Transcription of A DINÂMICA DAS COMPETÊNCIAS …
1 1A DIN MICA DAS COMPET NCIAS ORGANIZACIONAIS A TRAJET RIA DO GRUPO PAQUET Autoria: Cristiane Froehlich, Claudia Cristina Bitencourt RESUMO Este artigo buscar analisar o desenvolvimento de compet ncias organizacionais nos diferentes neg cios de uma empresa do setor cal adista do Rio Grande do Sul (RS) e a sua articula o com as pr ticas de gest o, tendo como refer ncia a sua hist ria e as principais mudan as ocorridas. Entende-se que as compet ncias devem ser compreendidas sob uma perspectiva din mica, pois as mudan as s o caracter sticas constantes do mercado. Neste contexto, a trajet ria de uma organiza o pode ser considerada como um dos pontos fundamentais para o entendimento da din mica de uma organiza o, pois sua an lise gera informa es que explicam as mudan as e estrat gias tomadas ao longo do tempo.
2 Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza explorat ria e descritiva, desenvolvida atrav s do m todo de estudo de caso no Grupo Paquet . Os dados foram coletados atrav s de entrevistas semi-estruturadas e de an lise documental. Os principais resultados encontrados revelam que o Grupo Paquet possui as compet ncias distintivas que se referem s capacidades de gest o e t cnica. Essas compet ncias distintivas originaram as compet ncias intermedi rias/funcionais tendo como base os tr s elementos da compet ncia organizacional do Grupo: inova o e tecnologia, pessoas, estrutura e processos consolidados ao longo da trajet ria da empresa.
3 1. INTRODU O O presente estudo entende que num cen rio que imp em desafios de melhorias da competitividade, o desenvolvimento de compet ncias pode agregar valor s atividades produtivas, e buscar uma diferencia o, por meio da melhor aloca o dos recursos produtivos e melhor posicionamento da empresa no mercado. A ado o desse conceito consiste em alinhar a estrat gia organizacional s pr ticas de gest o, e dar suporte empresa para alcan ar os resultados desejados, tendo em vista a mobiliza o de recursos e o desenvolvimento das capacidades internas da organiza o.
4 O fato de as empresas estabelecerem a es estrat gicas em fun o das suas compet ncias converte essa pr tica em motor da gest o organizacional. A quest o estrat gica est diretamente vinculada ao diagn stico das compet ncias da empresa, tendo desdobramento na gest o de processos internos. medida que a tecnologia, a aprendizagem e as experi ncias s o peculiares a cada empresa, a estrat gia tamb m se v como um elemento dependente da trajet ria. Atrav s da otimiza o dos recursos e das aprendizagens, a empresa predisp e-se a identificar oportunidades estrat gicas futuras (WINTER, 1987; LEONARDO-BARTON, 1992).
5 Considerando o contexto vivenciado por empresas do setor cal adista brasileiro, importante que elas tenham convic o das suas estrat gias e/ou determinem novas estrat gias para competirem, devido s perdas de mercado sofridas para os pa ses asi ticos que competem com pre os inferiores comparados ao Brasil, e tamb m, devido grande variedade de produtos no mercado dom stico, muitos deles oriundos de pirataria . Portanto, este estudo busca contribuir para o avan o nas discuss es acerca da tem tica, e tem como objetivo geral, analisar o desenvolvimento de compet ncias organizacionais nos diferentes neg cios de uma empresa do setor cal adista do Estado do Rio Grande do Sul (RS) e a sua articula o com as pr ticas de gest o, tendo como refer ncia a sua hist ria e as principais mudan as.
6 Para atender o objetivo proposto, buscou-se mapear as principais fases de mudan a e os impactos gerados na organiza o. Considerando-se cada fase mapeada, identificaram-se as principais estrat gias e a es organizacionais desenvolvidas. A partir disso, foram analisadas as compet ncias desenvolvidas durante a trajet ria at os dias atuais, 2tendo como base tr s elementos da compet ncia organizacional inova o e tecnologia, pessoas, estrutura e processos. Na literatura encontram-se alguns autores que distinguem as express es compet ncias ess ncias e distintivas , mas n o h uma defini o espec fica entre essas duas express es.
7 Neste estudo utiliza-se a express o compet ncia distintiva assumindo os dois conceitos, entende-se que essa compet ncia diferencia a empresa dos seus concorrentes. A seguir, apresenta-se a fundamenta o te rica, centrando-se nas discuss es sobre a contextualiza o das mudan as e estrat gias organizacionais, Vis o Baseada em Recursos, compet ncias organizacionais e os seus elementos. Na seq ncia, apresentam-se os procedimentos metodol gicos utilizados seguidos dos principais resultados e conclus es. 2. MUDAN AS E ESTRAT GIAS ORGANIZACIONAIS UMA BREVE CONTEXTUALIZA O Todo o processo de mudan a, segundo Andrade et al.
8 (2006), passa pela defini o de a es e estrat gias, pois selecionar aquelas com possibilidade de melhores resultados consiste numa tarefa complexa. Isso requer a compreens o da realidade e o estabelecimento de uma vis o de futuro compartilhada pela organiza o capaz de gerar impulso para mudan a. Ainda, requer identificar onde se deve atuar, bem como vislumbrar a es alternativas e seus poss veis desdobramentos para diferentes cen rios. Assim sendo, Hamel e Prahalad (1990) destacam que, para a sobreviv ncia da organiza o, faz-se necess rio gerenciar as mudan as luz das suas compet ncias.
9 Dessa forma, a compreens o das mudan as traz consigo novas formas de se pensar a organiza o e gerenci -la. Portanto, a assimila o das mudan as no ambiente empresarial um fator preponderante para o desenvolvimento da estrat gia empresarial (MINTZBERG et al., 2000). Conforme Mintzberg et al.(2000), devido s mudan as no cen rio, nem todas as estrat gias formuladas s o de fato implementadas. A possibilidade, cada vez maior, de novas oportunidades para a organiza o mostra a necessidade de implantar estrat gias que ainda n o tenham sido formuladas. Tais estrat gias s o denominadas de emergentes, e elas demandam flexibilidade e capacidade empreendedora da organiza o, e geram ajustes no processo de gest o estrat gica competitiva.
10 Partindo deste conceito, o processo de forma o de estrat gias competitivas pode ser categorizado em: estrat gias deliberadas, emergentes ou em uma combina o entre essas duas vertentes. Uma poss vel estrat gia utilizada para o crescimento da organiza o a diversifica o dos neg cios. Segundo Penrose (1959), isso acontece porque a empresa pode ter recursos espec ficos que n o possa utilizar totalmente em seu atual mercado de produtos, mas podem ser utilizados em outros mercados e produtos. 3. FUNDAMENTOS TE RICOS RELACIONADOS VIS O BASEADA EM RECURSOS (VBR) A partir do final dos anos 1980, diversos trabalhos na rea de administra o estrat gica indicaram que as diferen as existentes entre o desempenho das firmas dentro de uma mesma ind stria mostravam-se expressivamente superiores s diferen as de desempenho entre as ind strias.