fim da guerra. Durante o s culo XIX, o banco passou a ser considerado como a sexta grande pot ncia europ ia, envolvendo-se na venda da Louisiana por parte da Fran a para americanos em 1803, no refinanciamento do Banco da Inglaterra em 1839 e na reconstitui o do Banco da Fran a (Banque de France) em 1849. No ano de 1890, o Banco Barings enfrentou sua primeira grande crise, decorrente de uma expans o especulativa que gerou um passivo para a empresa de mais de 21 milh es de libras esterlinas. Mesmo sendo resgatado da fal ncia pelo Banco da Inglaterra, o Barings nunca mais alcan ou a posi o proeminente que possu a anteriormente.

5 Contudo, o ltimo cap tulo dram tico na hist ria do banco aconteceu em 1995, quando especula es de investimento realizadas pelo gerente Nick Leeson levou a perdas de cerca de um bilh o de libras esterlinas. O nascimento e a guerra de Napole o O Banco Barings foi fundado em 1762 por dois filhos de um cavalheiro ingl s que tinha feito uma fortuna com a fabrica o e com rcio de l . O filho mais novo, Francis baring , logo subiu para a lideran a da empresa e come ou a gerenciar algumas das opera es financeiras mais importantes do per odo Francis baring foi sucedido na dire o do banco pelo seu segundo filho, Alexander baring . Nesta poca, Alexander viajou para os Estados Unidos, que haviam conquistado sua independ ncia, e adquiriu grandes quantidades de terra nos estados do Maine e da Pensilv nia, que posteriormente renderiam milh es para a empresa.

6 Sob a lideran a de Alexander baring , ao final do s culo XVIII, o banco se envolveu em uma de suas transa es 3mais importantes: sustentar o esfor o brit nico para derrotar Napole o. De 1798 at 1814 Alexander deu garantias constantes para William Pitt, o Novo, primeiro-ministro da Gr -Bretanha durante a longa luta com a Fran a, que o dinheiro continuaria dispon vel para as campanhas militares do pa s. Ao mesmo tempo, Alexander tamb m realizou neg cios com Napole o, organizando a venda do territ rio de Louisiana, pertencente Fran a, para os Estados Unidos em 1803. Sendo muito criticado na Gr -Bretanha por ajudar Napole o a arrecadar dinheiro para continuar a guerra contra a Inglaterra, o principal intento de Alexander, na verdade, era ajudar o presidente Thomas Jefferson a expandir as fronteiras do rec m-formado Estados Unidos.

7 Crescimento no s culo XIX Ap s a derrota de Napole o na batalha de Waterloo, Alexander baring passou a acreditar que o futuro da Europa dependia diretamente de uma economia francesa, que estava financeiramente saud vel. Influenciado por v rios diplomatas brit nicos, baring decidiu oferecer um enorme empr stimo em indeniza o Fran a. O primeiro-ministro franc s, Richelieu, e o ministro franc s das rela es exteriores franc s, Tallyrand, consideraram este empr stimo como garantia de paz para a Europa. Assim, quando os representantes brit nicos, franceses, austr acos, prussianos e russos se reuniram no Congresso de Viena, em 1815, para a elabora o do tratado de paz para a Europa, que permaneceu em vigor at a I Guerra Mundial, todos eles concordaram que a ajuda do Banco Barings seria fundamental para que esse tratado de paz tivesse um efeito duradouro.

8 Na mesma poca, pelo seu servi o na o brit nica, Alexander baring foi nomeado cavaleiro pela fam lia real, recebendo o nome de Senhor Ashburton. Um de seus ltimos atos antes de se aposentar foi realiza o da liquida o, em parceria com o senador Daniel Webster, dos limites disputados entre Maine, New Brunswick e Quebec. Ap s sua aposentadoria, ele trouxe para a empresa dois homens que deveriam manter a reputa o, honestidade e credibilidade da institui o: Thomas baring , sobrinho de Alexander, que se tornou chefe da opera o internacional do banco, e Joshua Bates, de Massachusetts, que foi colocado no comando das opera es norte-americanas e canadenses da empresa. Durante o s culo XIX, sob a dire o da nova lideran a, o Banco Barings consolidou a sua reputa o no mercado financeiro internacional.

9 Neste sentido, o Barings assistiu n o apenas o Banco dos Estados Unidos, mas um n mero incont vel de empresas privadas, sendo um dos principais financiadores da florescente ind stria da estrada de ferro norte-americana. Em 1848, ap s a Guerra do M xico, o Barings organizou e financiou a compra do estado do Texas pelo governo dos Estados Unidos, agindo como um mediador junto s autoridades mexicanas. Durante a Guerra Civil Americana, entre os anos de 1861 e 1865, o Barings subscreveu a compra do Alasca da R ssia pelo governo dos EUA que, embora tenha sido uma transa o considerada rid cula na poca, mostrou-se posteriormente como uma aquisi o de enorme potencial. A primeira grande crise Em 1888, exclusivamente por meio de atividades e transa es banc rias com o Barings, a Argentina tinha acumulado uma d vida que come ou a causar preocupa o no seio da comunidade financeira brit nica.

10 Em 1890, descobriu-se que o banco ingl s foi respons vel por quase todos os empr stimos adquiridos pelo pa s, que totalizavam um n mero impressionante de 38 milh es de libras esterlinas. Assim, o governo da Argentina acabou por decretar uma morat ria sobre os empr stimos, fazendo com que o Barings relatasse mais de 21 milh es de libras esterlinas em seu passivo. Neste contexto, os ministros brit nicos perceberam que, caso o Banco Barings n o liquidasse esse passivo, o cr dito ingl s seria danificado junto com a empresa. Como resultado, o Banco da Inglaterra iniciou uma venda de 4t tulos para a R ssia e arranjou um empr stimo do Banque de France. Chamado de Fundo de Garantia Barings, esse financiamento salvou a firma banc ria da ru na. Por m, apesar do banco ter sido resgatado de uma prov vel liquida o, ap s estes eventos da d cada de 1890, o Banco Barings nunca recuperou o seu status na comunidade financeira internacional.


Related search queries